A razão de um monumento

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A polêmica passou, restaram as esculturas
A polêmica passou, restaram as esculturas

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Publicada em 20/08/2019 às 05:44:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Dependesse de mim, 
o Largo da Gente 
Sergipana jamais teria saído do papel. A obra ainda não passava de projeto quando as críticas pronunciadas à boca pequena foram divulgadas por este Jornal do Dia, provocando toda sorte de reações, da adesão ao escândalo. A polêmica passou, restaram as esculturas, para deleite dos turistas. Desde então, o artista baiano Tati Moreno é um homem mais rico.
Longe de mim, desprezar a importância simbólica de um monumento. Com o Largo da Gente, as brincadeiras da cultura popular ganharam a notoriedade merecida, uma espécie de face pública, um rosto reconhecível. Mas, ao contrário dos mestres de mãos calejadas em atividade na terrinha, os bonecos em fibra de vibro não cantam, não dançam. Sem a vibração do tambor, o investimento milionário realizado no conjunto arquitetônico não constrói laços duradouros, nem apela à memória afetiva de ninguém.
Verdade seja dita: A cultura popular sempre foi tratada como um patinho feio pelos gestores da sensibilidade nativa. Procurem nas festas promovidas pelo poder público, quantos grupos folclóricos são contemplados, a que preço, qual o espaço reservado a eles na programação. A julgar pelo tratamento dispensado, tudo não passa de retalhos, melação e barulho.
Esta semana, ao menos, quando será comemorado o Dia do Folclore, o Largo da Gente deveria ser tomado por pessoas de carne e osso. Os personagens representando manifestações repletas de energia e movimento estarão lá, com a mesma disposição sinistra de um museu de cera. Eventuais visitantes saberão da existência de festas, tradições e grupos folclóricos locais. E voltarão para casa sem ter a menor ideia do que é a guerra libertária travada todos os anos nas ruas de Laranjeiras, entre Lambe Sujos e Caboclinhos.
Ao capricho de Ezio Déda, diretor do Museu da Gente, a quem deve ser creditado o vislumbre do Largo da Gente, não se negue a dignidade de um investimento vultoso, movido pela melhor das intenções. Infelizmente, o dinheiro ali empregado, um total de R$ 6 milhões, não ganhou repercussão na vida concreta dos sergipanos. Visitar o Largo da Gente tem o mesmo efeito enfadonho de ouvir um professor de história caindo de velho e decorar as lições sonolentas de um livro.

Dependesse de mim,  o Largo da Gente  Sergipana jamais teria saído do papel. A obra ainda não passava de projeto quando as críticas pronunciadas à boca pequena foram divulgadas por este Jornal do Dia, provocando toda sorte de reações, da adesão ao escândalo. A polêmica passou, restaram as esculturas, para deleite dos turistas. Desde então, o artista baiano Tati Moreno é um homem mais rico.
Longe de mim, desprezar a importância simbólica de um monumento. Com o Largo da Gente, as brincadeiras da cultura popular ganharam a notoriedade merecida, uma espécie de face pública, um rosto reconhecível. Mas, ao contrário dos mestres de mãos calejadas em atividade na terrinha, os bonecos em fibra de vibro não cantam, não dançam. Sem a vibração do tambor, o investimento milionário realizado no conjunto arquitetônico não constrói laços duradouros, nem apela à memória afetiva de ninguém.
Verdade seja dita: A cultura popular sempre foi tratada como um patinho feio pelos gestores da sensibilidade nativa. Procurem nas festas promovidas pelo poder público, quantos grupos folclóricos são contemplados, a que preço, qual o espaço reservado a eles na programação. A julgar pelo tratamento dispensado, tudo não passa de retalhos, melação e barulho.
Esta semana, ao menos, quando será comemorado o Dia do Folclore, o Largo da Gente deveria ser tomado por pessoas de carne e osso. Os personagens representando manifestações repletas de energia e movimento estarão lá, com a mesma disposição sinistra de um museu de cera. Eventuais visitantes saberão da existência de festas, tradições e grupos folclóricos locais. E voltarão para casa sem ter a menor ideia do que é a guerra libertária travada todos os anos nas ruas de Laranjeiras, entre Lambe Sujos e Caboclinhos.
Ao capricho de Ezio Déda, diretor do Museu da Gente, a quem deve ser creditado o vislumbre do Largo da Gente, não se negue a dignidade de um investimento vultoso, movido pela melhor das intenções. Infelizmente, o dinheiro ali empregado, um total de R$ 6 milhões, não ganhou repercussão na vida concreta dos sergipanos. Visitar o Largo da Gente tem o mesmo efeito enfadonho de ouvir um professor de história caindo de velho e decorar as lições sonolentas de um livro.