Já são 15 imóveis destruídos pelo avanço do mar

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O AVANÇO DAS ÁGUAS CONTINUA PROVOCANDO ESTRAGOS EM PRAIAS SERGIPANAS. NA ATALAIA NOVA, MORADORES USAM TODOS OS RECURSOS PARA TENTAR EVITAR A DESTRUIÇÃO DE CASAS
O AVANÇO DAS ÁGUAS CONTINUA PROVOCANDO ESTRAGOS EM PRAIAS SERGIPANAS. NA ATALAIA NOVA, MORADORES USAM TODOS OS RECURSOS PARA TENTAR EVITAR A DESTRUIÇÃO DE CASAS

Avanço do mar gera prejuízos na Atalaia Nova
Avanço do mar gera prejuízos na Atalaia Nova

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Publicada em 03/08/2019 às 15:15:00

 

Milton Alves Júnior
O mar grosso no lito-
ral Norte do Estado 
de Sergipe segue avançando e destruindo pontos comerciais, associações de pescadores e casas de veraneio. A força da natureza tem destruído ainda calçadões, passarelas e casas populares. Somente nos últimos dez dias entre os municípios da Barra dos Coqueiros e Pirambu, 15 imóveis foram parcialmente destruídos pela invasão das águas. Esse número pode crescer ainda nas próximas 48 horas em virtude da vulnerabilidade estrutural de outros dez imóveis. Paralelo ao impacto direto das ondas, a água tem penetrado no solo ao ponto de fragiliza-lo e já apresentar pequenos colapsos em ruas e calçadas.
Como se não bastasse o tormento enfrentado pelos moradores ao longo dos últimos dias, estudos realizados pelo Centro de Meteorologia do Estado de Sergipe é que entre amanhã e a próxima sexta-feira (09), a perspectiva é que correntes de ventos fortes e ondas de mais de dois metros atinjam a faixa Norte do estado. Diante das destruições já contabilizadas e da perspectiva de continuidade da maré alta, ao menos 20 famílias optaram por recolher os pertences mais importantes e deixar os imóveis, mesmo que de forma paliativa. Com crianças e idosos entre os habitantes, as famílias que se depararam com a necessidade de deixar a moradia dizem prezar pela segurança.
"É questão de vida. Eu e minha família temos uma casa humilde, mas que conforta a gente, não temos o que reclamar. Dar uma dor e aperta o coração ter que sair por força maior e deixar tudo nas mãos de Deus para que o mar não continue avançando. O que não desejo é ser insistente, me apegar na sorte e arriscar a vida de meus filhos, da minha esposa e dos nossos cachorros. Prefiro sair, mesmo com vontade de chorar e ficar do que perder a vida", disse emocionado ao JORNAL DO DIA. Entre as regiões mais afectadas estão os entornos da Avenida Beira Rio, na Atalaia Nova. Mesmo com um muro de contenção, a água segue ultrapassando a barreira e atingindo os imóveis.
Em atitude desesperada para manter seusimóveis, dezenas de moradores têm se reunido em mutirão para encher sacos de areia e montar uma segunda estrutura que diminua o impacto das águas. Essa medida tem funcionado, mas mesmo assim segue longe de atingir a real perspectiva dos moradores. Para Damiana Alves, moradora da comunidade desde o final da década de 80, a obra desenvolvida em Aracaju entre os anos de 2014 e 2016 - novo Calçadão da Praia Formosa, bairro 13 de Julho - ano a ano tem contribuído diretamente para a desordem nos municípios banhados também pelo Rio Sergipe.
