As lições de Aracaju

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\'Escultura na areia\', de Zeus
\'Escultura na areia\', de Zeus

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Publicada em 27/07/2019 às 14:55:00

 

Um dos principais argumentos de diri-
gentes do PT para a apresentação de 
candidatura própria a prefeito de Aracaju, em 2020, é de que o partido detém a hegemonia do eleitorado da capital. Não é bem assim. E isso vem desde a época de Marcelo Déda, uma das maiores lideranças populares de toda a história do Estado, que sempre foi um campeão de votos.
Déda surpreendeu ao ser eleito prefeito em 2000, no primeiro turno, foi reeleito de forma consagradora em 2004, governador em 2006 e, em 2008, garantiu a reeleição de Edvaldo Nogueira também no primeiro turno.
De lá pra cá os resultados eleitorais não têm sido os previstos pelo PT na capital. Em 2010, Déda foi reeleito governador, mas o candidato adversário, ex-governador João Alves Filho, foi o vitorioso em Aracaju, com uma diferença de cerca de 3 mil votos. Um resultado totalmente inesperado, principalmente porque o ex-presidente Lula, tão popular na capital quanto Déda, participou do encerramento da campanha num grande comício na praça dos mercados, na véspera da votação.
Da mesma forma, em 2012, Déda viu o seu candidato perder a disputa para prefeito de Aracaju, também em primeiro turno, para o mesmo João Alves Filho. E da mesma forma que 2008 quando bancou a candidatura de Edvaldo contra boa parte do PT, Déda foi quem bateu o martelo pela candidatura de Valadares Filho, reprovando o nome do atual senador Rogério Carvalho.
Após a morte de Déda, no final de 2013, o partido se manteve ao lado dos partidos que garantiram a mudança no Estado com a vitória de 2006. Estavam com Jackson Barreto na eleição para o governo em 2014.
Em 2016, Eliane Aquino, viúva de Déda, encarou uma eleição pela primeira vez, na condição de candidata a vice-prefeita na chapa de Edvaldo Nogueira, contra o ex-aliado Valadares Filho. Foi uma das eleições mais disputadas da capital, tanto no primeiro quanto no segundo turno. 
Em 2018, na eleição estadual, Eliane participou da chapa como candidata a vice-governadora da chapa vitoriosa de Belivaldo Chagas, que garantiu também a vitória de Rogério Carvalho para o Senado. A vitória do comandante petista foi o mote para que o partido decidisse, logo após a divulgação do resultado, pela apresentação de candidatura própria em Aracaju em 2020.
Um dos principais argumentos é de que a participação de Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência da República, em manifestações na capital teria sido fundamental para a vitória da chapa Belivaldo/Eliane.
No primeiro turno da eleição presidencial, Haddad obteve 85.316 votos (28,42%) em Aracaju; Bolsonaro alcançou 119.781 votos (39,90%); no segundo turno, quando todos os partidos de oposição passaram a apoiar a candidatura de Haddad, ele venceu na capital: 155.892 votos (52,76%) contra 139.603 votos (47,24%) de Bolsonaro. A chapa Belivaldo/Eliane venceu com folga nos dois turnos.
Desde o início do ano, o PT começou a se afastar da administração Edvaldo Nogueira alegando uma caminhada da administração rumo ao centro. O prefeito contempla na PMA todos os partidos que participaram da sua reeleição e, mais ainda, estiveram com Belivaldo/Eliane no pleito do ano passado. E mantém o PT no comando da Funcaju, além de ter viabilizado uma vaga na Câmara Municipal para o vereador Camilo, filho do deputado federal João Daniel, atualmente presidente estadual do PT, quando nomeou o vereador Bitencourt como secretário de Ação Social.
Em 2010, quando traçou o roteiro da sua candidatura à reeleição, Déda foi buscar o apoio de quadros conservadores e polêmicos, a exemplo do PSC de Eduardo e Edivan Amorim e André Moura. Poucos meses após a posse para o segundo mandato, Déda foi obrigado a romper com os Amorim porque eles queriam tutelar o governo através da Assembleia Legislativa.
 O Brasil está passando por mudanças surpreendentes e Aracaju não está de fora desse contexto. Da mesma forma que há eleitores perplexos com o desmonte da estrutura social do trabalhador brasileiro através de decretos do presidente Bolsonaro, outros aprovam não apenas esses, mas outros retrocessos, inclusive na legislação trabalhista, previdência social e meio ambiente.
Todos os partidos podem e devem apresentar candidatos durante as eleições, afinal eles existem para isso. É preciso, no entanto, fazer uma leitura real do momento para evitar uma volta para o passado.

