Edir Macedo não é santo

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Religião, política e comércio
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Publicada em 03/09/2019 às 08:03:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
O bispo Edir Macedo, 
fundador da Igreja 
Universal do Reino de Deus, interrompeu um culto realizado no Templo de Salomão, último fim de semana, com o fim de orar pelo presidente Jair Bolsonaro. Em pleno altar, diante de milhares de fiéis, o líder evangélico dispensou as parábolas da linguagem bíblica para criticar "o inferno da mídia" e se queixar das pancadas sofridas nas próprias costas.
Edir Macedo certamente se referiu a uma série de reportagens realizadas pelo Jornal Nacional, há mais de 20 anos. Na ocasião, o pastor Carlos Magno, dissidente da Universal, reuniu imagens e documentos para denunciar a corrupção dos propósitos acolhidos pela organização religiosa, ponta de lança do movimento neopetencostal no Brasil. Em vídeo, ao invés de se ocupar das aflições do espírito, Edir Macedo fala a um grupo de pastores sobre a maneira mais eficaz de passar a mão no dinheiro dos convertidos, às gargalhadas.
O período turbulento, quando os dirigentes da Igreja Universal foram constrangidos a se explicar na Justiça e correr da imprensa como o diabo foge da cruz, é abordado no filme 'Nada a perder 2', cinebiografia chapa branca de Edir Macedo, lançado há pouco. Dirigido por Alexandre Avancini, o longa metragem dá sequência a uma narrativa de superação francamente fantasiosa. Contra tudo e contra todos, o personagem enfrenta perseguições de todos os tipos, mas não vacila nunca. Ao fim, com a graça de Deus, triunfa, bem aventurado.
Ao contrário do que a peça de ficção dirigida por Avancini insinua, Edir Macedo não é santo. Homem de negócios, presidente da TV Record, ele cultiva preocupações estritamente materiais, a ponto de misturar religião, política e comércio. Depois de empenhar a fé de milhões numa campanha política, o bispo dos templos suntuosos tratou de cobrar a fatura. A serviço de podres poderes, ele pode até perder a compostura, como ocorreu ao demonizar o sacerdócio da imprensa, mas tem os bolsos forrados de verba publicitária.
De todo modo, a oração de Edir Macedo não há de chegar aos céus. Está na bíblia: É mais fácil passar uma camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.

O bispo Edir Macedo,  fundador da Igreja  Universal do Reino de Deus, interrompeu um culto realizado no Templo de Salomão, último fim de semana, com o fim de orar pelo presidente Jair Bolsonaro. Em pleno altar, diante de milhares de fiéis, o líder evangélico dispensou as parábolas da linguagem bíblica para criticar "o inferno da mídia" e se queixar das pancadas sofridas nas próprias costas.
Edir Macedo certamente se referiu a uma série de reportagens realizadas pelo Jornal Nacional, há mais de 20 anos. Na ocasião, o pastor Carlos Magno, dissidente da Universal, reuniu imagens e documentos para denunciar a corrupção dos propósitos acolhidos pela organização religiosa, ponta de lança do movimento neopetencostal no Brasil. Em vídeo, ao invés de se ocupar das aflições do espírito, Edir Macedo fala a um grupo de pastores sobre a maneira mais eficaz de passar a mão no dinheiro dos convertidos, às gargalhadas.
O período turbulento, quando os dirigentes da Igreja Universal foram constrangidos a se explicar na Justiça e correr da imprensa como o diabo foge da cruz, é abordado no filme 'Nada a perder 2', cinebiografia chapa branca de Edir Macedo, lançado há pouco. Dirigido por Alexandre Avancini, o longa metragem dá sequência a uma narrativa de superação francamente fantasiosa. Contra tudo e contra todos, o personagem enfrenta perseguições de todos os tipos, mas não vacila nunca. Ao fim, com a graça de Deus, triunfa, bem aventurado.
Ao contrário do que a peça de ficção dirigida por Avancini insinua, Edir Macedo não é santo. Homem de negócios, presidente da TV Record, ele cultiva preocupações estritamente materiais, a ponto de misturar religião, política e comércio. Depois de empenhar a fé de milhões numa campanha política, o bispo dos templos suntuosos tratou de cobrar a fatura. A serviço de podres poderes, ele pode até perder a compostura, como ocorreu ao demonizar o sacerdócio da imprensa, mas tem os bolsos forrados de verba publicitária.
De todo modo, a oração de Edir Macedo não há de chegar aos céus. Está na bíblia: É mais fácil passar uma camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.