O tempo de Fernanda Young

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Forever Young!
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Publicada em 26/08/2019 às 23:00:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Nada contra Fernan-
da Young. Deus 
sabe quantas gargalhadas devo à moça, roteirista de 'Os normais' - entre os raros programas no acervo da TV brasileira com tino para conciliar humor com um tantinho de ousadia. Mas as velhas carpideiras de plantão na imprensa do sul maravilha não cansam de mencionar suas tatuagens e uma ruma de livros publicados, sem o cuidado de citar uma única obra. A bem da verdade, apesar de certa intimidade com a palavra escrita, Fernanda Young foi só uma personalidade de mídia, uma espécie incomum de celebridade alfabetizada.
O leitor me perdoe o surto beletrista, mas escritoras de verdade foram Virgínia Woolf e Simone de Beauvoir. De dez em dez anos, com muita sorte e igual dose de espanto, revela-se uma Elena Ferrante. O resto é publicidade. As boas sacadas de Fernanda Young são adequadas para as páginas dos jornais, animam as mesas de bar, têm o potencial de provocar alguma polêmica. Mas não merecem o nome de literatura.
Publicar livros é diferente de ser escritor. Aqui e agora, uma nova edição da Bienal de Itabaiana, a maior festa literária de Sergipe, promete realizar o lançamento de trocentos títulos inéditos. Apesar do volume impressionante, a maior parte certamente não compensa a tinta derramada no papel. Afirmo isso amparado em uma vida inteira de conluio com as traças, fuçando a biblioteca dos amigos mais velhos, sebos e livrarias. Há exceções, naturalmente. Mas os escritores dignos dos leitores mais exigentes são mortos.
O tempo de Fernanda Young passou, vencido pela frivolidade e linguagem preguiçosa que, em alguma medida, ela trabalhou para renovar. Não à toa, os colegas da moça disputam audiência com ilustres desconhecidos e batem ponto nas redes sociais, quase sem proveito. Aqui e ali, surge algo interessante como o canal Porta dos Fundos. As plataformas de streaming produzem conteúdo original de primeira grandeza. Mas a cultura da celebridade instantânea segue firme e forte, apesar das TVs desligadas, perpetuada por 'influencers' de cabeça oca, vocabulário ralo, nenhum talento.
Eu me dei ao trabalho de conferir algumas entrevistas concedidas por Fernanda Young, antes de oferecer os meus pitacos a eventuais leitores. Mais uma vez, diferente de 'Os normais', a postura blasé de uma rebelde sem causa me deu engulhos. Não tenho paciência para os jovens de qualquer faixa etária, o público alvo do Lollapalooza. Já Fernanda parecia se recusar a envelhecer, afiada e bem disposta, batendo à porta dos 50. Autêntica, dentro dos limites de uma persona midiática. Forever Young!

Nada contra Fernan- da Young. Deus  sabe quantas gargalhadas devo à moça, roteirista de 'Os normais' - entre os raros programas no acervo da TV brasileira com tino para conciliar humor com um tantinho de ousadia. Mas as velhas carpideiras de plantão na imprensa do sul maravilha não cansam de mencionar suas tatuagens e uma ruma de livros publicados, sem o cuidado de citar uma única obra. A bem da verdade, apesar de certa intimidade com a palavra escrita, Fernanda Young foi só uma personalidade de mídia, uma espécie incomum de celebridade alfabetizada.
O leitor me perdoe o surto beletrista, mas escritoras de verdade foram Virgínia Woolf e Simone de Beauvoir. De dez em dez anos, com muita sorte e igual dose de espanto, revela-se uma Elena Ferrante. O resto é publicidade. As boas sacadas de Fernanda Young são adequadas para as páginas dos jornais, animam as mesas de bar, têm o potencial de provocar alguma polêmica. Mas não merecem o nome de literatura.
Publicar livros é diferente de ser escritor. Aqui e agora, uma nova edição da Bienal de Itabaiana, a maior festa literária de Sergipe, promete realizar o lançamento de trocentos títulos inéditos. Apesar do volume impressionante, a maior parte certamente não compensa a tinta derramada no papel. Afirmo isso amparado em uma vida inteira de conluio com as traças, fuçando a biblioteca dos amigos mais velhos, sebos e livrarias. Há exceções, naturalmente. Mas os escritores dignos dos leitores mais exigentes são mortos.
O tempo de Fernanda Young passou, vencido pela frivolidade e linguagem preguiçosa que, em alguma medida, ela trabalhou para renovar. Não à toa, os colegas da moça disputam audiência com ilustres desconhecidos e batem ponto nas redes sociais, quase sem proveito. Aqui e ali, surge algo interessante como o canal Porta dos Fundos. As plataformas de streaming produzem conteúdo original de primeira grandeza. Mas a cultura da celebridade instantânea segue firme e forte, apesar das TVs desligadas, perpetuada por 'influencers' de cabeça oca, vocabulário ralo, nenhum talento.
Eu me dei ao trabalho de conferir algumas entrevistas concedidas por Fernanda Young, antes de oferecer os meus pitacos a eventuais leitores. Mais uma vez, diferente de 'Os normais', a postura blasé de uma rebelde sem causa me deu engulhos. Não tenho paciência para os jovens de qualquer faixa etária, o público alvo do Lollapalooza. Já Fernanda parecia se recusar a envelhecer, afiada e bem disposta, batendo à porta dos 50. Autêntica, dentro dos limites de uma persona midiática. Forever Young!