O Grito dos Excluídos: muitos motivos para gritar

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Publicada em 06/09/2019 às 00:01:00

 

* Raimundo Bonfim
O Grito dos Excluídos ocorre tra
dicionalmente no dia 7 de Se
tembro há 25 anos, em todo o País, organizado pelas Pastorais Sociais e Movimentos Populares. Neste ano, com o lema: "Esse sistema não Vale! Lutamos por justiça, direitos e liberdade" temos vários motivos para gritar, seja contra o desemprego, a exclusão social, o corte de recursos na Educação, na Habitação, seja pela destruição do meio ambiente, entre outros temas.
Iniciamos 2019 com a tragédia de Brumadinho/MG, onde o crime cometido pela Vale causou enormes danos humanos - atingiu comunidades ribeirinhas e matou 272 pessoas - e materiais e ambientais, causando danos à fauna e à flora graves e irreparáveis.  
E, mais recentemente, nas últimas semanas, o Brasil e o mundo se revoltaram contra a escalada criminosa das queimadas na região amazônica, fruto da leniência e omissão do governo Bolsonaro que - em aliança com madeireiros, grandes latifundiários e o agronegócio - tem atacado cientistas, pesquisadores e órgãos que pesquisam e monitoram o desmatamento da Amazônia, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Em meio a todos esses problemas, o drama do desemprego se espalhou por todo o território nacional. O desemprego já atinge 11,8% e soma 12,6 milhões de pessoas, segundo  pesquisa do IBGE do último  trimestre de 2019.  A população subutilizada subiu 2,6 % em comparação com o mesmo período de 2018, é já soma 28, 1 milhões de pessoas. O número de empregados na informidade bate recorde e atinge 11,7 milhões de pessoas. Uma situação que atormenta pais e mães de família e, principalmente, a juventude das camadas mais baixas da população. Vale salientar que é visível o aumento de pessoas perambulando e pedindo ajuda nas ruas das cidades, um sintoma do aumento da miséria e da pobreza.
Além do sofrimento causado pelo desemprego, uma das mais graves e longas crises econômicas de nossa história incide de forma brutal no aumento da desigualdade social. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), desde o último trimestre de 2014 a desigualdade só cresce. A renda do trabalho da metade mais pobre da população despencou em 17,1%, enquanto a renda do 1% mais rico subiu 10,11%. Em 2017, mais de 23 milhões de pessoas estavam vivendo na pobreza e 10,95% da população brasileira sobreviveu no mesmo ano com renda inferior a R$ 233, segundo relatório da Oxfam Brasil.
O desmonte das políticas sociais, com o corte de recursos na Educação, Moradia, Saúde e em todas as demais áreas sociais - sem investimentos públicos e privados desde o governo Temer, mas levado praticamente a zero pelo governo Bolsonaro - tem agravado a situação de miséria, desemprego e violência, principalmente nas cidades. Os jovens, em especial os negros e pobres, são os mais atingidos. São 31 crianças ou adolescentes assassinadas todos os dias no Brasil, segundo a Unicef.
O corte de recursos da Educação já ultrapassa R$ 6 bilhões, atingindo não só o Ensino Superior (várias universidades apresentam risco de suspenderem suas atividades imediatamente por falta de recursos), mas todas as etapas do ensino e especialização. Na Educação Básica os cortes afetam a construção e manutenção de creches, escolas e treinamento de profissionais. O orçamento que Bolsonaro enviou para a Câmara dos Deputados para 2020 corta metade do recurso da educação, de R$ 4,25 bilhões neste ano para R$ 2,20 bilhões para 2020.
Na área da Habitação, o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) foi desmontado pelo governo Bolsonaro, causando desemprego e tornando mais difícil a realização do sonho da casa própria, direito negado a 7,8 milhões de famílias em todo País. No governo Bolsonaro nenhuma unidade habitacional nova foi contratada e o orçamento para 2020 diminui ainda mais os recursos para moradia popular.
A vida nas cidades tem se transformado em mercadoria. O espaço público está sendo privatizado, gerando lucro para uma minoria rentista.  Os ricos estão cada vez mais isolados em condomínios de luxo e nas áreas nobres, enquanto a maioria da população é expulsa e jogada para as pontas das cidades, locais sem infraestrutura urbana, saneamento e água potável, além de transporte caro e precário. Uma população que vive sem acesso aos serviços públicos, sem trabalho, à mercê da violência e da desigualdade social.
Quem oferece resistência ao aumento da desigualdade e luta por seus direitos é criminalizado ou perseguido, a exemplo dos indígenas, sem terra, quilombolas, LGBT, população negra, mulheres, defensores dos direitos humanos e sem teto.
Por isso, não nos faltam motivos para, nesse 7 de setembro, tomarmos as ruas e praças e gritarmos contra os cortes de recursos na Educação, Moradia, Saúde, Cultura e demais direitos sociais.  Gritaremos em voz alta em defesa do trabalho, da democracia, do meio ambiente, da soberania e dos recursos naturais.  
Gritaremos contra a destruição do Brasil.
* Raimundo Bonfim, Coordenador nacional da Central de Movimentos Populares (CMP)

