Victoria's Secret foi longe demais

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Não é para qualquer bico
Não é para qualquer bico

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Publicada em 07/08/2019 às 22:50:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Os catálogos com 
modelos em rou
pas íntimas, esquecidos na mesa de centro das melhores famílias, já alimentaram fantasias dignas do Marquês de Sade. Soft porn para consumo apressado. Os meninos se esbaldavam. Para desespero dos sonhadores mais exigentes, no entanto, as moças nas páginas coloridas eram sempre as mesmas, adotavam as mesmas poses e trejeitos, tinham as mesmas medidas, todas iguais.
Àquela altura, ninguém reclamava. A curiosidade era muita, a oferta de imagens pouca, quase nada. Sem nenhuma educação sentimental, os inocentes ansiavam por mulheres de plástico, projetadas em computador. Os mais frágeis jamais se conformariam com a realidade à própria volta, sucumbiriam à misoginia,  incapacitados para o amor, vereda repleta de suor, secreções e lágrimas. 
Mas nada como um dia depois do outro. Cedo ou tarde, os padrões de beleza e comportamento mudam. No campo da Cultura, sempre um pouco antes, por força de escândalo. Não à toa, um meme muito popular nas redes sociais acusa o choque de gerações, com ironia fina. Pouco importa a natureza do tema destacado no post, a conclusão é uma só: Pablo Vittar foi longe demais!
Hoje, diversidade é uma exigência de mercado. Prova disso, a Victoria's Secret, grife de lingeries criticada por se apegar a um casting muito uniforme, decidiu escalar uma modelo transexual para encarnar a marca. A escolhida foi a brasileira Valentina Sampaio, de 22 anos e beleza pronunciada. 
No Instagram, ela comemorou a conquista: "Ame mais, odeie menos. O ódio não serve para nada".
Valentina foi direto ao ponto. Dependesse dos conservadores, a biologia determinaria as relações e os papéis sociais, ainda agora. Nada mais ultrapassado. Se Deus criou a mulher, como sugere o título de um filme estrelado por Brigitte Bardot, no auge da carreira, meados do século passado, o homem contemporâneo deve tudo ao Dr. Freud. Raras vezes, um charuto é só um charuto.

Os catálogos com  modelos em rou pas íntimas, esquecidos na mesa de centro das melhores famílias, já alimentaram fantasias dignas do Marquês de Sade. Soft porn para consumo apressado. Os meninos se esbaldavam. Para desespero dos sonhadores mais exigentes, no entanto, as moças nas páginas coloridas eram sempre as mesmas, adotavam as mesmas poses e trejeitos, tinham as mesmas medidas, todas iguais.
Àquela altura, ninguém reclamava. A curiosidade era muita, a oferta de imagens pouca, quase nada. Sem nenhuma educação sentimental, os inocentes ansiavam por mulheres de plástico, projetadas em computador. Os mais frágeis jamais se conformariam com a realidade à própria volta, sucumbiriam à misoginia,  incapacitados para o amor, vereda repleta de suor, secreções e lágrimas. 
Mas nada como um dia depois do outro. Cedo ou tarde, os padrões de beleza e comportamento mudam. No campo da Cultura, sempre um pouco antes, por força de escândalo. Não à toa, um meme muito popular nas redes sociais acusa o choque de gerações, com ironia fina. Pouco importa a natureza do tema destacado no post, a conclusão é uma só: Pablo Vittar foi longe demais!
Hoje, diversidade é uma exigência de mercado. Prova disso, a Victoria's Secret, grife de lingeries criticada por se apegar a um casting muito uniforme, decidiu escalar uma modelo transexual para encarnar a marca. A escolhida foi a brasileira Valentina Sampaio, de 22 anos e beleza pronunciada. 
No Instagram, ela comemorou a conquista: "Ame mais, odeie menos. O ódio não serve para nada".
Valentina foi direto ao ponto. Dependesse dos conservadores, a biologia determinaria as relações e os papéis sociais, ainda agora. Nada mais ultrapassado. Se Deus criou a mulher, como sugere o título de um filme estrelado por Brigitte Bardot, no auge da carreira, meados do século passado, o homem contemporâneo deve tudo ao Dr. Freud. Raras vezes, um charuto é só um charuto.