"A chuva e a maré alta também está atingindo outras cidades. Tenho pessoas conhecidas que moram em Pirambu e que estão sofrendo com um caso parecido; o problema é que aqui na Atalaia Nova tem essa questão do aterramento de parte do Rio Sergipe do lado de Aracaju. Aquela obra aterrou mais de 150 metros de cumprimento com uns 25 de largura. Em algum lugar essa água iria 'papocar'. Ela está invadindo a parte mais fraca; a nossa", lamentou. Diante dos fatos, os moradores alegam ter reivindicado apoio operacional imediato por parte da Prefeitura da Barra dos Coqueiros, mas até a manhã de ontem nenhuma ação foi adotada.
Contraponto - A Prefeitura da Barra dos Coqueiros informou que possui conhecimento da situação é que tem realizado catalogação das áreas mais atingidas, bem como das famílias com alto grau de vulnerabilidade social. A perspectiva da administração é buscar soluções para os problemas - juntamente com o Governo do Estado e do Governo Federal - e atender as reivindicações dos moradores. O JORNAL DO DIA entrou em contato com a Defesa Civil Estadual para obter informações sobre os possíveis procedimentos de amparo técnico aos comerciantes e às famílias atingidas pelo avanço da maré, mas até o início da tarde de ontem não obteve resposta.
Conforme análise do meteorologista Overland Amaral, a perspectiva natural é que as altas marés permaneçam sendo registradas na costa sergipana até o mês de setembro. No que se refere à intensidade prevista pelo Centro de Meteorologia para toda essa semana que se inicia, o especialista indicou que a situação pode se agravar na Costa em virtude da passagem de uma frente fria com possibilidades de ondas altas e ventos que podem chegar a 40 km/h. No dia 5 de agosto a previsão é de ondas com até 2,2 metros; já na terça-feira, dia 06, dois metros, e até dia 09 essas ondas devem atingir 1,7 metro, que também na concepção de Overland ainda são consideradas altas.
Litoral Sul - Problema parecido tem sido enfrentado por praias do litoral Sul. Na Caueira - município de Itaporanga d'Ajuda - ao longo dos últimos anos o avanço do mar tem sido menor se comparado a Atalaia Nova, mas segue paulatinamente gerando destruição em construções. Na praia do Abaís - município de Estância - o mar segue avançando. A diferença entre essas duas praias e o litoral Norte é que a destruição tem atingido em maior escala coqueiros, calcadões e escadas que foram construídas já prevendo tentar conter o mar. Em períodos de maré alta e mar grosso, as ondas atingem poucas casas de veraneio e bares.
"Todas essas características climáticas causam impactos erosivos na Costa. Em alguns lugares mais do que em outros, isso é natural. Todos esses balanços, estudos e indicativos estão disponíveis para a população, como também podem ser integralmente passados para órgãos como a Marinha do Brasil e a Defesa Civil para estarem atentos às previsões. Por estar na mesma região geográfica, a alta maré dessa semana também deve atingir o município de Aracaju", informou Overland.