* Raimundo Bonfim

O Grito dos Excluídos ocorre tra dicionalmente no dia 7 de Se tembro há 25 anos, em todo o País, organizado pelas Pastorais Sociais e Movimentos Populares. Neste ano, com o lema: "Esse sistema não Vale! Lutamos por justiça, direitos e liberdade" temos vários motivos para gritar, seja contra o desemprego, a exclusão social, o corte de recursos na Educação, na Habitação, seja pela destruição do meio ambiente, entre outros temas.Iniciamos 2019 com a tragédia de Brumadinho/MG, onde o crime cometido pela Vale causou enormes danos humanos - atingiu comunidades ribeirinhas e matou 272 pessoas - e materiais e ambientais, causando danos à fauna e à flora graves e irreparáveis.  
E, mais recentemente, nas últimas semanas, o Brasil e o mundo se revoltaram contra a escalada criminosa das queimadas na região amazônica, fruto da leniência e omissão do governo Bolsonaro que - em aliança com madeireiros, grandes latifundiários e o agronegócio - tem atacado cientistas, pesquisadores e órgãos que pesquisam e monitoram o desmatamento da Amazônia, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Em meio a todos esses problemas, o drama do desemprego se espalhou por todo o território nacional. O desemprego já atinge 11,8% e soma 12,6 milhões de pessoas, segundo  pesquisa do IBGE do último  trimestre de 2019.  A população subutilizada subiu 2,6 % em comparação com o mesmo período de 2018, é já soma 28, 1 milhões de pessoas. O número de empregados na informidade bate recorde e atinge 11,7 milhões de pessoas. Uma situação que atormenta pais e mães de família e, principalmente, a juventude das camadas mais baixas da população. Vale salientar que é visível o aumento de pessoas perambulando e pedindo ajuda nas ruas das cidades, um sintoma do aumento da miséria e da pobreza.
Além do sofrimento causado pelo desemprego, uma das mais graves e longas crises econômicas de nossa história incide de forma brutal no aumento da desigualdade social. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), desde o último trimestre de 2014 a desigualdade só cresce. A renda do trabalho da metade mais pobre da população despencou em 17,1%, enquanto a renda do 1% mais rico subiu 10,11%. Em 2017, mais de 23 milhões de pessoas estavam vivendo na pobreza e 10,95% da população brasileira sobreviveu no mesmo ano com renda inferior a R$ 233, segundo relatório da Oxfam Brasil.
O desmonte das políticas sociais, com o corte de recursos na Educação, Moradia, Saúde e em todas as demais áreas sociais - sem investimentos públicos e privados desde o governo Temer, mas levado praticamente a zero pelo governo Bolsonaro - tem agravado a situação de miséria, desemprego e violência, principalmente nas cidades. Os jovens, em especial os negros e pobres, são os mais atingidos. São 31 crianças ou adolescentes assassinadas todos os dias no Brasil, segundo a Unicef.
O corte de recursos da Educação já ultrapassa R$ 6 bilhões, atingindo não só o Ensino Superior (várias universidades apresentam risco de suspenderem suas atividades imediatamente por falta de recursos), mas todas as etapas do ensino e especialização. Na Educação Básica os cortes afetam a construção e manutenção de creches, escolas e treinamento de profissionais. O orçamento que Bolsonaro enviou para a Câmara dos Deputados para 2020 corta metade do recurso da educação, de R$ 4,25 bilhões neste ano para R$ 2,20 bilhões para 2020.
Na área da Habitação, o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) foi desmontado pelo governo Bolsonaro, causando desemprego e tornando mais difícil a realização do sonho da casa própria, direito negado a 7,8 milhões de famílias em todo País. No governo Bolsonaro nenhuma unidade habitacional nova foi contratada e o orçamento para 2020 diminui ainda mais os recursos para moradia popular.
A vida nas cidades tem se transformado em mercadoria. O espaço público está sendo privatizado, gerando lucro para uma minoria rentista.  Os ricos estão cada vez mais isolados em condomínios de luxo e nas áreas nobres, enquanto a maioria da população é expulsa e jogada para as pontas das cidades, locais sem infraestrutura urbana, saneamento e água potável, além de transporte caro e precário. Uma população que vive sem acesso aos serviços públicos, sem trabalho, à mercê da violência e da desigualdade social.
Quem oferece resistência ao aumento da desigualdade e luta por seus direitos é criminalizado ou perseguido, a exemplo dos indígenas, sem terra, quilombolas, LGBT, população negra, mulheres, defensores dos direitos humanos e sem teto.
Por isso, não nos faltam motivos para, nesse 7 de setembro, tomarmos as ruas e praças e gritarmos contra os cortes de recursos na Educação, Moradia, Saúde, Cultura e demais direitos sociais.  Gritaremos em voz alta em defesa do trabalho, da democracia, do meio ambiente, da soberania e dos recursos naturais.  
Gritaremos contra a destruição do Brasil.

* Raimundo Bonfim, Coordenador nacional da Central de Movimentos Populares (CMP)