A vida sem likes

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Um pioneiro
Um pioneiro

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Publicada em 19/07/2019 às 22:33:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Lauckson José, o mú-
sico à frente da ban-
da Lau e Eu, é um pioneiro. Muito antes de o Instagram acabar com o ganha pão dos 'influencers', ele já tinha se rebelado contra a monetização dos afetos. A cada novo post nas redes sociais, o fanfarrão cravava a hashtag irônica, cheio de cinismo: #0_likes.
Ele certo. Para aturar tal inversão de valores, desde quando a produção de conteúdo foi subvertida em performance, só fazendo graça. De uma hora para outra, desmiolados de todos os gêneros e variadas competências reivindicaram o poder de conduzir rebanhos. Quando a maioria se deu conta, uma multidão valsava à beira do abismo.
O teste do Instagram começou pelo Canadá e foi estendido ao Brasil esta semana. Paulatinamente, a inovação deve ser aplicada pela plataforma nos quatro cantos do mundo. No fim das contas, trata-se de coisa muito simples: os usuários da rede não podem mais visualizar o número de likes nas postagens dos outros. Por essa bobagem, tem gente em vias de cortar os pulsos.
A choradeira é desproporcional. O vereador carioca Carlos Bolsonaro, por exemplo, se sentiu pessoalmente ofendido. Para ele, o Instagram dobrou os joelhos sob o peso das ideologias progressistas. Segundo o galho tuiteiro da delirante família presidencial, empresários são capazes de rasgar dinheiro. Importam-se menos com o próprio bolso, do que com a simpatia e o bem estar do populacho.
Em verdade, não é bem assim que a banda toca. Os gestores da rede tentam por fim à caça desenfreada de likes, nada mais. A esperança é de criar um ambiente virtual mais saudável, sequestrando a atenção dos usuários por mais tempo. Nos shoppings disfarçados em feirinhas da gambiarra conhecidos por redes sociais, cada segundo desperdiçado pelos desavisados vale ouro.
Lau, Bolsonaro e o resto dos mortais sabem muito bem a razão de acessar Twitter, Facebook e Instagram. Química pura. Somente os excêntricos são imunes ao biscoito atirado por Zuckerberg.

Lauckson José, o mú- sico à frente da ban- da Lau e Eu, é um pioneiro. Muito antes de o Instagram acabar com o ganha pão dos 'influencers', ele já tinha se rebelado contra a monetização dos afetos. A cada novo post nas redes sociais, o fanfarrão cravava a hashtag irônica, cheio de cinismo: #0_likes.
Ele certo. Para aturar tal inversão de valores, desde quando a produção de conteúdo foi subvertida em performance, só fazendo graça. De uma hora para outra, desmiolados de todos os gêneros e variadas competências reivindicaram o poder de conduzir rebanhos. Quando a maioria se deu conta, uma multidão valsava à beira do abismo.
O teste do Instagram começou pelo Canadá e foi estendido ao Brasil esta semana. Paulatinamente, a inovação deve ser aplicada pela plataforma nos quatro cantos do mundo. No fim das contas, trata-se de coisa muito simples: os usuários da rede não podem mais visualizar o número de likes nas postagens dos outros. Por essa bobagem, tem gente em vias de cortar os pulsos.
A choradeira é desproporcional. O vereador carioca Carlos Bolsonaro, por exemplo, se sentiu pessoalmente ofendido. Para ele, o Instagram dobrou os joelhos sob o peso das ideologias progressistas. Segundo o galho tuiteiro da delirante família presidencial, empresários são capazes de rasgar dinheiro. Importam-se menos com o próprio bolso, do que com a simpatia e o bem estar do populacho.
Em verdade, não é bem assim que a banda toca. Os gestores da rede tentam por fim à caça desenfreada de likes, nada mais. A esperança é de criar um ambiente virtual mais saudável, sequestrando a atenção dos usuários por mais tempo. Nos shoppings disfarçados em feirinhas da gambiarra conhecidos por redes sociais, cada segundo desperdiçado pelos desavisados vale ouro.
Lau, Bolsonaro e o resto dos mortais sabem muito bem a razão de acessar Twitter, Facebook e Instagram. Química pura. Somente os excêntricos são imunes ao biscoito atirado por Zuckerberg.