Os golpistas trocaram o presidente mais bem avaliado por um tosco

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Publicada em 17/09/2019 às 22:42:00

 

* Marcos Coimbra
Cada uma à sua maneira, as três pesquisas 
divulgadas nos últimos dias, realizadas 
pela MDA, o Datafolha e Vox Populi, procuraram caracterizar a imagem atual de Jair Bolsonaro e do governo, bem como o apoio que têm na sociedade. Chegaram a resultados semelhantes.
Todas indicaram queda nas avaliações positivas e redução do tamanho de sua base social, em intensidade e ritmo superiores àqueles de qualquer governo anterior. Nenhuma identificou motivos para imaginar que essas tendências mudarão em prazo razoável, o que significa dizer que os maus números de hoje são, provavelmente, menos ruins que os próximos.
A pesquisa Vox foi além e tratou da imagem de Lula e seus governos. Permite, portanto, comparar os sentimentos da opinião pública sobre o ex-presidente com aqueles que dedica ao ex-capitão.
A comparação pode ser feita em três aspectos: administrativo (na atuação de ambos na Presidência da República), pessoal (se os eleitores "gostam" e quanto de cada um) e político (na identificação com o que são e representam). A vantagem de Lula em relação a Bolsonaro, em qualquer desses quesitos, é grande. Mais ainda se considerarmos que as coisas tendem a piorar para um e estão estáveis, na hipótese mais desfavorável, para o outro.
Bolsonaro é, por ora, avaliado positivamente por menos de 30% dos eleitores. Obteve 23% na soma de "ótimo" e "bom" na pesquisa Vox. Entre aqueles que o aprovam, estão 5% que acham "ótimo" seu trabalho.
Lula, preso há um ano e meio e alvo de uma incessante campanha de desconstrução na mídia corporativa, tem seus dois governos avaliados positivamente por 63% dos entrevistados, quase o triplo do que obtém o atual ocupante do Palácio do Planalto. Quando se analisam somente as afirmações dos que dizem ter sido ele um "ótimo" presidente, a taxa é de 24%, cinco vezes maior que a de Bolsonaro.
Na escolha espontânea do "melhor presidente que o Brasil já teve", a resposta, para 50% dos entrevistados, é Lula. Para 9%, Bolsonaro (que está em primeiro lugar quando a interrogação se refere ao "pior presidente que o Brasil já teve").
No plano pessoal, 30% dos entrevistados dizem que "gostam muito" de Lula, acompanhados por 23% que afirmam que "gostam um pouco". Na outra ponta, 8% dizem que o "detestam". As respostas a respeito de Bolsonaro vão no sentido quase inverso: 10% dizem que "gostam muito" e 21% que o "detestam".
O carinho por Lula possivelmente decorre da avaliação objetiva de seus governos. Para 62% dos entrevistados, foi no período em que o petista foi presidente que "tiveram melhores condições de vida: emprego, maior renda, menos inflação etc." Até entre os que se dizem favoráveis a Bolsonaro, a dianteira é de Lula: 32% dos bolsonaristas respondem que foi com Lula que viveram melhor.
Para avaliar o tamanho do "bolsonarismo", a pesquisa fez uma pergunta direta: "Pensando na forma como Bolsonaro faz política, as ideias defendidas por ele e sua equipe, o modo como fala e se relaciona com seus opositores e as pessoas de uma maneira geral, o que você diria?" "Gosta muito, sente-se uma ou um bolsonarista" foi a resposta de 6% dos entrevistados, enquanto 17% afirmaram que "gostavam, mas não se sentiam bolsonaristas". Do outro lado, 22% responderam que "detestavam o bolsonarismo" e 25% que "não gostavam, mas não chegavam a detestar". Em resumo: 23% disseram que "gostavam" e 47%, o dobro, que "não gostavam".
São números bem piores que os relativos ao petismo. Ao oferecer as mesmas opções de resposta, a pesquisa indica que 28% dos entrevistados podem ser definidos como antipetistas e 32% como favoráveis ao PT. Em oito meses de governo, o antibolsonarismo tornou-se significativamente maior (quase 70%) que o antipetismo.
De agora em diante, as coisas tendem a ser mais complicadas para Bolsonaro. O tempo passa e a falta de resultados positivos torna-se mais evidente, ao mesmo tempo em que diminui a paciência da parcela pouco politizada do eleitorado. O apelo exclusivamente ideológico atinge cada vez menos cidadãos. Não deve demorar, restará a Bolsonaro o apoio exclusivo de uma pequena minoria.
Aqueles que golpearam a democracia brasileira, especialmente nas Forças Armadas e no sistema de Justiça, com o aval de uma burguesia que só enxerga lucros imediatos, fizeram a troca mais despropositada de nossa história: substituíram a maior liderança existente, a mais querida e a mais bem avaliada, por um personagem tosco e minúsculo, que satisfaz a um segmento que diminui a olhos vistos. Mais dia, menos dia, terão que remediar seu erro.
 Aqueles que golpearam a democracia, com o aval de uma burguesia que só enxerga lucros imediatos, fizeram a troca mais despropositada da história.
* Marcos Coimbra, sociólogo, é diretor do instituto Vox Populi