Um dos principais argumentos de diri- gentes do PT para a apresentação de  candidatura própria a prefeito de Aracaju, em 2020, é de que o partido detém a hegemonia do eleitorado da capital. Não é bem assim. E isso vem desde a época de Marcelo Déda, uma das maiores lideranças populares de toda a história do Estado, que sempre foi um campeão de votos.Déda surpreendeu ao ser eleito prefeito em 2000, no primeiro turno, foi reeleito de forma consagradora em 2004, governador em 2006 e, em 2008, garantiu a reeleição de Edvaldo Nogueira também no primeiro turno.
De lá pra cá os resultados eleitorais não têm sido os previstos pelo PT na capital. Em 2010, Déda foi reeleito governador, mas o candidato adversário, ex-governador João Alves Filho, foi o vitorioso em Aracaju, com uma diferença de cerca de 3 mil votos. Um resultado totalmente inesperado, principalmente porque o ex-presidente Lula, tão popular na capital quanto Déda, participou do encerramento da campanha num grande comício na praça dos mercados, na véspera da votação.
Da mesma forma, em 2012, Déda viu o seu candidato perder a disputa para prefeito de Aracaju, também em primeiro turno, para o mesmo João Alves Filho. E da mesma forma que 2008 quando bancou a candidatura de Edvaldo contra boa parte do PT, Déda foi quem bateu o martelo pela candidatura de Valadares Filho, reprovando o nome do atual senador Rogério Carvalho.
Após a morte de Déda, no final de 2013, o partido se manteve ao lado dos partidos que garantiram a mudança no Estado com a vitória de 2006. Estavam com Jackson Barreto na eleição para o governo em 2014.
Em 2016, Eliane Aquino, viúva de Déda, encarou uma eleição pela primeira vez, na condição de candidata a vice-prefeita na chapa de Edvaldo Nogueira, contra o ex-aliado Valadares Filho. Foi uma das eleições mais disputadas da capital, tanto no primeiro quanto no segundo turno. 
Em 2018, na eleição estadual, Eliane participou da chapa como candidata a vice-governadora da chapa vitoriosa de Belivaldo Chagas, que garantiu também a vitória de Rogério Carvalho para o Senado. A vitória do comandante petista foi o mote para que o partido decidisse, logo após a divulgação do resultado, pela apresentação de candidatura própria em Aracaju em 2020.
Um dos principais argumentos é de que a participação de Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência da República, em manifestações na capital teria sido fundamental para a vitória da chapa Belivaldo/Eliane.
No primeiro turno da eleição presidencial, Haddad obteve 85.316 votos (28,42%) em Aracaju; Bolsonaro alcançou 119.781 votos (39,90%); no segundo turno, quando todos os partidos de oposição passaram a apoiar a candidatura de Haddad, ele venceu na capital: 155.892 votos (52,76%) contra 139.603 votos (47,24%) de Bolsonaro. A chapa Belivaldo/Eliane venceu com folga nos dois turnos.
Desde o início do ano, o PT começou a se afastar da administração Edvaldo Nogueira alegando uma caminhada da administração rumo ao centro. O prefeito contempla na PMA todos os partidos que participaram da sua reeleição e, mais ainda, estiveram com Belivaldo/Eliane no pleito do ano passado. E mantém o PT no comando da Funcaju, além de ter viabilizado uma vaga na Câmara Municipal para o vereador Camilo, filho do deputado federal João Daniel, atualmente presidente estadual do PT, quando nomeou o vereador Bitencourt como secretário de Ação Social.
Em 2010, quando traçou o roteiro da sua candidatura à reeleição, Déda foi buscar o apoio de quadros conservadores e polêmicos, a exemplo do PSC de Eduardo e Edivan Amorim e André Moura. Poucos meses após a posse para o segundo mandato, Déda foi obrigado a romper com os Amorim porque eles queriam tutelar o governo através da Assembleia Legislativa.
 O Brasil está passando por mudanças surpreendentes e Aracaju não está de fora desse contexto. Da mesma forma que há eleitores perplexos com o desmonte da estrutura social do trabalhador brasileiro através de decretos do presidente Bolsonaro, outros aprovam não apenas esses, mas outros retrocessos, inclusive na legislação trabalhista, previdência social e meio ambiente.
Todos os partidos podem e devem apresentar candidatos durante as eleições, afinal eles existem para isso. É preciso, no entanto, fazer uma leitura real do momento para evitar uma volta para o passado.

Consórcio Nordeste

O governador Belivaldo Chagas e os demais governadores do Nordeste estarão reunidos em Salvador na próxima segunda-feira (29) em mais uma reunião do Consórcio Nordeste, para tratar de temas de interesse da Região e traçar o planejamento para os próximos 12 meses do Consórcio, uma parceria para agilizar a cooperação entre os nove estados da região.