Milton Alves Júnior

O mar grosso no lito- ral Norte do Estado  de Sergipe segue avançando e destruindo pontos comerciais, associações de pescadores e casas de veraneio. A força da natureza tem destruído ainda calçadões, passarelas e casas populares. Somente nos últimos dez dias entre os municípios da Barra dos Coqueiros e Pirambu, 15 imóveis foram parcialmente destruídos pela invasão das águas. Esse número pode crescer ainda nas próximas 48 horas em virtude da vulnerabilidade estrutural de outros dez imóveis. Paralelo ao impacto direto das ondas, a água tem penetrado no solo ao ponto de fragiliza-lo e já apresentar pequenos colapsos em ruas e calçadas.
Como se não bastasse o tormento enfrentado pelos moradores ao longo dos últimos dias, estudos realizados pelo Centro de Meteorologia do Estado de Sergipe é que entre amanhã e a próxima sexta-feira (09), a perspectiva é que correntes de ventos fortes e ondas de mais de dois metros atinjam a faixa Norte do estado. Diante das destruições já contabilizadas e da perspectiva de continuidade da maré alta, ao menos 20 famílias optaram por recolher os pertences mais importantes e deixar os imóveis, mesmo que de forma paliativa. Com crianças e idosos entre os habitantes, as famílias que se depararam com a necessidade de deixar a moradia dizem prezar pela segurança.
"É questão de vida. Eu e minha família temos uma casa humilde, mas que conforta a gente, não temos o que reclamar. Dar uma dor e aperta o coração ter que sair por força maior e deixar tudo nas mãos de Deus para que o mar não continue avançando. O que não desejo é ser insistente, me apegar na sorte e arriscar a vida de meus filhos, da minha esposa e dos nossos cachorros. Prefiro sair, mesmo com vontade de chorar e ficar do que perder a vida", disse emocionado ao JORNAL DO DIA. Entre as regiões mais afectadas estão os entornos da Avenida Beira Rio, na Atalaia Nova. Mesmo com um muro de contenção, a água segue ultrapassando a barreira e atingindo os imóveis.
Em atitude desesperada para manter seusimóveis, dezenas de moradores têm se reunido em mutirão para encher sacos de areia e montar uma segunda estrutura que diminua o impacto das águas. Essa medida tem funcionado, mas mesmo assim segue longe de atingir a real perspectiva dos moradores. Para Damiana Alves, moradora da comunidade desde o final da década de 80, a obra desenvolvida em Aracaju entre os anos de 2014 e 2016 - novo Calçadão da Praia Formosa, bairro 13 de Julho - ano a ano tem contribuído diretamente para a desordem nos municípios banhados também pelo Rio Sergipe.
"A chuva e a maré alta também está atingindo outras cidades. Tenho pessoas conhecidas que moram em Pirambu e que estão sofrendo com um caso parecido; o problema é que aqui na Atalaia Nova tem essa questão do aterramento de parte do Rio Sergipe do lado de Aracaju. Aquela obra aterrou mais de 150 metros de cumprimento com uns 25 de largura. Em algum lugar essa água iria 'papocar'. Ela está invadindo a parte mais fraca; a nossa", lamentou. Diante dos fatos, os moradores alegam ter reivindicado apoio operacional imediato por parte da Prefeitura da Barra dos Coqueiros, mas até a manhã de ontem nenhuma ação foi adotada.

Contraponto - A Prefeitura da Barra dos Coqueiros informou que possui conhecimento da situação é que tem realizado catalogação das áreas mais atingidas, bem como das famílias com alto grau de vulnerabilidade social. A perspectiva da administração é buscar soluções para os problemas - juntamente com o Governo do Estado e do Governo Federal - e atender as reivindicações dos moradores. O JORNAL DO DIA entrou em contato com a Defesa Civil Estadual para obter informações sobre os possíveis procedimentos de amparo técnico aos comerciantes e às famílias atingidas pelo avanço da maré, mas até o início da tarde de ontem não obteve resposta.
Conforme análise do meteorologista Overland Amaral, a perspectiva natural é que as altas marés permaneçam sendo registradas na costa sergipana até o mês de setembro. No que se refere à intensidade prevista pelo Centro de Meteorologia para toda essa semana que se inicia, o especialista indicou que a situação pode se agravar na Costa em virtude da passagem de uma frente fria com possibilidades de ondas altas e ventos que podem chegar a 40 km/h. No dia 5 de agosto a previsão é de ondas com até 2,2 metros; já na terça-feira, dia 06, dois metros, e até dia 09 essas ondas devem atingir 1,7 metro, que também na concepção de Overland ainda são consideradas altas.

Litoral Sul - Problema parecido tem sido enfrentado por praias do litoral Sul. Na Caueira - município de Itaporanga d'Ajuda - ao longo dos últimos anos o avanço do mar tem sido menor se comparado a Atalaia Nova, mas segue paulatinamente gerando destruição em construções. Na praia do Abaís - município de Estância - o mar segue avançando. A diferença entre essas duas praias e o litoral Norte é que a destruição tem atingido em maior escala coqueiros, calcadões e escadas que foram construídas já prevendo tentar conter o mar. Em períodos de maré alta e mar grosso, as ondas atingem poucas casas de veraneio e bares.
"Todas essas características climáticas causam impactos erosivos na Costa. Em alguns lugares mais do que em outros, isso é natural. Todos esses balanços, estudos e indicativos estão disponíveis para a população, como também podem ser integralmente passados para órgãos como a Marinha do Brasil e a Defesa Civil para estarem atentos às previsões. Por estar na mesma região geográfica, a alta maré dessa semana também deve atingir o município de Aracaju", informou Overland.