HOLOCAUSTO BRASILEIRO (IX)

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Publicada em 09/08/2019 às 22:30:00

 

* Manoel Moacir Costa Macêdo
A desigualdade é a raiz dos "holocaustos brasileiros". Ela é um valor em si mesma. O alicerce das mazelas atuais, reproduzidas no tempo de forma consentida por sistemas de controle e subordinação. Ela tem raízes fincadas com a força do concreto pela história colonial portuguesa e lastreada na mais cruel das explorações entre os humanos: a escravidão negra. Gente transformada em máquinas e subjugada nos elementares valores da civilização, na perspectiva exclusiva do lucro dos donos e senhores, como mercadoria comercializada pela usura genocida. Uma mais valia absoluta no capitalismo primitivo. 
O Brasil, único país do mundo com nome de árvore e forma de coração, foi o último das Américas a libertar formalmente os escravos negros, mais pelas pressões do Império Inglês, menos pela indignação dos nacionais. Inadmissível perpetuar na consciência e na história dos vencedores esse "holocausto a brasileira", como um mero fato social diluído pela hipócrita democracia racial, negando as consequências atualizadas dessa chaga aberta, dolorosa e sangrenta numa sociedade construída pelo sinal da cruz e a ética cristã. 
Por quase quatro séculos a "Terra de Santa Cruz" acolheu sem dó e piedade o modo de produzir riqueza e poder pela escravidão da cor da pele. Seres humanos açoitados e maltratados por feitores e capitães-do-mato, como insensíveis a dor, ao sofrimento, desalmados e usados na "correia de produção" dos engenhos dos coronéis do açúcar, dos barões do café e dos grã-finos da casa-grande. Uma condenação sem misericórdia de filhos de um utópico e único pai, mas com diferentes destinos, apenas por serem negros. As consequências desse holocausto não sumiram nesse lapso temporal, persistem em formas revistadas da cruel desigualdade. 
Não é por acaso, mas uma evidência do holocausto da escravidão, que os países mais atrasados e distantes dos princípios iluministas, estão no continente africano, a exemplo da Namíbia, Lesoto, Serra Leoa e Botsuana, berço da humanidade e fonte de negócios e exportação em série de escravos negros para o mundo. Em algum deles, ainda persistem as tribos e não as classes sociais, como estruturas sociais e expressões de provas e expiações. De acordo com a Organização das Nações Unidas - ONU, o mais desigual país do planeta, é a Namíbia, com um coeficiente Gini de 7,07, próximo de 1,0 (a desigualdade absoluta), e o menos desigual a Dinamarca, com o coeficiente de 2,47, próximo de zero (a igualdade absoluta). O Brasil com um persistente índice de Gini de 0,57, situa-se no rol dos dez países mais desiguais do mundo. 
A desigualdade atinge em maior intensidade os negros dos 62 milhões de brasileiros indigentes, desses 15 milhões estão abaixo da linha da pobreza e 9,0 milhões passam fome. 13 milhões de desempregados e 5,0 milhões de desalentados. 60% dos brasileiros, sobrevivem com apenas um salário mínimo. Massa de esquecidos e indiferentes às políticas estruturantes de inclusão social. Quase 30% da renda do Brasil está concentrada nas mãos de apenas 1% da população. Cinco brasileiros abocanham a mesma riqueza de 100 milhões de conterrâneos desiguais, numa aparente tranquilidade angelical, perdoados por seus desiguais deuses. Pecados que longe de serem purgados nessa quadra geracional terrena, serão reparados inexoravelmente na pós-materialidade. Não passarão incólumes ao despertar de uma nova consciência. No dizer de Santo Agostinho, "a esperança tem duas filhas lindas: a indignação e a coragem. A indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão, a coragem a mudá-las".
 