O encontro acontece menos de uma semana após a participação de Jair Bolsonaro (PSL) na inauguração do aeroporto de Vitória da Conquista (a 518 km de Salvador) - sem a presença do governador Rui Costa - e dez dias após o presidente afirmar, sem saber que estava sendo gravado, que "daqueles governadores de 'paraíba', o pior é o do Maranhão"

A reunião está programada para acontecer às 9h, no Centro Administrativo da Bahia. Na ocasião, os gestores devem abordar as recentes polêmicas envolvendo governantes nordestinos e a gestão do presidente Jair Bolsonaro (PSL). No final da reunião, uma coletiva de imprensa será realizada e os chefes dos estados devem anunciar medidas do colegiado. 

O governador baiano, Rui Costa (PT), é o presidente do Consórcio. Estão na pauta da reunião, o incremento da oferta de serviços de saúde e o processo único de compras para os estados, entre outros assuntos. A reunião também marcará a formalização do Consórcio Nordeste.

O Consórcio Nordeste será um instrumento de administração, para melhorar os gastos públicos e a gestão. "O Fórum do Nordeste vai continuar a existir, com a função de articular as posições políticas. E o Consórcio tem a finalidade administrativa, de prestação de serviços conjuntos", explicou o governador Flávio Dino, do Maranhão.

Com o consórcio, os Estados nordestinos terão, por exemplo, mais poder de negociar preços, já que serão feitas compras conjuntas, com um volume muito maior. Também poderão ser feitas cooperações policiais muito mais intensas que as de hoje. A ideia é combater organizações criminosas interestaduais.

Um novo desafio

Acostumado a tocar obras públicas, o ex-secretário de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sedurb), Walmor Barbosa, será o novo presidente da Sergipe Gás (Sergas). O anúncio foi feito na quinta-feira pelo governador Belivaldo Chagas, enfatizando que há um desafio pela frente nessa área do gás e que é preciso ir ao trabalho.

Walmor substituirá Eugênio Dezen, que respondia pela empresa desde 21 de maio de 2018 por uma indicação do deputado federal Laércio Oliveira (PP).  O novo presidente da Sergas é uma indicação pessoal do governador. Nesta segunda-feira o Conselho da empresa vai se reunir para referendar o seu nome para que possa ser empossado.

Belivaldo coloca Walmor na Sergas no momento de grande descoberta, pela Petrobras, de gás natural em águas profundas de Sergipe, e às vésperas da inauguração da Termoelétrica Sergipe, na Barra dos Coqueiros. 

Fake News nas eleições

O Comitê Gestor da Internet (CGI) discutiu, quinta-feira (25), os desafios ao uso da internet nas eleições de 2020. Em encontro realizado em São Paulo, que reuniu pesquisadores de diversas universidades do país, profissionais de tecnologia da informação, representantes de empresas do setor e de entidades de defesa de usuários, avaliou os riscos de práticas prejudiciais no ambiente online no pleito do ano que vem e quais medidas podem ser adotadas.

Entre os problemas potenciais está a difusão de desinformação, termo adotado pelo órgão para designar o que é popularmente conhecido como fake news. Nas eleições de 2018, esse tipo de recurso foi utilizado em larga escala, como apontado por estudos de distintos centros de pesquisa que analisaram o pleito e pela missão da Organização dos Estados Americanos que acompanhou as votações.

Outras preocupações dos participantes do evento foram a exploração ilegal de dados de eleitores, como a compra de cadastros, e a veiculação de publicidade de formas que violam a legislação eleitoral. O uso de propaganda eleitoral fora da lei foi denunciado por veículos de imprensa e gerou questionamentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em 2018, o CGI reuniu especialistas para discutir o papel da internet no pleito daquele ano, o que resultou em um guia com sugestões de como os serviços na web poderiam ser bem aproveitados no contexto de disputa eleitoral.

Para 2020, os participantes destacaram a necessidade de aprender com os episódios vividos em 2018 e com as falhas detectadas na atuação dos órgãos públicos. Os desafios serão maiores considerando que o pleito do ano que vem vai ser mais fragmentado, envolvendo 5.568 municípios em 2.800 zonas eleitorais e com expectativa de até 500 mil candidatos.

Nos debates, apareceram questões sobre quais são os deveres e prerrogativas de plataformas como Google, Facebook e Twitter na gestão de conteúdos, incluindo que tipo de publicações essas empresas podem ou não remover por conta própria e o que deve ser decidido pela Justiça. No caso das notícias falsas, atualmente as plataformas já não retiram, mas em alguns casos diminuem o alcance, como faz o Facebook.(Com Agência Brasil)