À flor da pele

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Uma força da natureza
Uma força da natureza

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Publicada em 04/10/2019 às 22:29:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Sandyalê é uma força 
da natureza. 'Árvore 
estranha', segundo álbum da cantora, poderia prescindir de todos os recursos, adotar outros timbres, dispensar a banda enxuta e a enxurrada de synths. O único elemento insubstituível aqui é a potência grave de sua voz.
Cantar não é para qualquer um. Profissionais afinadíssimos já botaram repertórios mais afiados a perder, justamente por não dar conta de emprenhar o enunciado com as gasturas próprias de um corpo vivo. Sem vibração não há música. Sem a verdade de um impulso muito íntimo, todo verso desidrata. Microfone à mão, Sandyalê só abre a boca com os nervos à flor da pele.
Quando surgiu para a cena local, interpretando a seu próprio modo uma nova geração de compositores em atividade na aldeia, a moça chamou atenção com o vigor e o frescor da proposta evidente em cada uma das faixas de 'Um no enxame' (2014). Depois, impressionou pela maneira como se assenhorou dos palcos. Agora, reaparece nas vestes doídas de compositora. Em cada um desses momentos, a energia imensa guardada na garganta é o que mais lhe vale.
'Árvore estranha' tem uma atmosfera muito particular de tumulto, inquietação. Nas músicas assinadas por terceiros (Lauckson José, Elvis Boamorte, Allen Alencar, Fabrício Mota e Ana Carla Portela), bem como nas diversas parcerias com o produtor Dudu Prudente, sobressai algo de movediço. Até nova impressão, este disco soará para mim como um depoimento de inadequação e ansiedade sem consolo, incontornável.
"Caia pra dentro", Sandyalê desafia logo na faixa de abertura. De fato, pouco há de confortável nas diversas camadas do registro. O verbo é áspero, a sonoridade evoca labirintos.

Sandyalê é uma força  da natureza. 'Árvore  estranha', segundo álbum da cantora, poderia prescindir de todos os recursos, adotar outros timbres, dispensar a banda enxuta e a enxurrada de synths. O único elemento insubstituível aqui é a potência grave de sua voz.
Cantar não é para qualquer um. Profissionais afinadíssimos já botaram repertórios mais afiados a perder, justamente por não dar conta de emprenhar o enunciado com as gasturas próprias de um corpo vivo. Sem vibração não há música. Sem a verdade de um impulso muito íntimo, todo verso desidrata. Microfone à mão, Sandyalê só abre a boca com os nervos à flor da pele.
Quando surgiu para a cena local, interpretando a seu próprio modo uma nova geração de compositores em atividade na aldeia, a moça chamou atenção com o vigor e o frescor da proposta evidente em cada uma das faixas de 'Um no enxame' (2014). Depois, impressionou pela maneira como se assenhorou dos palcos. Agora, reaparece nas vestes doídas de compositora. Em cada um desses momentos, a energia imensa guardada na garganta é o que mais lhe vale.
'Árvore estranha' tem uma atmosfera muito particular de tumulto, inquietação. Nas músicas assinadas por terceiros (Lauckson José, Elvis Boamorte, Allen Alencar, Fabrício Mota e Ana Carla Portela), bem como nas diversas parcerias com o produtor Dudu Prudente, sobressai algo de movediço. Até nova impressão, este disco soará para mim como um depoimento de inadequação e ansiedade sem consolo, incontornável.
"Caia pra dentro", Sandyalê desafia logo na faixa de abertura. De fato, pouco há de confortável nas diversas camadas do registro. O verbo é áspero, a sonoridade evoca labirintos.