Collor e Bolsonaro

Opinião

 

Marcos Cardoso
A história se repete como tragédia ou 
como farsa? Daqui a pouco faz 30 anos 
da eleição presidencial de 1989, que conduziu a Brasília o playboy carioca-alagoano Fernando Collor de Mello. Foi a primeira eleição livre realizada no país desde 1960, quando Jânio Quadros foi o presidente eleito pelo povo.
O governo Collor foi uma tragédia que culminou com o impeachment do presidente em outubro de 1992, depois de revelado o esquema de corrupção que envolvia o ex-tesoureiro da campanha e homem de confiança Paulo César Faria.
Além do desastroso confisco da poupança dos brasileiros, o governo Collor não conseguiu debelar a inflação de quase 2.000% ao ano herdada do governo José Sarney, gerando grande insatisfação popular.
Antes, reduziu a máquina administrativa, com a extinção ou fusão de ministérios e órgãos públicos, demitiu funcionários públicos, congelou preços e salários. Como nem tudo é desgraça, foi em seu governo que os aposentados rurais conquistaram o direito a um salário mínimo como benefício básico, ao invés do meio salário até então vigente.
Mas no aspecto positivo a melhor realização do governo liberal de Collor, que gozava de amplo apoio do mercado, foi uma inédita abertura da economia, que possibilitou a modernização do nosso parque industrial. Ele tinha razão quando dizia que os carros à época fabricados aqui eram umas carroças.
Tirando os fanáticos que consideram esse homem rude e de fala tosca ser um mito, quem torce para o Brasil não afundar de vez torce para o governo do capitão paulista-carioca Jair Bolsonaro acertar pelo menos em alguns aspectos da economia. Reduzir o tamanho da máquina pública, enxugando ministérios e órgãos, privatizar empresas que não são necessárias ao estado e realizar as reformas da previdência e tributária bem que animam o mercado.
Talvez dessas medidas econômicas reste um legado positivo, há mudanças em curso que somente um governo liberal, com apoio da maioria do Congresso Nacional, como agora, é capaz de empreender.
Mas não tem receita liberal de Paulo Guedes que promova o milagre de evitar o desastre anunciado em cada pronunciamento disparatado do senhor presidente. Nem o poderoso ministro da Economia terá como disfarçar toda a sujeira escondida debaixo do tapete da casa de Bolsonaro. Vide envolvimento com milícias, o sumido Queiroz e quejandos.
Sem nenhum senso de medida para suas falas e ações desastradas, Bolsonaro já conseguiu desagradar aliados no Legislativo e no Judiciário, além dos apoiadores de primeira hora no Ministério Público, na Polícia Federal e na Receita Federal, somente para ficar nesses exemplos.
E há quem já identifique crimes de responsabilidade cometidos por ele, quando afronta preceitos constitucionais, quando burla a legislação vigente, quando discrimina entes federados, quando pretende aniquilar a oposição, quando atropela a autonomia das instituições, quando incita o ódio, quando afronta a verdade científica, quando se julga com poder para fazer o que bem quer, ignorando a fronteira entre público e privado, quando desrespeita a transparência dos atos, a liberdade de imprensa, a liberdade religiosa, a igualdade entre os homens e ainda se intromete em assuntos internos de outras nações.
A devastação e queimadas da Amazônia foram a gota d'água que faltava para o mundo civilizado esgotar a paciência com Bolsonaro. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, órgão dirigente da União Europeia, afirma que o bloco não vai ratificar o acordo com o Mercosul enquanto a devastação da Amazônia prosseguir por irresponsabilidade de Bolsonaro.
Com rejeição interna crescente e seu apoio externo praticamente reduzido a Donald Trump, o que restará ao capitão? Já há quem veja a solução do impeachment como uma questão de tempo. Chegará 30 anos depois do afastamento de Collor?

Marcos Cardoso

A história se repete como tragédia ou  como farsa? Daqui a pouco faz 30 anos  da eleição presidencial de 1989, que conduziu a Brasília o playboy carioca-alagoano Fernando Collor de Mello. Foi a primeira eleição livre realizada no país desde 1960, quando Jânio Quadros foi o presidente eleito pelo povo.
O governo Collor foi uma tragédia que culminou com o impeachment do presidente em outubro de 1992, depois de revelado o esquema de corrupção que envolvia o ex-tesoureiro da campanha e homem de confiança Paulo César Faria.
Além do desastroso confisco da poupança dos brasileiros, o governo Collor não conseguiu debelar a inflação de quase 2.000% ao ano herdada do governo José Sarney, gerando grande insatisfação popular.
Antes, reduziu a máquina administrativa, com a extinção ou fusão de ministérios e órgãos públicos, demitiu funcionários públicos, congelou preços e salários. Como nem tudo é desgraça, foi em seu governo que os aposentados rurais conquistaram o direito a um salário mínimo como benefício básico, ao invés do meio salário até então vigente.
Mas no aspecto positivo a melhor realização do governo liberal de Collor, que gozava de amplo apoio do mercado, foi uma inédita abertura da economia, que possibilitou a modernização do nosso parque industrial. Ele tinha razão quando dizia que os carros à época fabricados aqui eram umas carroças.
Tirando os fanáticos que consideram esse homem rude e de fala tosca ser um mito, quem torce para o Brasil não afundar de vez torce para o governo do capitão paulista-carioca Jair Bolsonaro acertar pelo menos em alguns aspectos da economia. Reduzir o tamanho da máquina pública, enxugando ministérios e órgãos, privatizar empresas que não são necessárias ao estado e realizar as reformas da previdência e tributária bem que animam o mercado.
Talvez dessas medidas econômicas reste um legado positivo, há mudanças em curso que somente um governo liberal, com apoio da maioria do Congresso Nacional, como agora, é capaz de empreender.
Mas não tem receita liberal de Paulo Guedes que promova o milagre de evitar o desastre anunciado em cada pronunciamento disparatado do senhor presidente. Nem o poderoso ministro da Economia terá como disfarçar toda a sujeira escondida debaixo do tapete da casa de Bolsonaro. Vide envolvimento com milícias, o sumido Queiroz e quejandos.
Sem nenhum senso de medida para suas falas e ações desastradas, Bolsonaro já conseguiu desagradar aliados no Legislativo e no Judiciário, além dos apoiadores de primeira hora no Ministério Público, na Polícia Federal e na Receita Federal, somente para ficar nesses exemplos.
E há quem já identifique crimes de responsabilidade cometidos por ele, quando afronta preceitos constitucionais, quando burla a legislação vigente, quando discrimina entes federados, quando pretende aniquilar a oposição, quando atropela a autonomia das instituições, quando incita o ódio, quando afronta a verdade científica, quando se julga com poder para fazer o que bem quer, ignorando a fronteira entre público e privado, quando desrespeita a transparência dos atos, a liberdade de imprensa, a liberdade religiosa, a igualdade entre os homens e ainda se intromete em assuntos internos de outras nações.
A devastação e queimadas da Amazônia foram a gota d'água que faltava para o mundo civilizado esgotar a paciência com Bolsonaro. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, órgão dirigente da União Europeia, afirma que o bloco não vai ratificar o acordo com o Mercosul enquanto a devastação da Amazônia prosseguir por irresponsabilidade de Bolsonaro.
Com rejeição interna crescente e seu apoio externo praticamente reduzido a Donald Trump, o que restará ao capitão? Já há quem veja a solução do impeachment como uma questão de tempo. Chegará 30 anos depois do afastamento de Collor?

 


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