Empurrando com a barriga

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Publicada em 15/01/2013 às 15:55:00

Os serviços prestados pelo Samu não interferem somente na vida dos socorridos. A redução do número de óbitos, do tempo de internação em hospitais e das sequelas decorrentes da falta de socorro precoce, consequências imediatas provocadas pela expansão de suas unidades, ajudam a minimizar os custos estratosféricos do Sistema Único de Saúde. Essa única observação deveria ser suficiente para demonstrar a importância do serviço prestado para o conjunto da sociedade.  No entanto, não faltam episódios para demonstrar que nem todos compreendem o que está em jogo quando a sirene de uma ambulância pede passagem no meio da rua.

A falta de segurança já fechou as portas de três bases do Samu no interior sergipano. De acordo com o sindicato, cerca de 50 bases estão espalhadas pelo estado, mas nenhuma está a salvo de vandalismo e assaltos. No último fim de semana, por exemplo, duas bases foram depredadas por populares. Em comum, as ocorrências possuem a propriedade com que realçam a vulnerabilidade dos socorristas.
Apesar das evidências, a Fundação Hospitalar de Saúde (FHS), responsável pela administração do serviço, prefere negar os fatos, varrer a poeira pra baixo do tapete e empurrar o problema com a barriga. Segundo o diretor operacional da Fundação, ao contrário do que os episódios recentes sugerem, as bases do Samu "não estão totalmente desassistidas".

Vestir a farda do Samu não é fácil. Como se não bastasse a queda de braço travada com o Governo do Estado em nome de condições adequadas de trabalho e a pressão inerente ao manuseio de matéria tão delicada quanto a vida, os socorristas ainda precisam lidar com as explosões de revolta da população. É certo que as deficiências observadas no aparelho estadual de saúde são mesmo um caso de polícia. Não é por causa das apostas desastradas, por meio das quais o governo estadual pretende estancar a sangria da assistência médica em Sergipe, contudo, que a barbaridade vai ser autorizada ou começar a fazer sentido.