Golpe baseado em Sergipe deu prejuízo de R$ 17 milhões

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Cédulas de diversos países apreendidas na casa do acusado e extrato com movimentação milionária
Cédulas de diversos países apreendidas na casa do acusado e extrato com movimentação milionária

Cédulas de diversos países apreendidas na casa do acusado e extrato com movimentação milionária
Cédulas de diversos países apreendidas na casa do acusado e extrato com movimentação milionária

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Publicada em 22/08/2019 às 22:37:00

 

Gabriel Damásio
A Polícia Civil investiga 
um golpe que pode 
ter feito mais de mil vítimas em todo o país e alguns países do exterior, causando um prejuízo estimado em R$ 17 milhões. O crime apurado na chamada 'Operação Krypton', deflagrada ontem, envolve uma pirâmide financeira baseada em supostos investimentos em moedas digitais, conhecidas como criptomoedas, a exemplo do Bitcoin. 
Pelo menos três suspeitos de envolvimento no golpe tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça e um deles, o paulista Maurício Henrique dos Santos, foi preso em seu apartamento, no bairro Santa Maria (zona sul de Aracaju). Com ele, foram apreendidas quantias de dinheiro em real e moedas estrangeiras, documentos diversos e um carro de luxo. Um casal identificado como Devanilson Nascimento do Espírito Santo e Liliane Ferreira dos Santos é considerado foragido. 
Ao lado de Maurício Henrique, eles abriram e fecharam três empresas de investimentos que eram, utilizadas para atrair os clientes. "Uma era aberta sempre quando a outra fechava. Ou seja, ela abria, cooptava investidores e, depois que eles começam a não pagar esses investimentos, eles fechavam, dizendo que a empresa tinha falido, e abriam uma nova empresa, no mesmo segmento, com outro nome e no nome [propriedade] de outros parceiros, para dar continuidade ao golpe", explica a delegada Rosana Freitas, da Delegacia de Defraudações e Crimes Cibernéticos (DDCC), que investiga o crime.
Segundo a responsável pelo caso, os autores do golpe usavam vídeos, sites nas redes sociais e palestras em hotéis e salões de Aracaju para prometer lucros rápidos e entre 30% até 60% ao mês, muito acima dos padrões de mercado, através dos investimentos em criptomoedas. "Havia promessas de rendimentos de altíssima lucratividade, tanto pelo investimento quanto pela cooptação de novos investidores", disse ela, ao explicar que os clientes, após depositarem os seus investimentos nas supostas criptomoedas, eram convencidos a atraírem novos clientes para o golpe. E esse convencimento se dava, muitas vezes, com o pagamento de dividendos ou presentes caros às vítimas que seriam incumbidas de atrair clientes. 
"Tem situações que eles depositaram dinheiro nas contas daqueles que eles queriam que alguns cooptassem, deram um carro. Diziam: 'Olha esse aqui é um investimento que a empresa está fazendo em vocês, para que vocês continuem cooptando pessoas, para verem que é uma empresa séria', e então eles entregavam esses bens e dinheiro. Eles tiveram o cuidado de trabalhar com pessoas com experiência com marketing multinível, ou seja, já faziam cooptação, mas em outros segmentos", citou Rosana, acrescentando ainda que o dinheiro entregue pelos investidores não era revertido na compra das moedas digitais, mas era gasto pelos próprios acusados no pagamento dos poucos investidores e, principalmente em bens e compras de luxo. "Eram aquisições de veículos de luxo, passagens aéreas, viagens, hotéis, restaurantes...", completou a delegada. 
A polícia identificou e conseguiu a quebra do sigilo de algumas contas bancárias movimentadas pelos três acusados e pelas empresas que eles tocavam. Pelo menos uma das contas registrou movimentações de R$ 1 milhão, como mostra um extrato bancário apreendido na casa de Maurício Henrique. A esposa dele não chegou a ser presa, mas o JORNAL DO DIA apurou que a possível participação dela no esquema também está sendo checada pela Polícia. A delegada confirma que a vai pedir o bloqueio das contas e dos bens para ressarcir as vítimas, mas deixa claro que, em golpes virtuais, nem sempre o ressarcimento dos bens e valores é garantido. 
Os três suspeitos devem ser indiciados pelos crimes de estelionato e associação criminosa. Eles também poderão ser responsabilizados pelo descumprimento de normas do Banco Central, que regula o funcionamento de empresas de investimento e corretagem. As buscas seguem para chegar até a localização de Devanilson Nascimento e Liliane Ferreira. Informações e denúncias sobre os suspeitos podem ser repassadas por meio do Disque-Denúncia (181). O sigilo das informações e garantido. A Polícia Civil também solicita que possíveis vítimas que identificarem os suspeitos compareçam no Departamento de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri).

