NAPOLEÃO DE HOSPÍCIO

Opinião

 

* Lelê Teles
Deltan Dallagnol, assim mesmo em minúsculas, foi levado pela midiazona a se achar grande, um micrômegas voltairiano. Aquele sujeito maior que os habitantes do planeta em que se encontra; não só maior em tamanho mas, sobretudo, em sapiência.
Veja você.
O imberbe salvador da pátria, na falta de um boneco inflável gigante para representá-lo nas raves cívicas - cínicas! - inflou-se a si mesmo, com um jacto de ego volátil. 
Cria (ainda crê?) ser ele um enviado de Deus. 
Olha que beleza. 
E, por isso mesmo, se disputasse qualquer eleição, disse o mancebo, venceria com os pés nas costas.
E, como um Incitatus, o infante futurólogo de araque via-se relinchando platitudes no púlpito do senado. acreditava ser esse "o melhor modo de servir a Deus e aos homens", como confidenciou a uma colega de ofício.
Ora, ora, ora.
E disse mais, pra ele, o melhor seria que os procuradores procurassem, em cada estado da federação, lançar candidaturas. talvez pelo PJ, partido dos justiceiros.
Porém, o cândido candidato desistiu da equina tarefa - que ele enxergava como missão divina - porque percebeu que os políticos tiravam menos férias que ele e recebiam menos grana. 
Parece que Deus queria pregar uma peça no rapaz, mas ele foi mais sagaz.
Sabe como é, Deus perdoa tudo. Assim, Dallagnol decidiu colocar um baraço no próprio pescoço e tirar, provisoriamente, o cavalinho da chuva. No caso, ele mesmo.
Digo provisoriamente porque o sujeito disse, de forma atrevida e jactante, que tem apenas "37 anos. a terceira tentação de Jesus no deserto foi um atalho para o reinado." O cabra usou na mesma frase Jesus e reinado e se meteu ali no meio.
Sobre a sua relação com o Todo Poderoso, a única coisa que sabemos é que o coroinha jejuava e fazia penitentes orações enquanto caçoava do luto de um avô injustiçado que luta pela liberdade. 
É sempre assim, os homens de bens nunca nos decepcionam. dallagnol é como aquele personagem de Pulp Fiction, Jules Winnfield, que recitava um trecho da bíblia enquanto enchia o corpo de um sujeito de balas.
Terrível imagem.
Porém... um sujeito com um ego estratosférico tem sempre algo na manga: além de pretender-se senador, e de querer levar uma grana gorda da Petrobrás para "sua" fundação, de aconselhar Moro como se comportar quando entrevistado por Bial e de dar palestras fajutas para engordar a conta bancária, o sacana tinha um hábito bastante peculiar.
Ele zapeava consigo mesmo. telegrameava, para ser preciso.
O The Intercept Brasil nos revela que dallagnol, como um Napoleão de Hospício, mantinha um chat onde ele falava consigo mesmo: perguntava-se, respondia-se, dava-se conselhos, dava-se bons dias e boas noites, perguntava-se se estava bonito e respondia-se que sim, mandava-se nudes e áudios inaudíveis, e sabe mais o que diabos ele fazia consigo. 
Mas consigo imaginar.
Com mil diabos!, dirá o diligente internauta.
É nas quixotescas mãos dessa delirante criatura - e de seus iguais - que está o destino de muita gente, e é por isso que as coisas estão como estão. 
O ódio desmembra famílias, demite funcionários, separa casais; o desemprego se acentua, a morte corre solta no campo, há queima de estoque nas estatais vendidas a preço de banana, queimadas nas florestas, queimada geral do filme da nação mundo a fora; quebraram empresas gigantescas, destruíram a economia, criaram o caos e a desordem; trancafiaram atrás de grades um homem inocente para deixar o caminho livre para a vitória vexosa de um ecocida tresloucado, elegeram inimigos e protegeram os malfeitores de estimação...
E assassinaram a reputação de muita gente. 
E, desgraçadamente, estão todos soltos, todos livres, lépidos e loquazes.
Como diria Renato Russo, "os assassinos estão livres, nós não estamos".  
Palavra da salvação.
* Lelê Teles, jornalista, publicitário e roteirista

