Dom Bosco - 204 anos

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Publicada em 14/08/2019 às 23:13:00

 

* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB
No dia 16 neste mês de agosto (portanto, 
amanhã), comemoram-se 204 anos do 
nascimento do Santo fundador da Família Salesiana, hoje presente nos cinco continentes, com milhões de ex-alunos e ex-alunas. Nasceu João Bosco - ou Dom Bosco, como ficou conhecido - num humilde casebre na colina dos Becchi, povoado de Castelnuovo d'Asti, hoje Castelnuovo Don Bosco, no então reino do Piemonte, no norte da Itália. Réplica perfeita da casa de sua infância pode ser visitada na Colônia Salesiana, em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco. Era ele filho de Francisco Bosco e Margarida Occhiena e tinha um irmão, Giuseppe, e outro meio-irmão, Antônio, filho do primeiro matrimônio de seu pai Francisco que, viúvo, casara-se com sua mãe.
Aos nove anos, ainda semianalfabeto, teve um sonho extraordinário, em que uma Senhora, "de aspecto majestoso", como ele disse, o encarregara de cuidar de seus filhos, que deveriam converter-se de animais ferozes em mansos cordeirinhos. Tarefa primeira sua era "tornar-se humilde, forte e robusto", porque "a seu tempo, tudo compreenderás"... dizia a Senhora. No café da manhã, contou aos seus o sonho que lhe parecia prognóstico de seu futuro. O irmão José opinou que ele seria pastor de ovelhas, o irmão Antônio, que o detestava, achou que o sonho indicava que ele seria chefe de bandidos. Mamãe Margarida, alisando os cabelos do filho querido, prognosticou: "Quem sabe se meu filho não será Padre!". A avó cortou a conversa, definindo: "Não se deve dar importância a sonhos". Joãozinho, na hora aderiu à sentença da avó, mas na maturidade confessa que nunca esqueceu o sonho dos 9 anos, nem o revelou a ninguém, até que o Papa Pio IX lhe impusesse a obrigação de escrevê-lo em suas Memórias, para conhecimento de seus filhos espirituais.
Com imensos sacrifícios, trabalhos e humilhações, João Bosco conseguiu estudar e ordenar-se sacerdote em 1841, pela unção episcopal de seu primeiro benfeitor, o arcebispo Fransoni. Ainda com sacrifícios, trabalhos e perseguições, cumpriu a missão que a Senhora do sonho dos 9 anos lhe confiara. Aos 75 anos incompletos, em 31 de janeiro de 1888, prematuramente esgotado de forças físicas, faleceu no berço de sua obra, em Valdocco, então bairro da periferia de Turim.
Iniciada por Dom Bosco com os Salesianos, as Filhas de Maria Auxiliadora, a ADMA (Associação dos Devotos de Maria Auxiliadora) e os Salesianos Cooperadores (espécie de Ordem Terceira), a grande Família Salesiana tem hoje mais de trinta agregados nos cinco continentes. No Brasil, além das quatro instituições do tempo de Dom Bosco, temos a Canção Nova, com grande trabalho de evangelização pelos meios de comunicação. Ainda fora dos quadros institucionais, cultuam o carisma salesiano obras de grande valor pedagógico e evangelizador, como é o caso, em Maceió, da Casa Dom Bosco, dirigida pelo Pe. Tito Regis Rodrigues.