* Marcos Coimbra

Cada uma à sua maneira, as três pesquisas  divulgadas nos últimos dias, realizadas  pela MDA, o Datafolha e Vox Populi, procuraram caracterizar a imagem atual de Jair Bolsonaro e do governo, bem como o apoio que têm na sociedade. Chegaram a resultados semelhantes.
Todas indicaram queda nas avaliações positivas e redução do tamanho de sua base social, em intensidade e ritmo superiores àqueles de qualquer governo anterior. Nenhuma identificou motivos para imaginar que essas tendências mudarão em prazo razoável, o que significa dizer que os maus números de hoje são, provavelmente, menos ruins que os próximos.
A pesquisa Vox foi além e tratou da imagem de Lula e seus governos. Permite, portanto, comparar os sentimentos da opinião pública sobre o ex-presidente com aqueles que dedica ao ex-capitão.
A comparação pode ser feita em três aspectos: administrativo (na atuação de ambos na Presidência da República), pessoal (se os eleitores "gostam" e quanto de cada um) e político (na identificação com o que são e representam). A vantagem de Lula em relação a Bolsonaro, em qualquer desses quesitos, é grande. Mais ainda se considerarmos que as coisas tendem a piorar para um e estão estáveis, na hipótese mais desfavorável, para o outro.
Bolsonaro é, por ora, avaliado positivamente por menos de 30% dos eleitores. Obteve 23% na soma de "ótimo" e "bom" na pesquisa Vox. Entre aqueles que o aprovam, estão 5% que acham "ótimo" seu trabalho.
Lula, preso há um ano e meio e alvo de uma incessante campanha de desconstrução na mídia corporativa, tem seus dois governos avaliados positivamente por 63% dos entrevistados, quase o triplo do que obtém o atual ocupante do Palácio do Planalto. Quando se analisam somente as afirmações dos que dizem ter sido ele um "ótimo" presidente, a taxa é de 24%, cinco vezes maior que a de Bolsonaro.
Na escolha espontânea do "melhor presidente que o Brasil já teve", a resposta, para 50% dos entrevistados, é Lula. Para 9%, Bolsonaro (que está em primeiro lugar quando a interrogação se refere ao "pior presidente que o Brasil já teve").
No plano pessoal, 30% dos entrevistados dizem que "gostam muito" de Lula, acompanhados por 23% que afirmam que "gostam um pouco". Na outra ponta, 8% dizem que o "detestam". As respostas a respeito de Bolsonaro vão no sentido quase inverso: 10% dizem que "gostam muito" e 21% que o "detestam".
O carinho por Lula possivelmente decorre da avaliação objetiva de seus governos. Para 62% dos entrevistados, foi no período em que o petista foi presidente que "tiveram melhores condições de vida: emprego, maior renda, menos inflação etc." Até entre os que se dizem favoráveis a Bolsonaro, a dianteira é de Lula: 32% dos bolsonaristas respondem que foi com Lula que viveram melhor.
Para avaliar o tamanho do "bolsonarismo", a pesquisa fez uma pergunta direta: "Pensando na forma como Bolsonaro faz política, as ideias defendidas por ele e sua equipe, o modo como fala e se relaciona com seus opositores e as pessoas de uma maneira geral, o que você diria?" "Gosta muito, sente-se uma ou um bolsonarista" foi a resposta de 6% dos entrevistados, enquanto 17% afirmaram que "gostavam, mas não se sentiam bolsonaristas". Do outro lado, 22% responderam que "detestavam o bolsonarismo" e 25% que "não gostavam, mas não chegavam a detestar". Em resumo: 23% disseram que "gostavam" e 47%, o dobro, que "não gostavam".
São números bem piores que os relativos ao petismo. Ao oferecer as mesmas opções de resposta, a pesquisa indica que 28% dos entrevistados podem ser definidos como antipetistas e 32% como favoráveis ao PT. Em oito meses de governo, o antibolsonarismo tornou-se significativamente maior (quase 70%) que o antipetismo.
De agora em diante, as coisas tendem a ser mais complicadas para Bolsonaro. O tempo passa e a falta de resultados positivos torna-se mais evidente, ao mesmo tempo em que diminui a paciência da parcela pouco politizada do eleitorado. O apelo exclusivamente ideológico atinge cada vez menos cidadãos. Não deve demorar, restará a Bolsonaro o apoio exclusivo de uma pequena minoria.
Aqueles que golpearam a democracia brasileira, especialmente nas Forças Armadas e no sistema de Justiça, com o aval de uma burguesia que só enxerga lucros imediatos, fizeram a troca mais despropositada de nossa história: substituíram a maior liderança existente, a mais querida e a mais bem avaliada, por um personagem tosco e minúsculo, que satisfaz a um segmento que diminui a olhos vistos. Mais dia, menos dia, terão que remediar seu erro.
 Aqueles que golpearam a democracia, com o aval de uma burguesia que só enxerga lucros imediatos, fizeram a troca mais despropositada da história.

* Marcos Coimbra, sociólogo, é diretor do instituto Vox Populi