Contemplação e pensamento

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Silêncios e entrelinhas em imagem
Silêncios e entrelinhas em imagem

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Publicada em 13/08/2019 às 22:54:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
O chapa Victor Balde 
manda notícias de 
São Paulo, para onde mudou de mala e cuia, munido de ideias na cabeça, câmeras e lentes na bagagem. Fotógrafo profissional, ele já não se conforma em realizar trabalhos com caráter de documento. Artista, ele investe cada vez mais no significado latente de um dado instante, consciente dos silêncios e entrelinhas da imagem.
Tome-se por exemplo as fotografias reunidas em 'Grãos', a primeira mostra individual realizada por Balde na desvairada. Em termos objetivos, trata-se de um apanhado de paisagens bucólicas, nas quais eventuais personagens não passam de mero detalhe. Não é difícil adivinhar, contudo, a razão do alheamento. Para Balde, as fotografias sugerem, o homem civilizado é só mais um bicho da Terra, muito pequeno, quase nada.
Grão, pó de estrela, animal (ir)racional. Embora pouco apareça aqui, a criatura humana ocupa de novo o centro do discurso artístico na fotografia de Balde. Uma espécie de fé mais ou menos primitiva em um estado natural parece orientar o olhar fotográfico, nos termos de Rousseau. Quase na fronteira da intuição, a ordem social é contestada. 
Há um dado de conforto na admissão da própria insignificância. Radicado na maior cidade da América Latina, uma verdadeira selva de pedra, Balde certamente está obrigado a um ritmo e um modo de vida que pouco tem de coqueiro e litoral. Deslumbramento e comodidade à parte, as cores vibrantes dos grafites, o desaforo gráfico do pixo, o calor incandescente do neon e a prata veloz do metrô não fazem sombra de árvore.
Com curadoria de Filipe Berndt, 'Grãos' estará aberta a visitação pública na Casa Jaya, no bairro de Pinheiros, entre os dias  24 de agosto e 23 de novembro. A julgar pela mostra, a contemplação é também pensamento, postura política. E, como tal, uma expressão possível de arte. 

O chapa Victor Balde  manda notícias de  São Paulo, para onde mudou de mala e cuia, munido de ideias na cabeça, câmeras e lentes na bagagem. Fotógrafo profissional, ele já não se conforma em realizar trabalhos com caráter de documento. Artista, ele investe cada vez mais no significado latente de um dado instante, consciente dos silêncios e entrelinhas da imagem.
Tome-se por exemplo as fotografias reunidas em 'Grãos', a primeira mostra individual realizada por Balde na desvairada. Em termos objetivos, trata-se de um apanhado de paisagens bucólicas, nas quais eventuais personagens não passam de mero detalhe. Não é difícil adivinhar, contudo, a razão do alheamento. Para Balde, as fotografias sugerem, o homem civilizado é só mais um bicho da Terra, muito pequeno, quase nada.
Grão, pó de estrela, animal (ir)racional. Embora pouco apareça aqui, a criatura humana ocupa de novo o centro do discurso artístico na fotografia de Balde. Uma espécie de fé mais ou menos primitiva em um estado natural parece orientar o olhar fotográfico, nos termos de Rousseau. Quase na fronteira da intuição, a ordem social é contestada. 
Há um dado de conforto na admissão da própria insignificância. Radicado na maior cidade da América Latina, uma verdadeira selva de pedra, Balde certamente está obrigado a um ritmo e um modo de vida que pouco tem de coqueiro e litoral. Deslumbramento e comodidade à parte, as cores vibrantes dos grafites, o desaforo gráfico do pixo, o calor incandescente do neon e a prata veloz do metrô não fazem sombra de árvore.
Com curadoria de Filipe Berndt, 'Grãos' estará aberta a visitação pública na Casa Jaya, no bairro de Pinheiros, entre os dias  24 de agosto e 23 de novembro. A julgar pela mostra, a contemplação é também pensamento, postura política. E, como tal, uma expressão possível de arte.