No dia 8 de dezembro de 1841, ano de sua ordenação sacerdotal, festa da Imaculada, na hora de sua Missa na Igreja de São Francisco de Assis, em Turim, Dom Bosco encontrou seu primeiro aluno, Bartolomeu Garelli. Era um pobre ajudante de pedreiro, vindo do interior, analfabeto, sem nenhum conhecimento da doutrina cristã. Dom Bosco deu-lhe a primeira aula de catecismo, começando aí o Oratório São Francisco de Sales.
O Oratório peregrinou por vários pontos da capital do Piemonte, até estabelecer-se em Valdocco, bairro de periferia.  E assim, a vida de Dom Bosco foi toda ela marcada por incompreensões, perseguições e sofrimentos. Os padres da arquidiocese o julgavam doido, as autoridades civis um elemento perigoso para a ordem pública. Até um arcebispo, Dom Gastaldi, o considerou insubordinado à autoridade diocesana. No fim da vida, foi consolado pela amizade e apoio do Cardeal Alimonda, seu último bispo.
A aprovação definitiva das Constituições Salesianas custou-lhe penosas viagens a Roma, enfrentando ferrenha oposição da Cúria Romana, não obstante o carinho paterno e o apoio pessoal do santo Papa Pio IX.
A expansão mundial de sua obra começou com as missões na Patagônia, "o fim do mundo", como a chamou o Papa argentino. E logo, sua Congregação estabeleceu-se em outros países da América Latina.  A vez do Brasil foi em 1883, Niterói, e 1885, São Paulo.
Custou-lhe imensos sacrifícios a construção de suas duas basílicas: a de Maria Auxiliadora, em Turim-Valdocco, berço de sua obra mundial, onde está gravada a inscrição que ele vira em sonhos, referindo-se à sua celestial patrona: "Aqui é minha casa, daqui a minha glória". A outra basílica é a do Sagrado Coração de Jesus, em Roma, no bairro do Castro Pretório, pedido do Papa Leão XIII, seu grande protetor. Esse trabalho, com viagens à França e pela Itália, implorando os recursos necessários, foi o consumidor das últimas energias físicas de Dom Bosco. A Missa que ele celebrou na inauguração dessa igreja foi o marco do encerramento de suas atividades, quando ele proclamou da Senhora de seus sonhos: "Foi Ela que tudo fez!".
"Razão, religião e carinho" - é o trinômio-base do seu sistema educativo, chamado Sistema Preventivo. Não de um pedagogo ou teórico da educação, mas de um Santo e um dos maiores educadores do século 19, é que estamos comemorando dois séculos e quatro anos de nascimento.
* * * 
E.T. - Com este texto de hoje, completo, exatamente, 4 anos "respondendo" por este artigo semanal das quintas-feiras aqui no 'Jornal do Dia' - a primeira publicação foi na edição de 15 de agosto de 2015, véspera do bicentenário de nascimento de Dom Bosco -, pela graça de Deus, pela bondade dos seus dirigentes e contando com a colaboração do meu amigo Raymundinho Mello, responsável pela publicação dos meus artigos em Aracaju. O texto que têm nas mãos hoje é idêntico ao que deu origem à série; alterei apenas o número de anos do nascimento de Dom Bosco, de 200 para 204. A todos os leitores que me acompanharam nestes 4 anos, o meu agradecimento e a minha bênção. Até breve! 
* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB é Arcebispo Emérito de Maceió (foi Bispo Auxiliar de Aracaju - 1975 a 1980)
dedvaldo@salesianorecife.com.br

* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB

No dia 16 neste mês de agosto (portanto,  amanhã), comemoram-se 204 anos do  nascimento do Santo fundador da Família Salesiana, hoje presente nos cinco continentes, com milhões de ex-alunos e ex-alunas. Nasceu João Bosco - ou Dom Bosco, como ficou conhecido - num humilde casebre na colina dos Becchi, povoado de Castelnuovo d'Asti, hoje Castelnuovo Don Bosco, no então reino do Piemonte, no norte da Itália. Réplica perfeita da casa de sua infância pode ser visitada na Colônia Salesiana, em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco. Era ele filho de Francisco Bosco e Margarida Occhiena e tinha um irmão, Giuseppe, e outro meio-irmão, Antônio, filho do primeiro matrimônio de seu pai Francisco que, viúvo, casara-se com sua mãe.
Aos nove anos, ainda semianalfabeto, teve um sonho extraordinário, em que uma Senhora, "de aspecto majestoso", como ele disse, o encarregara de cuidar de seus filhos, que deveriam converter-se de animais ferozes em mansos cordeirinhos. Tarefa primeira sua era "tornar-se humilde, forte e robusto", porque "a seu tempo, tudo compreenderás"... dizia a Senhora. No café da manhã, contou aos seus o sonho que lhe parecia prognóstico de seu futuro. O irmão José opinou que ele seria pastor de ovelhas, o irmão Antônio, que o detestava, achou que o sonho indicava que ele seria chefe de bandidos. Mamãe Margarida, alisando os cabelos do filho querido, prognosticou: "Quem sabe se meu filho não será Padre!". A avó cortou a conversa, definindo: "Não se deve dar importância a sonhos". Joãozinho, na hora aderiu à sentença da avó, mas na maturidade confessa que nunca esqueceu o sonho dos 9 anos, nem o revelou a ninguém, até que o Papa Pio IX lhe impusesse a obrigação de escrevê-lo em suas Memórias, para conhecimento de seus filhos espirituais.
Com imensos sacrifícios, trabalhos e humilhações, João Bosco conseguiu estudar e ordenar-se sacerdote em 1841, pela unção episcopal de seu primeiro benfeitor, o arcebispo Fransoni. Ainda com sacrifícios, trabalhos e perseguições, cumpriu a missão que a Senhora do sonho dos 9 anos lhe confiara. Aos 75 anos incompletos, em 31 de janeiro de 1888, prematuramente esgotado de forças físicas, faleceu no berço de sua obra, em Valdocco, então bairro da periferia de Turim.
Iniciada por Dom Bosco com os Salesianos, as Filhas de Maria Auxiliadora, a ADMA (Associação dos Devotos de Maria Auxiliadora) e os Salesianos Cooperadores (espécie de Ordem Terceira), a grande Família Salesiana tem hoje mais de trinta agregados nos cinco continentes. No Brasil, além das quatro instituições do tempo de Dom Bosco, temos a Canção Nova, com grande trabalho de evangelização pelos meios de comunicação. Ainda fora dos quadros institucionais, cultuam o carisma salesiano obras de grande valor pedagógico e evangelizador, como é o caso, em Maceió, da Casa Dom Bosco, dirigida pelo Pe. Tito Regis Rodrigues.
No dia 8 de dezembro de 1841, ano de sua ordenação sacerdotal, festa da Imaculada, na hora de sua Missa na Igreja de São Francisco de Assis, em Turim, Dom Bosco encontrou seu primeiro aluno, Bartolomeu Garelli. Era um pobre ajudante de pedreiro, vindo do interior, analfabeto, sem nenhum conhecimento da doutrina cristã. Dom Bosco deu-lhe a primeira aula de catecismo, começando aí o Oratório São Francisco de Sales.
O Oratório peregrinou por vários pontos da capital do Piemonte, até estabelecer-se em Valdocco, bairro de periferia.  E assim, a vida de Dom Bosco foi toda ela marcada por incompreensões, perseguições e sofrimentos. Os padres da arquidiocese o julgavam doido, as autoridades civis um elemento perigoso para a ordem pública. Até um arcebispo, Dom Gastaldi, o considerou insubordinado à autoridade diocesana. No fim da vida, foi consolado pela amizade e apoio do Cardeal Alimonda, seu último bispo.
A aprovação definitiva das Constituições Salesianas custou-lhe penosas viagens a Roma, enfrentando ferrenha oposição da Cúria Romana, não obstante o carinho paterno e o apoio pessoal do santo Papa Pio IX.
A expansão mundial de sua obra começou com as missões na Patagônia, "o fim do mundo", como a chamou o Papa argentino. E logo, sua Congregação estabeleceu-se em outros países da América Latina.  A vez do Brasil foi em 1883, Niterói, e 1885, São Paulo.
Custou-lhe imensos sacrifícios a construção de suas duas basílicas: a de Maria Auxiliadora, em Turim-Valdocco, berço de sua obra mundial, onde está gravada a inscrição que ele vira em sonhos, referindo-se à sua celestial patrona: "Aqui é minha casa, daqui a minha glória". A outra basílica é a do Sagrado Coração de Jesus, em Roma, no bairro do Castro Pretório, pedido do Papa Leão XIII, seu grande protetor. Esse trabalho, com viagens à França e pela Itália, implorando os recursos necessários, foi o consumidor das últimas energias físicas de Dom Bosco. A Missa que ele celebrou na inauguração dessa igreja foi o marco do encerramento de suas atividades, quando ele proclamou da Senhora de seus sonhos: "Foi Ela que tudo fez!".
"Razão, religião e carinho" - é o trinômio-base do seu sistema educativo, chamado Sistema Preventivo. Não de um pedagogo ou teórico da educação, mas de um Santo e um dos maiores educadores do século 19, é que estamos comemorando dois séculos e quatro anos de nascimento.
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E.T. - Com este texto de hoje, completo, exatamente, 4 anos "respondendo" por este artigo semanal das quintas-feiras aqui no 'Jornal do Dia' - a primeira publicação foi na edição de 15 de agosto de 2015, véspera do bicentenário de nascimento de Dom Bosco -, pela graça de Deus, pela bondade dos seus dirigentes e contando com a colaboração do meu amigo Raymundinho Mello, responsável pela publicação dos meus artigos em Aracaju. O texto que têm nas mãos hoje é idêntico ao que deu origem à série; alterei apenas o número de anos do nascimento de Dom Bosco, de 200 para 204. A todos os leitores que me acompanharam nestes 4 anos, o meu agradecimento e a minha bênção. Até breve! 

* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB é Arcebispo Emérito de Maceió (foi Bispo Auxiliar de Aracaju - 1975 a 1980)dedvaldo@salesianorecife.com.br