Gabriel Damásio

A Polícia Civil investiga  um golpe que pode  ter feito mais de mil vítimas em todo o país e alguns países do exterior, causando um prejuízo estimado em R$ 17 milhões. O crime apurado na chamada 'Operação Krypton', deflagrada ontem, envolve uma pirâmide financeira baseada em supostos investimentos em moedas digitais, conhecidas como criptomoedas, a exemplo do Bitcoin. 
Pelo menos três suspeitos de envolvimento no golpe tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça e um deles, o paulista Maurício Henrique dos Santos, foi preso em seu apartamento, no bairro Santa Maria (zona sul de Aracaju). Com ele, foram apreendidas quantias de dinheiro em real e moedas estrangeiras, documentos diversos e um carro de luxo. Um casal identificado como Devanilson Nascimento do Espírito Santo e Liliane Ferreira dos Santos é considerado foragido. 
Ao lado de Maurício Henrique, eles abriram e fecharam três empresas de investimentos que eram, utilizadas para atrair os clientes. "Uma era aberta sempre quando a outra fechava. Ou seja, ela abria, cooptava investidores e, depois que eles começam a não pagar esses investimentos, eles fechavam, dizendo que a empresa tinha falido, e abriam uma nova empresa, no mesmo segmento, com outro nome e no nome [propriedade] de outros parceiros, para dar continuidade ao golpe", explica a delegada Rosana Freitas, da Delegacia de Defraudações e Crimes Cibernéticos (DDCC), que investiga o crime.
Segundo a responsável pelo caso, os autores do golpe usavam vídeos, sites nas redes sociais e palestras em hotéis e salões de Aracaju para prometer lucros rápidos e entre 30% até 60% ao mês, muito acima dos padrões de mercado, através dos investimentos em criptomoedas. "Havia promessas de rendimentos de altíssima lucratividade, tanto pelo investimento quanto pela cooptação de novos investidores", disse ela, ao explicar que os clientes, após depositarem os seus investimentos nas supostas criptomoedas, eram convencidos a atraírem novos clientes para o golpe. E esse convencimento se dava, muitas vezes, com o pagamento de dividendos ou presentes caros às vítimas que seriam incumbidas de atrair clientes. 
"Tem situações que eles depositaram dinheiro nas contas daqueles que eles queriam que alguns cooptassem, deram um carro. Diziam: 'Olha esse aqui é um investimento que a empresa está fazendo em vocês, para que vocês continuem cooptando pessoas, para verem que é uma empresa séria', e então eles entregavam esses bens e dinheiro. Eles tiveram o cuidado de trabalhar com pessoas com experiência com marketing multinível, ou seja, já faziam cooptação, mas em outros segmentos", citou Rosana, acrescentando ainda que o dinheiro entregue pelos investidores não era revertido na compra das moedas digitais, mas era gasto pelos próprios acusados no pagamento dos poucos investidores e, principalmente em bens e compras de luxo. "Eram aquisições de veículos de luxo, passagens aéreas, viagens, hotéis, restaurantes...", completou a delegada. 
A polícia identificou e conseguiu a quebra do sigilo de algumas contas bancárias movimentadas pelos três acusados e pelas empresas que eles tocavam. Pelo menos uma das contas registrou movimentações de R$ 1 milhão, como mostra um extrato bancário apreendido na casa de Maurício Henrique. A esposa dele não chegou a ser presa, mas o JORNAL DO DIA apurou que a possível participação dela no esquema também está sendo checada pela Polícia. A delegada confirma que a vai pedir o bloqueio das contas e dos bens para ressarcir as vítimas, mas deixa claro que, em golpes virtuais, nem sempre o ressarcimento dos bens e valores é garantido. 
Os três suspeitos devem ser indiciados pelos crimes de estelionato e associação criminosa. Eles também poderão ser responsabilizados pelo descumprimento de normas do Banco Central, que regula o funcionamento de empresas de investimento e corretagem. As buscas seguem para chegar até a localização de Devanilson Nascimento e Liliane Ferreira. Informações e denúncias sobre os suspeitos podem ser repassadas por meio do Disque-Denúncia (181). O sigilo das informações e garantido. A Polícia Civil também solicita que possíveis vítimas que identificarem os suspeitos compareçam no Departamento de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri).