Fogo nos fascistas!

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Astral nas alturas
Astral nas alturas

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Publicada em 27/09/2019 às 21:58:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
O paraibano Chico 
César é pedra de 
responsa. Longe de se conformar com o sucesso breve das rádios FM, o danado não cansa de inventar moda. 'O amor é um ato revolucionário', o seu trabalho mais recente, resvala aqui e ali nas armadilhas do discurso panfletário. E, no entanto, também exala um calor próprio, terno e cálido, feito gente.
Via de regra, os gestos de resistência esboçados pelos artistas tupiniquins não passam de confetes. Os valentes protestam de modo mais ou menos resignado, como quem afunda tristezas no copo, sem ponta de esperança doendo no peito. Chico César, ao contrário, recusa a derrota, de olho em um futuro próximo, quando as almas sebosas terão voltado para as tocas imundas de onde escaparam com a baba viscosa escorrendo ódio.
Tal certeza se manifesta na temperatura alta de cada faixa. Mesmo quando o compasso é mais arrastado, como na canção que batiza o disco, o instrumental rico afiança a fé no amor e no coração repleto dos vivos. Tudo bem, Walter Benjamin já nos advertiu, a História não tem lado certo, serve sempre aos vencedores. Mas o sentimento não mente. Mais uma vez, a alegria é a prova dos nove.
Neste álbum, Chico César aponta para o alto, mesmo quando soa sereno. Entre diversos bons momentos, destaca-se 'As negras', animada por metais pegando fogo, balanço ancestral, axé e agogô. Divertidíssimas, 'Like' e 'History' apontam os abismos cavados entre os amantes e a serventia pouca da tecnologia. 'Mulhero' tem um groove de primeira. E por aí vai.
Hoje, Chico César se apresenta em Aracaju, com promoção do projeto Tamar. Puro acaso, a buena onda ecológica é dos poucos temas em voga ignorados pelo cantor, que assina todas as faixas de 'O amor é um ato revolucionário'. Contra os cães danados do fascismo, ele ataca de reggae, afoxé, arrocha, foxtrot, o diabo... Sempre com o astral nas alturas.

O paraibano Chico  César é pedra de  responsa. Longe de se conformar com o sucesso breve das rádios FM, o danado não cansa de inventar moda. 'O amor é um ato revolucionário', o seu trabalho mais recente, resvala aqui e ali nas armadilhas do discurso panfletário. E, no entanto, também exala um calor próprio, terno e cálido, feito gente.
Via de regra, os gestos de resistência esboçados pelos artistas tupiniquins não passam de confetes. Os valentes protestam de modo mais ou menos resignado, como quem afunda tristezas no copo, sem ponta de esperança doendo no peito. Chico César, ao contrário, recusa a derrota, de olho em um futuro próximo, quando as almas sebosas terão voltado para as tocas imundas de onde escaparam com a baba viscosa escorrendo ódio.
Tal certeza se manifesta na temperatura alta de cada faixa. Mesmo quando o compasso é mais arrastado, como na canção que batiza o disco, o instrumental rico afiança a fé no amor e no coração repleto dos vivos. Tudo bem, Walter Benjamin já nos advertiu, a História não tem lado certo, serve sempre aos vencedores. Mas o sentimento não mente. Mais uma vez, a alegria é a prova dos nove.
Neste álbum, Chico César aponta para o alto, mesmo quando soa sereno. Entre diversos bons momentos, destaca-se 'As negras', animada por metais pegando fogo, balanço ancestral, axé e agogô. Divertidíssimas, 'Like' e 'History' apontam os abismos cavados entre os amantes e a serventia pouca da tecnologia. 'Mulhero' tem um groove de primeira. E por aí vai.
Hoje, Chico César se apresenta em Aracaju, com promoção do projeto Tamar. Puro acaso, a buena onda ecológica é dos poucos temas em voga ignorados pelo cantor, que assina todas as faixas de 'O amor é um ato revolucionário'. Contra os cães danados do fascismo, ele ataca de reggae, afoxé, arrocha, foxtrot, o diabo... Sempre com o astral nas alturas.