Ojeriza à ciência

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Publicada em 27/09/2019 às 22:28:00

 

Muito se fala na ojeriza à ciência, 
declarada com todas as letras 
pelo presidente Jair Bolsonaro. No entanto, a disposição para distorcer a realidade com o fim de a adequar à própria visão de mundo está longe de ser privilégio das autoridades no primeiro escalão da República. Em todas as casas parlamentares do País, deputados e vereadores fazem ouvidos moucos para os dados apresentados por especialistas. Mais das vezes, a matemática das estatísticas afronta preconceitos e contraria a retórica eleitoreira dos discursos mais inflamados.
Ontem, durante um debate sobre a violência abrigado pela Assembleia Legislativa de Sergipe, duas posições opostas foram confrontadas. De um lado, o Capitão Samuel, amparado em experiência estritamente pessoal. Do outro, as evidências apresentadas por um pesquisador do Ipea. Para o parlamentar, oriundo da Polícia Militar, o estatuto do desarmamento não deu conta de acabar com o grande número de homicídios no País. Estudos indicam, entretanto, que sem as restrições impostas pela norma em questão, as mortes por arma de fogo poderiam ser mais numerosas, um acréscimo calculado em 12%.
A situação observada em Sergipe é exemplar. Em seis anos, 7.563 armas de fogo foram apreendidas no estado, segundo levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado recentemente. Não à toa, Justamente no mesmo período, os assassinatos se multiplicaram, em escala exponencial.  
É preciso insistir no que indica a ciência. Não é o excesso de regulação sobre o porte e a posse de arma de fogo que deixa o cidadão desprotegido, como argumenta o presidente Jair Bolsonaro. É justo o contrário. Devidamente cumprido, o Estatuto do Desarmamento, aprovado há mais de uma década, seria suficiente para coibir a circulação do arsenal em mãos dos bandidos e incapazes, produzindo reflexos positivos nos índices de mortes violentas. O problema é que a corrupção e a ineficiência da polícia, o abandono das fronteiras nacionais, largadas ao Deus dará, criaram a oportunidade necessária para a criminalidade.

Muito se fala na ojeriza à ciência,  declarada com todas as letras  pelo presidente Jair Bolsonaro. No entanto, a disposição para distorcer a realidade com o fim de a adequar à própria visão de mundo está longe de ser privilégio das autoridades no primeiro escalão da República. Em todas as casas parlamentares do País, deputados e vereadores fazem ouvidos moucos para os dados apresentados por especialistas. Mais das vezes, a matemática das estatísticas afronta preconceitos e contraria a retórica eleitoreira dos discursos mais inflamados.
Ontem, durante um debate sobre a violência abrigado pela Assembleia Legislativa de Sergipe, duas posições opostas foram confrontadas. De um lado, o Capitão Samuel, amparado em experiência estritamente pessoal. Do outro, as evidências apresentadas por um pesquisador do Ipea. Para o parlamentar, oriundo da Polícia Militar, o estatuto do desarmamento não deu conta de acabar com o grande número de homicídios no País. Estudos indicam, entretanto, que sem as restrições impostas pela norma em questão, as mortes por arma de fogo poderiam ser mais numerosas, um acréscimo calculado em 12%.
A situação observada em Sergipe é exemplar. Em seis anos, 7.563 armas de fogo foram apreendidas no estado, segundo levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado recentemente. Não à toa, Justamente no mesmo período, os assassinatos se multiplicaram, em escala exponencial.  
É preciso insistir no que indica a ciência. Não é o excesso de regulação sobre o porte e a posse de arma de fogo que deixa o cidadão desprotegido, como argumenta o presidente Jair Bolsonaro. É justo o contrário. Devidamente cumprido, o Estatuto do Desarmamento, aprovado há mais de uma década, seria suficiente para coibir a circulação do arsenal em mãos dos bandidos e incapazes, produzindo reflexos positivos nos índices de mortes violentas. O problema é que a corrupção e a ineficiência da polícia, o abandono das fronteiras nacionais, largadas ao Deus dará, criaram a oportunidade necessária para a criminalidade.