Casos de dengue voltam a aumentar e sergipano vira refém de mosquito

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Mutirão contra a dengue no bairro Industrial, uma das áreas de risco na capital
Mutirão contra a dengue no bairro Industrial, uma das áreas de risco na capital

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Publicada em 11/08/2019 às 00:11:00

Milton Alves Júnior

Reféns de um mosqui-to, os sergipanos vol-tam a enfrentar problemas causados pelo Aedes Aegypti em 72, dos 75 municípios do Estado de Sergipe. Um Boletim Epidemiológico apresentado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) na tarde da última sexta-feira (9) mostram que 6.414 casos de dengue foram notificados este ano, e, desses, 2.316 casos confirmados. Paralelo aos registros de acolhimento hospitalar, o alto e abrangente número de óbitos registrado nos últimos oito meses em Sergipe tem causado pânico em milhares de pessoas. Na manhã também dessa sexta a SES confirmou a morte de um idoso, de 80 anos, vítima da doença.

Ao todo já são 11 casos de morte causada pela dengue, sendo um adolescente, quatro crianças e seis adultos. Em todo o ano passado, por exemplo, números do Levantamento de Índice Rápido do Aedes Aegypti (LIRAa), revelam que foram registrados apenas 549 casos e nenhum óbito. O índice negativo envolvendo óbito pode crescer já nos próximos dias. Isso ocorre em virtude de um centro de análises laboratoriais, em Aracaju, estar realizando estudos em outros casos apresentados por equipes médicas como suspeitos de dengue. Se comparado com todo o ano passado, Sergipe apresenta um crescimento superior a 1.500%. Apesar disso, a SES segue informando que o estado não vivência um momento de epidemia.

Alto risco - De acordo com o LIRAa, estão em alto risco os municípios de Areia Branca, Capela, Carmópolis, Cristinápolis, General Maynard, Ilha das Flores, Itabaiana, Japoatã, Malhada dos Bois, Malhador, Moita Bonita, Neópolis, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora de Lourdes, Pedra Mole, Pedrinhas, Pinhão, Porto da Folha, Riachão do Dantas (alto risco em todos os quatro levantamentos do ano), Ribeirópolis, Salgado (alto risco em todos os quatro levantamentos do ano), Santana do São Francisco, São Domingos (alto risco nos três últimos LIRAas), Simão Dias (alto risco em todos os quatro levantamentos do ano), Siriri e Tomar do Geru.

Na tentativa de estancar a ação dominada pelo mosquito, a Secretaria de Saúde, em parceria com a Fundação Estadual de Saúde (Funesa), tem realizado monitoramento, visita e diálogos com os sergipanos. É o que garante a gerente do Núcleo de Endemias da SES, Sidney Sá. Segundo a especialista, cerca de 100 agentes de combate às endemias têm intensificado os trabalhos com intuito único de eliminar os criadouros para impedir o ciclo de vida do mosquito Aedes Aegypti e evitar que outras pessoas se tornem vítimas da doença. Apesar dos esforços realizados pelo Estado, Sá enaltece a importância da intervenção também a ser realizada pelos próprios sergipanos.
"O nosso trabalho não terá o resultado que todos nós desejamos se por ventura não houver a ajuda de todas as pessoas. Infelizmente estamos tratando de um mosquito que, o descuido de uma pessoa, ou uma família em uma casa, por exemplo, pode comprometer toda uma comunidade. Ninguém deseja ficar doente, então, além dos nossos esforços técnicos, precisamos muito da parceria de todos os cidadãos sergipanos nessa luta contra o Aedes Aegypti", destacou. Paralelamente ao trabalho coletivo realizado pelo Governo de Sergipe junto aos municípios, especialmente os interioranos, a Prefeitura de Aracaju também tem intensificado o combate nos bairros da capital.

Aracaju - Desde junho, a administração municipal lançou o Plano de Intensificação das Ações de Combate ao Aedes Aegypti. Conforme apresentado pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS), trata-se de uma ação unificada que envolve secretarias e órgãos de gestão como um todo. A iniciativa tem o intuito de prevenir e controlar processos epidêmicos através de ações de agentes endemias e aplicação de fumacê. Desde que foi lançado já receberam os mutirões os bairros: Japãozinho (zona norte de Aracaju), bairro Santa Maria (zona de expansão), Olaria e José Conrado de Araújo (ambos localizados na zona oeste da capital) e o bairro Santo Antônio (zona norte da cidade).
Dados do LIRAa municipal mostram que os bairros José Conrado de Araújo, Olaria, Industrial, Santo Antônio, Pereira Lobo e Dom Luciano surgem como os que mais apresentam risco. Nessas regiões o risco da doença gira em torno de quatro à 7,2 pontos. Abaixo dos seis bairros com alto risco, surgem outras 24 comunidades habitacionais que, juntas, equivalem a 56% da cidade, e apresentam risco médio. Contendo ao todo 43 bairros, os demais 13 seguem com classificação de baixo risco de epidemia. O próximo levantamento - referente aos meses de julho, agosto e outubro - será divulgado a primeira quinzena de outubro.

Extensão do combate - Oficialmente apresentado pela Prefeitura de Aracaju, dentro do plano operacional foram estabelecidas cerca de 20 diretrizes, entre elas a designação de duas equipes de agentes durante a noite, das 19h às 22h, para visitar casas que estavam fechadas durante o dia; visitação de todas as escolas para eliminação dos focos; trabalho de campo em quatro sábados por mês; aplicação do fumacê costal. Os dados municipais mostram ainda que somente no primeiro semestre deste ano a SMS registrou 11 mutirões, além de 366.564 visitas realizadas pelos agentes de endemias em todos os bairros da capital.

Conforme previamente previsto, neste final de semana o bairro Industrial, zona Norte da capital sergipana, recebe desde a manhã de ontem a presença de profissionais municipais que realizam mais uma edição do mutirão. No próximo dia 17 será a vez do bairro Dom Luciano, e no dia 24 de agosto, o bairro Pereira Lobo.