Portas abertas para quem?

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A maioria dos sergipanos nunca irá ao Tobias Barreto
A maioria dos sergipanos nunca irá ao Tobias Barreto

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Publicada em 22/08/2019 às 22:24:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Logo mais, o Teatro To-
bias Barreto estará de 
portas abertas, depois de um longo período interditado para reformas. Ocasião solene, com a presença confirmada do governador Belivaldo Chagas. Após o aborrecimento certo dos discursos vazios, no entanto, o palco será entregue a quem bem o merece. Até o fim do ano, agenda lotada.
Hoje, durante a cerimônia de inauguração, a Orquestra Sinfônica de Sergipe realizará concerto e Patrícia Polayne vai soltar a voz. Entretanto, além de dar guarita à prata da casa, o pleno funcionamento do Tobias Barreto ainda coloca a aldeia no roteiro nacional de espetáculos. A oportunidade de conferir a performance de Ney Matogrosso de corpo presente, por exemplo, não é uma chance que se despreze.
Infelizmente, Cultura é um bem de consumo muito caro. As portas abertas do Teatro, por si só, não permitem o acesso de qualquer um. Nas beiras de Aracaju, a maior parte da população sobrevive faminta de sonho. As iniciativas de artistas como os atores do grupo Boca de Cena, sediado nas lonjuras do Bugio, são a exceção que confirma a regra.
Há perguntas que carregam no próprio âmago uma resposta: Quantos espetáculos de música, teatro e dança foram patrocinados pelo poder público em Sergipe, ao longo dos últimos meses? Quantos foram levados às periferias? Enquanto isso, o Centro de Criatividade encastelado nas alturas da Caixa D'Água vai se estragando, devorado mais uma vez pela ferrugem do tempo, desperdiçado. Aulas de dança do ventre para a terceira idade, oficinas de esculturas em papel machê não têm o potencial de insuflar a auto estima nativa, nem colaboram para a criação de um mercado local de arte. E alguns gestores  ainda se atrevem a protestar em favor de uma tal sergipanidade.
Os leitores do Jornal do Dia são privilegiados, podem se dar ao luxo de ignorar os tambores locais por escolha própria. A maioria dos sergipanos, ao contrário, nunca irá ao teatro. Para estes, fazer parte de qualquer plateia, ao menos uma vez na vida, seria muita sorte.

Logo mais, o Teatro To- bias Barreto estará de  portas abertas, depois de um longo período interditado para reformas. Ocasião solene, com a presença confirmada do governador Belivaldo Chagas. Após o aborrecimento certo dos discursos vazios, no entanto, o palco será entregue a quem bem o merece. Até o fim do ano, agenda lotada.
Hoje, durante a cerimônia de inauguração, a Orquestra Sinfônica de Sergipe realizará concerto e Patrícia Polayne vai soltar a voz. Entretanto, além de dar guarita à prata da casa, o pleno funcionamento do Tobias Barreto ainda coloca a aldeia no roteiro nacional de espetáculos. A oportunidade de conferir a performance de Ney Matogrosso de corpo presente, por exemplo, não é uma chance que se despreze.
Infelizmente, Cultura é um bem de consumo muito caro. As portas abertas do Teatro, por si só, não permitem o acesso de qualquer um. Nas beiras de Aracaju, a maior parte da população sobrevive faminta de sonho. As iniciativas de artistas como os atores do grupo Boca de Cena, sediado nas lonjuras do Bugio, são a exceção que confirma a regra.
Há perguntas que carregam no próprio âmago uma resposta: Quantos espetáculos de música, teatro e dança foram patrocinados pelo poder público em Sergipe, ao longo dos últimos meses? Quantos foram levados às periferias? Enquanto isso, o Centro de Criatividade encastelado nas alturas da Caixa D'Água vai se estragando, devorado mais uma vez pela ferrugem do tempo, desperdiçado. Aulas de dança do ventre para a terceira idade, oficinas de esculturas em papel machê não têm o potencial de insuflar a auto estima nativa, nem colaboram para a criação de um mercado local de arte. E alguns gestores  ainda se atrevem a protestar em favor de uma tal sergipanidade.
Os leitores do Jornal do Dia são privilegiados, podem se dar ao luxo de ignorar os tambores locais por escolha própria. A maioria dos sergipanos, ao contrário, nunca irá ao teatro. Para estes, fazer parte de qualquer plateia, ao menos uma vez na vida, seria muita sorte.