* Manoel Moacir Costa Macêdo,  Engenheiro Agrônomo, Advogado, PhD pela University of Sussex, Brighton, Inglaterra

A desigualdade atinge em maior intensidade os negros dos 62 milhões de brasileiros indigentes, desses 15 milhões estão abaixo da linha da pobreza e 9,0 milhões passam fome. 13 milhões de desempregados e 5,0 milhões de desalentados. 60% dos brasileiros, sobrevivem com apenas um salário mínimo. Massa de esquecidos e indiferentes às políticas estruturantes de inclusão social

* Manoel Moacir Costa Macêdo

A desigualdade é a raiz dos "holocaustos brasileiros". Ela é um valor em si mesma. O alicerce das mazelas atuais, reproduzidas no tempo de forma consentida por sistemas de controle e subordinação. Ela tem raízes fincadas com a força do concreto pela história colonial portuguesa e lastreada na mais cruel das explorações entre os humanos: a escravidão negra. Gente transformada em máquinas e subjugada nos elementares valores da civilização, na perspectiva exclusiva do lucro dos donos e senhores, como mercadoria comercializada pela usura genocida. Uma mais valia absoluta no capitalismo primitivo. 
O Brasil, único país do mundo com nome de árvore e forma de coração, foi o último das Américas a libertar formalmente os escravos negros, mais pelas pressões do Império Inglês, menos pela indignação dos nacionais. Inadmissível perpetuar na consciência e na história dos vencedores esse "holocausto a brasileira", como um mero fato social diluído pela hipócrita democracia racial, negando as consequências atualizadas dessa chaga aberta, dolorosa e sangrenta numa sociedade construída pelo sinal da cruz e a ética cristã. 
Por quase quatro séculos a "Terra de Santa Cruz" acolheu sem dó e piedade o modo de produzir riqueza e poder pela escravidão da cor da pele. Seres humanos açoitados e maltratados por feitores e capitães-do-mato, como insensíveis a dor, ao sofrimento, desalmados e usados na "correia de produção" dos engenhos dos coronéis do açúcar, dos barões do café e dos grã-finos da casa-grande. Uma condenação sem misericórdia de filhos de um utópico e único pai, mas com diferentes destinos, apenas por serem negros. As consequências desse holocausto não sumiram nesse lapso temporal, persistem em formas revistadas da cruel desigualdade. 
Não é por acaso, mas uma evidência do holocausto da escravidão, que os países mais atrasados e distantes dos princípios iluministas, estão no continente africano, a exemplo da Namíbia, Lesoto, Serra Leoa e Botsuana, berço da humanidade e fonte de negócios e exportação em série de escravos negros para o mundo. Em algum deles, ainda persistem as tribos e não as classes sociais, como estruturas sociais e expressões de provas e expiações. De acordo com a Organização das Nações Unidas - ONU, o mais desigual país do planeta, é a Namíbia, com um coeficiente Gini de 7,07, próximo de 1,0 (a desigualdade absoluta), e o menos desigual a Dinamarca, com o coeficiente de 2,47, próximo de zero (a igualdade absoluta). O Brasil com um persistente índice de Gini de 0,57, situa-se no rol dos dez países mais desiguais do mundo. 
A desigualdade atinge em maior intensidade os negros dos 62 milhões de brasileiros indigentes, desses 15 milhões estão abaixo da linha da pobreza e 9,0 milhões passam fome. 13 milhões de desempregados e 5,0 milhões de desalentados. 60% dos brasileiros, sobrevivem com apenas um salário mínimo. Massa de esquecidos e indiferentes às políticas estruturantes de inclusão social. Quase 30% da renda do Brasil está concentrada nas mãos de apenas 1% da população. Cinco brasileiros abocanham a mesma riqueza de 100 milhões de conterrâneos desiguais, numa aparente tranquilidade angelical, perdoados por seus desiguais deuses. Pecados que longe de serem purgados nessa quadra geracional terrena, serão reparados inexoravelmente na pós-materialidade. Não passarão incólumes ao despertar de uma nova consciência. No dizer de Santo Agostinho, "a esperança tem duas filhas lindas: a indignação e a coragem. A indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão, a coragem a mudá-las". 
* Manoel Moacir Costa Macêdo,  Engenheiro Agrônomo, Advogado, PhD pela University of Sussex, Brighton, Inglaterra