CULÍTICA

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Publicada em 17/09/2019 às 22:41:00

 

* Lelê Teles
Ciro Gomes, a caricatura do macho branco grosseirão, é como uma galinha velha, não choca mais; mesmo que insista em dizer coisas chocantes.
Há pouco, em entrevista para a BBC, o "paulista de Sobral" decidiu reduzir o discurso político da então candidata ao governo do Rio de Janeiro, Márcia Tiburi, a uma tal "apologia do cu". seja lá o que diabos isso for.
Isso porque certa vez a filósofa palestrara dizendo que "o cu é uma coisa muito boa na vida das pessoas. E o cu sobretudo é laico, é das coisas mais laicas que há nesse mundo". 
Foi isso que deixou Ciro encucado. 
A mim não deixou, primeiro porque discordo. Os padres já se apoderaram do furico alheio há muito tempo. Uns chegam mesmo a violá-los à força. 
E há alguns segmentos da igreja evangélica que proíbem o sexo anal; ou seja, sacralizaram o anel de couro. 
E você sabe, é com argumentos religiosos que muita gente tem patrulhado o tal orifício retrofuricular.
E depois que, gente!, laico é o cacete. 
Laico, atentei bem, é o sujeito, não o objeto. 
Achei a frase da filósofa bobinha e pouco filosófica.
Mas, falando em cu.... 
Foi Levy Fidélix, o nanico, quem primeiro botou o cu na roda. 
Durante um debate televisivo para presidente, veja você, o bigodinho, no afã de insultar homossexuais, disse que estes eram um perigo para a constituição das famílias, alegando que o "aparelho excretor não reproduz".
Infeliz excrescência, e erro crasso. 
Na verdade é o pênis que funciona como órgão excretor e, também, reprodutor. 
Ou seja, o energúmeno confundiu o cu com as calças.
Embora tenha errado feio, todo mundo entendeu que o sacana queria se referir àquela parte do corpo onde o sol não bate.
A parir daí o cu passou a fazer parte do discurso político.
No evento de abertura da Copa do Mundo, um estádio lotado de midiotas verdeamarelos mandou, quase em uníssono, a presidenta Dilma ir tomar naquele lugar.
E olha, meu camarada, essa foi de cair o cu da bunda.
Aproveitando o zeitgeist, o espírito do tempo, surgiu, da Virgínia, um culólatra que virou guru da gurizada que apoia o depravado que nos preside e a pacata família tradicional brasileira.
O tuíter do sujeito é repleto de frases que se referem diretamente ao chamado Olho de Tandera.
O caçador de ursos chegou mesmo a fundar, no youtube, uma escola culosófica seguida até pelo ministro das relações exteriores!
O cu não sai da boca decrépita daquela criatura, certa vez ele disse a um repórter da Carta Capital que "fascismo é o cu da sua mãe". e por aí vai. 
Mário Magalhães chegou a fazer uma compilação das frases obsessivas do sujeito e publicou no The Intercept Brasil.
Inspirado no mestre, o ignaro que nos preside divulgou, durante o carnaval, um vídeo onde um camarada introduz o dedo naquele olho que não enxerga de um outro camarada e, em seguida, mija no sujeito; o tal golden shower (quem nunca?).
O diabo é que muita gente viu isso com o prato de comida na mão. 
Aí não!
Tom Zé, num gesto rebelde e, portanto, político, fez um das capas mais premiadas da MPB quando mandou fotografar o fiofó de uma prostituta e colocou nele uma bola de gude. 
Assim, ele criou aquele terceiro olho que nos olhava na estande de discos como um Ciclope.
Muita gente, de pseudo-desconstruidões nutella a hipócritas raiz, acha que falar em cu é depravação. 
Pra mim, depravação é meter mão na grana alheia, destruir a aposentadoria dos velhinhos, tocar fogo na floresta, passar pano pra miliciano, fazer apologia das armas e da morte. 
Cu não, cara. 
Cu todo mundo tem, embora a maioria das pessoas nunca tenha visto o próprio; aconselho o exercício.
Pois bem, antes se dizia que política era algo cerebral, que se faz com a cabeça.
Políticos carismáticos discordam, afirmando que política se faz com o coração.
Há uns sujeitos truculentos que fazem política com os punhos.
Os rancorosos fazem com o fígado...
O pavão misterioso faz de sua cauda em leque uma arma político-midiática; elemento novo na sintaxe política.
Lula também introduziu um novo elemento nessa gramática brazuca quando louvou a força das mulheres do grelo duro.
Eu gosto dessa imagem, cara. 
Mulheres do grelo duro.  
Palavra da salvação.
* Lelê Teles é jornalista, publicitário e roteirista

* Lelê Teles

Ciro Gomes, a caricatura do macho branco grosseirão, é como uma galinha velha, não choca mais; mesmo que insista em dizer coisas chocantes.
Há pouco, em entrevista para a BBC, o "paulista de Sobral" decidiu reduzir o discurso político da então candidata ao governo do Rio de Janeiro, Márcia Tiburi, a uma tal "apologia do cu". seja lá o que diabos isso for.
Isso porque certa vez a filósofa palestrara dizendo que "o cu é uma coisa muito boa na vida das pessoas. E o cu sobretudo é laico, é das coisas mais laicas que há nesse mundo". 
Foi isso que deixou Ciro encucado. 
A mim não deixou, primeiro porque discordo. Os padres já se apoderaram do furico alheio há muito tempo. Uns chegam mesmo a violá-los à força. 
E há alguns segmentos da igreja evangélica que proíbem o sexo anal; ou seja, sacralizaram o anel de couro. 
E você sabe, é com argumentos religiosos que muita gente tem patrulhado o tal orifício retrofuricular.
E depois que, gente!, laico é o cacete. 
Laico, atentei bem, é o sujeito, não o objeto. 
Achei a frase da filósofa bobinha e pouco filosófica.
Mas, falando em cu.... 
Foi Levy Fidélix, o nanico, quem primeiro botou o cu na roda. 
Durante um debate televisivo para presidente, veja você, o bigodinho, no afã de insultar homossexuais, disse que estes eram um perigo para a constituição das famílias, alegando que o "aparelho excretor não reproduz".
Infeliz excrescência, e erro crasso. 
Na verdade é o pênis que funciona como órgão excretor e, também, reprodutor. 
Ou seja, o energúmeno confundiu o cu com as calças.
Embora tenha errado feio, todo mundo entendeu que o sacana queria se referir àquela parte do corpo onde o sol não bate.
A parir daí o cu passou a fazer parte do discurso político.
No evento de abertura da Copa do Mundo, um estádio lotado de midiotas verdeamarelos mandou, quase em uníssono, a presidenta Dilma ir tomar naquele lugar.
E olha, meu camarada, essa foi de cair o cu da bunda.
Aproveitando o zeitgeist, o espírito do tempo, surgiu, da Virgínia, um culólatra que virou guru da gurizada que apoia o depravado que nos preside e a pacata família tradicional brasileira.
O tuíter do sujeito é repleto de frases que se referem diretamente ao chamado Olho de Tandera.
O caçador de ursos chegou mesmo a fundar, no youtube, uma escola culosófica seguida até pelo ministro das relações exteriores!
O cu não sai da boca decrépita daquela criatura, certa vez ele disse a um repórter da Carta Capital que "fascismo é o cu da sua mãe". e por aí vai. 
Mário Magalhães chegou a fazer uma compilação das frases obsessivas do sujeito e publicou no The Intercept Brasil.
Inspirado no mestre, o ignaro que nos preside divulgou, durante o carnaval, um vídeo onde um camarada introduz o dedo naquele olho que não enxerga de um outro camarada e, em seguida, mija no sujeito; o tal golden shower (quem nunca?).
O diabo é que muita gente viu isso com o prato de comida na mão. 
Aí não!
Tom Zé, num gesto rebelde e, portanto, político, fez um das capas mais premiadas da MPB quando mandou fotografar o fiofó de uma prostituta e colocou nele uma bola de gude. 
Assim, ele criou aquele terceiro olho que nos olhava na estande de discos como um Ciclope.
Muita gente, de pseudo-desconstruidões nutella a hipócritas raiz, acha que falar em cu é depravação. 
Pra mim, depravação é meter mão na grana alheia, destruir a aposentadoria dos velhinhos, tocar fogo na floresta, passar pano pra miliciano, fazer apologia das armas e da morte. 
Cu não, cara. 
Cu todo mundo tem, embora a maioria das pessoas nunca tenha visto o próprio; aconselho o exercício.
Pois bem, antes se dizia que política era algo cerebral, que se faz com a cabeça.
Políticos carismáticos discordam, afirmando que política se faz com o coração.
Há uns sujeitos truculentos que fazem política com os punhos.
Os rancorosos fazem com o fígado...
O pavão misterioso faz de sua cauda em leque uma arma político-midiática; elemento novo na sintaxe política.
Lula também introduziu um novo elemento nessa gramática brazuca quando louvou a força das mulheres do grelo duro.
Eu gosto dessa imagem, cara. 
Mulheres do grelo duro.  
Palavra da salvação.

* Lelê Teles é jornalista, publicitário e roteirista