Forte como bomba

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Sem tempo para ponto final
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Publicada em 21/08/2019 às 22:58:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Quem a vê magri-
nha, voz tímida, 
cara de menina, não imagina o domínio exercido sobre todos os aspectos do próprio trabalho. Embora faça questão de sublinhar a influência fundamental da banda que a acompanha na feição de seus discos, a moça governa tudo com a maior naturalidade do mundo. Todos colaboram, geral dá pitaco. Mas, ao fim e ao cabo, os versos, timbres, arranjos e andamentos das canções precisam entrar em acordo com o coração de Tori.
Não é à toa, por exemplo, que 'Ignatia,' soa tão sucinto. Às vésperas do lançamento, a compositora confessou ao Jornal do Dia não ter muito o que dizer. Felizmente, no suposto pouco que Tori comunica em cima do palco cabe o universo inteiro. Se os anjos podem dançar na cabeça de um alfinete, um ponto contém o infinito.
 Quando compôs 'La vie em gole', uma canção singela, há mais ou menos quatro anos, Tori tinha 15 e resolvia quase tudo sozinha, de bem com o violão. Mais tarde, foi obrigada a trocar de pele para dar forma ao EP 'Akoya' (2016), o seu primeiro projeto de fôlego. Agora, ela assume a guitarra e deixa o lirismo do registro anterior de lado, com o fim de ir direto ao ponto. Ao evitar os arrodeios de uma poesia elaborada, Tori acabou compensando a lisura das letras sem adornos com um ambiência muito sofisticada. 'Ignatia,' é um trabalho de gente grande.
Forte como bomba, 'Ignatia,' economiza em palavras o tanto que esbanja em significados. O próprio batismo do EP dá muito pano pra mangas. Trata-se do nome científico de uma erva usada em terapias homeopáticas para combater a ansiedade. A vírgula acrescentada ao título do disco tem a intenção declarada de sugerir a continuidade de uma história avessa a ponto final.
Filosofias à parte, 'Ignatia,' tem tudo para pegar muito macaco velho de surpresa. Em sete faixas de marcação cerrada e pulso no alto, incluindo uma empolgante passagem instrumental, é possível identificar os ecos do post rock europeu processados com acento particular. O álbum soa completamente maduro. A mim, no entanto, Tori impressiona desde sempre.

Quem a vê magri- nha, voz tímida,  cara de menina, não imagina o domínio exercido sobre todos os aspectos do próprio trabalho. Embora faça questão de sublinhar a influência fundamental da banda que a acompanha na feição de seus discos, a moça governa tudo com a maior naturalidade do mundo. Todos colaboram, geral dá pitaco. Mas, ao fim e ao cabo, os versos, timbres, arranjos e andamentos das canções precisam entrar em acordo com o coração de Tori.
Não é à toa, por exemplo, que 'Ignatia,' soa tão sucinto. Às vésperas do lançamento, a compositora confessou ao Jornal do Dia não ter muito o que dizer. Felizmente, no suposto pouco que Tori comunica em cima do palco cabe o universo inteiro. Se os anjos podem dançar na cabeça de um alfinete, um ponto contém o infinito.
 Quando compôs 'La vie em gole', uma canção singela, há mais ou menos quatro anos, Tori tinha 15 e resolvia quase tudo sozinha, de bem com o violão. Mais tarde, foi obrigada a trocar de pele para dar forma ao EP 'Akoya' (2016), o seu primeiro projeto de fôlego. Agora, ela assume a guitarra e deixa o lirismo do registro anterior de lado, com o fim de ir direto ao ponto. Ao evitar os arrodeios de uma poesia elaborada, Tori acabou compensando a lisura das letras sem adornos com um ambiência muito sofisticada. 'Ignatia,' é um trabalho de gente grande.
Forte como bomba, 'Ignatia,' economiza em palavras o tanto que esbanja em significados. O próprio batismo do EP dá muito pano pra mangas. Trata-se do nome científico de uma erva usada em terapias homeopáticas para combater a ansiedade. A vírgula acrescentada ao título do disco tem a intenção declarada de sugerir a continuidade de uma história avessa a ponto final.
Filosofias à parte, 'Ignatia,' tem tudo para pegar muito macaco velho de surpresa. Em sete faixas de marcação cerrada e pulso no alto, incluindo uma empolgante passagem instrumental, é possível identificar os ecos do post rock europeu processados com acento particular. O álbum soa completamente maduro. A mim, no entanto, Tori impressiona desde sempre.