Festa política

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Publicada em 24/08/2019 às 15:33:00

 

A Parada Gay realizada hoje, em Aracaju, está entre os eventos mais animados do calendário cultural sergipano. Mas o volume da música propagada pelos trios elétricos na Orla de Atalaia, as cores e o bom humor das drag queens não devem chamar mais atenção do que a motivação do encontro. A reunião, uma espécie de encontro ecumênico de minorias e marginalizados, será sempre uma festa de contornos políticos.
Dados para amparar a necessidade de um protesto, há de sobra. Segundo o Grupo Gay da Bahia, por exemplo, a cada 16 horas uma pessoa LGBT é assassinada no Brasil, o país mais letal do mundo para travestis e transgêneros. Os números podem ser ainda mais assustadores, levando-se em conta a provável sub notificação e a ausência de estatísticas oficiais.
Os números dão a impressão de que existem dois lugares simbólicos demarcados pelo território nacional. Há o Brasil do papel, no qual os princípios de igualdade são resguardados pela Constituição Federal. E há também o País de verdade, povoado de preconceito, racismo, machismo, homofobia, todo tipo de intolerância, em suma, onde a convivência entre os diferentes é resolvida no braço ou pior, sempre mediante o emprego da força.
Violência contra minorias sempre existiu no Brasil. Hoje, no entanto, o discurso odiento tem a guarida do presidente da República, em pessoa. Mulheres, negros, LGBT's e quilombolas já foram alvo da retórica criminosa de Bolsonaro e os seus asseclas. Em plena campanha, o candidato foi capaz de defender a tortura e a execução de criminosos. Agora, no exercício do cargo, ele deixa clara a intenção de subtrair o que ainda resta dos direitos trabalhistas resguardados pela legislação vigente. Tanto despautério poderia ser mera verborrogia, atributo de quem não tem muito a dizer. Infelizmente, tudo indica, é isso mesmo o que pensa o presidente.

A Parada Gay realizada hoje, em Aracaju, está entre os eventos mais animados do calendário cultural sergipano. Mas o volume da música propagada pelos trios elétricos na Orla de Atalaia, as cores e o bom humor das drag queens não devem chamar mais atenção do que a motivação do encontro. A reunião, uma espécie de encontro ecumênico de minorias e marginalizados, será sempre uma festa de contornos políticos.
Dados para amparar a necessidade de um protesto, há de sobra. Segundo o Grupo Gay da Bahia, por exemplo, a cada 16 horas uma pessoa LGBT é assassinada no Brasil, o país mais letal do mundo para travestis e transgêneros. Os números podem ser ainda mais assustadores, levando-se em conta a provável sub notificação e a ausência de estatísticas oficiais.
Os números dão a impressão de que existem dois lugares simbólicos demarcados pelo território nacional. Há o Brasil do papel, no qual os princípios de igualdade são resguardados pela Constituição Federal. E há também o País de verdade, povoado de preconceito, racismo, machismo, homofobia, todo tipo de intolerância, em suma, onde a convivência entre os diferentes é resolvida no braço ou pior, sempre mediante o emprego da força.
Violência contra minorias sempre existiu no Brasil. Hoje, no entanto, o discurso odiento tem a guarida do presidente da República, em pessoa. Mulheres, negros, LGBT's e quilombolas já foram alvo da retórica criminosa de Bolsonaro e os seus asseclas. Em plena campanha, o candidato foi capaz de defender a tortura e a execução de criminosos. Agora, no exercício do cargo, ele deixa clara a intenção de subtrair o que ainda resta dos direitos trabalhistas resguardados pela legislação vigente. Tanto despautério poderia ser mera verborrogia, atributo de quem não tem muito a dizer. Infelizmente, tudo indica, é isso mesmo o que pensa o presidente.