PARAÍBA, Paraíba

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 04/10/2019 às 23:04:00

 

* Inocêncio Nóbrega
Parahyba, nome próprio que assim se es-
crevia na velha ortografia.  Composto, 
basicamente, de dois elementos, cujo significado varia entre diversos autores. Para Elias Herkman, quer dizer "Mar corrompido" ou ´´Água-Má", no que recebe incisiva contestação do historiador paraibano Coriolano de Medeiros. Há outras versões, uma delas defendida pelo padre Francisco dos Prazeres, dizendo tratar-se de simples corruptela de Para-Aíba.  Principal curso d'água, a oeste de João Pessoa, entendido pelos primeiros geógrafos como um braço de mar, mas o consenso que fica é a denominação dada por Inácio José Malta, conforme continua se referindo o escritor Reinaldo de Oliveira Sobrinho: Para (Rio ou Mar) e Yba (Ponta de terra entrada no mar ou rio, ou melhor, "Cabo). Esse rio foi descoberto por Tristão Cunha, em 1506.
Parahyba do Norte, "mulher macho", incomoda o misógino Bolsonaro, todavia essa foi a toponímia dada à Capitania, hoje na condição de um dos entes da República. Com essa designação acompanham, mesmo à semelhança, os municípios de Paraipaba-CE e Paraíba do Sul-RJ, no Vale do Paraíba, Serra da Bocaina. O Estado tem uma área de 56.584 km ², população de 4.018.127 habitantes e PIB de R$ 56.140 bilhões. Junto aos seus irmãos do nordeste, é rica em história. A Revolução de 1817 que o diga. Não é sem causa que seu estandarte rubro-negro traga a legenda "Nego", um grito de basta dado pelo presidente João Pessoa, a um governo central oligárquico, que queria se perpetuar no poder, via candidatura Júlio Prestes, pretensão desfeita em outubro/1930. 
Apesar da oficialidade do termo, consagrado na constelação da bandeira nacional, o nordestino é vítima de uma gíria preconceituosa, useira e vezeira pela elite carioca, ou paulista, que o chama de "baiano", na imaginação de ambos retirantes. Menosprezo, jocosidade, a zombar, por vezes, da capacidade intelectual do ofendido, crime contra a dignidade humana. Gíria, é um fenômeno de linguagem, de contexto informal, bastante usado por determinadas classes sociais menos cultas, contra isso não há censura.
Não faz tempo que sr. Jair Bolsonaro usou desse expediente para desqualificar os governadores da Paraíba e do Maranhão. Feriu a sensibilidade histórica de toda a região. Certamente desletrado e aético, o chefe da nação desconhece, apenas para a ilustrar, a figura paraibana de João de Azevedo, inventor da máquina de escrever; do escritor maranhense, Gonçalves Dias; as poesias de Castro Alves, Bahia; Graciliano Ramos, Alagoas; ignora a biografia de Abreu e Lima, Pernambuco; Tristão Gonçalves, Ceará; Leonardo C. Branco, Piauí e Burlamaque, Sergipe. Então, Paraíba e o Nordeste merecem respeito, tal como se escreve, com iniciais maiúsculas.
* Inocêncio Nóbrega, Jornalista
inocnf@gmail.com

* Inocêncio Nóbrega

Parahyba, nome próprio que assim se es- crevia na velha ortografia.  Composto,  basicamente, de dois elementos, cujo significado varia entre diversos autores. Para Elias Herkman, quer dizer "Mar corrompido" ou ´´Água-Má", no que recebe incisiva contestação do historiador paraibano Coriolano de Medeiros. Há outras versões, uma delas defendida pelo padre Francisco dos Prazeres, dizendo tratar-se de simples corruptela de Para-Aíba.  Principal curso d'água, a oeste de João Pessoa, entendido pelos primeiros geógrafos como um braço de mar, mas o consenso que fica é a denominação dada por Inácio José Malta, conforme continua se referindo o escritor Reinaldo de Oliveira Sobrinho: Para (Rio ou Mar) e Yba (Ponta de terra entrada no mar ou rio, ou melhor, "Cabo). Esse rio foi descoberto por Tristão Cunha, em 1506.
Parahyba do Norte, "mulher macho", incomoda o misógino Bolsonaro, todavia essa foi a toponímia dada à Capitania, hoje na condição de um dos entes da República. Com essa designação acompanham, mesmo à semelhança, os municípios de Paraipaba-CE e Paraíba do Sul-RJ, no Vale do Paraíba, Serra da Bocaina. O Estado tem uma área de 56.584 km ², população de 4.018.127 habitantes e PIB de R$ 56.140 bilhões. Junto aos seus irmãos do nordeste, é rica em história. A Revolução de 1817 que o diga. Não é sem causa que seu estandarte rubro-negro traga a legenda "Nego", um grito de basta dado pelo presidente João Pessoa, a um governo central oligárquico, que queria se perpetuar no poder, via candidatura Júlio Prestes, pretensão desfeita em outubro/1930. 
Apesar da oficialidade do termo, consagrado na constelação da bandeira nacional, o nordestino é vítima de uma gíria preconceituosa, useira e vezeira pela elite carioca, ou paulista, que o chama de "baiano", na imaginação de ambos retirantes. Menosprezo, jocosidade, a zombar, por vezes, da capacidade intelectual do ofendido, crime contra a dignidade humana. Gíria, é um fenômeno de linguagem, de contexto informal, bastante usado por determinadas classes sociais menos cultas, contra isso não há censura.
Não faz tempo que sr. Jair Bolsonaro usou desse expediente para desqualificar os governadores da Paraíba e do Maranhão. Feriu a sensibilidade histórica de toda a região. Certamente desletrado e aético, o chefe da nação desconhece, apenas para a ilustrar, a figura paraibana de João de Azevedo, inventor da máquina de escrever; do escritor maranhense, Gonçalves Dias; as poesias de Castro Alves, Bahia; Graciliano Ramos, Alagoas; ignora a biografia de Abreu e Lima, Pernambuco; Tristão Gonçalves, Ceará; Leonardo C. Branco, Piauí e Burlamaque, Sergipe. Então, Paraíba e o Nordeste merecem respeito, tal como se escreve, com iniciais maiúsculas.

* Inocêncio Nóbrega, Jornalistainocnf@gmail.com