* Lelê Teles

Deltan Dallagnol, assim mesmo em minúsculas, foi levado pela midiazona a se achar grande, um micrômegas voltairiano. Aquele sujeito maior que os habitantes do planeta em que se encontra; não só maior em tamanho mas, sobretudo, em sapiência.
Veja você.
O imberbe salvador da pátria, na falta de um boneco inflável gigante para representá-lo nas raves cívicas - cínicas! - inflou-se a si mesmo, com um jacto de ego volátil. 
Cria (ainda crê?) ser ele um enviado de Deus. 
Olha que beleza. 
E, por isso mesmo, se disputasse qualquer eleição, disse o mancebo, venceria com os pés nas costas.
E, como um Incitatus, o infante futurólogo de araque via-se relinchando platitudes no púlpito do senado. acreditava ser esse "o melhor modo de servir a Deus e aos homens", como confidenciou a uma colega de ofício.
Ora, ora, ora.
E disse mais, pra ele, o melhor seria que os procuradores procurassem, em cada estado da federação, lançar candidaturas. talvez pelo PJ, partido dos justiceiros.
Porém, o cândido candidato desistiu da equina tarefa - que ele enxergava como missão divina - porque percebeu que os políticos tiravam menos férias que ele e recebiam menos grana. 
Parece que Deus queria pregar uma peça no rapaz, mas ele foi mais sagaz.
Sabe como é, Deus perdoa tudo. Assim, Dallagnol decidiu colocar um baraço no próprio pescoço e tirar, provisoriamente, o cavalinho da chuva. No caso, ele mesmo.
Digo provisoriamente porque o sujeito disse, de forma atrevida e jactante, que tem apenas "37 anos. a terceira tentação de Jesus no deserto foi um atalho para o reinado." O cabra usou na mesma frase Jesus e reinado e se meteu ali no meio.
Sobre a sua relação com o Todo Poderoso, a única coisa que sabemos é que o coroinha jejuava e fazia penitentes orações enquanto caçoava do luto de um avô injustiçado que luta pela liberdade. 
É sempre assim, os homens de bens nunca nos decepcionam. dallagnol é como aquele personagem de Pulp Fiction, Jules Winnfield, que recitava um trecho da bíblia enquanto enchia o corpo de um sujeito de balas.
Terrível imagem.
Porém... um sujeito com um ego estratosférico tem sempre algo na manga: além de pretender-se senador, e de querer levar uma grana gorda da Petrobrás para "sua" fundação, de aconselhar Moro como se comportar quando entrevistado por Bial e de dar palestras fajutas para engordar a conta bancária, o sacana tinha um hábito bastante peculiar.
Ele zapeava consigo mesmo. telegrameava, para ser preciso.
O The Intercept Brasil nos revela que dallagnol, como um Napoleão de Hospício, mantinha um chat onde ele falava consigo mesmo: perguntava-se, respondia-se, dava-se conselhos, dava-se bons dias e boas noites, perguntava-se se estava bonito e respondia-se que sim, mandava-se nudes e áudios inaudíveis, e sabe mais o que diabos ele fazia consigo. 
Mas consigo imaginar.
Com mil diabos!, dirá o diligente internauta.
É nas quixotescas mãos dessa delirante criatura - e de seus iguais - que está o destino de muita gente, e é por isso que as coisas estão como estão. 
O ódio desmembra famílias, demite funcionários, separa casais; o desemprego se acentua, a morte corre solta no campo, há queima de estoque nas estatais vendidas a preço de banana, queimadas nas florestas, queimada geral do filme da nação mundo a fora; quebraram empresas gigantescas, destruíram a economia, criaram o caos e a desordem; trancafiaram atrás de grades um homem inocente para deixar o caminho livre para a vitória vexosa de um ecocida tresloucado, elegeram inimigos e protegeram os malfeitores de estimação...
E assassinaram a reputação de muita gente. E, desgraçadamente, estão todos soltos, todos livres, lépidos e loquazes.
Como diria Renato Russo, "os assassinos estão livres, nós não estamos".  
Palavra da salvação.

* Lelê Teles, jornalista, publicitário e roteirista

 


COMPARTILHAR NAS REDES SOCIAIS