Polícia que mata

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Publicada em 08/10/2019 às 22:05:00

 

No Brasil, a polícia atira e mata a 
esmo. Em Sergipe não é diferen-
te. A morte de uma adolescente durante abordagem da Polícia Rodoviária Federal no município de Carira, último sábado, soma mais um caso aos índices escandalosos de mortes cometidas por policiais em serviço.
Familiares da vítima disseram que ela e o marido seguiam em um veículo pela BR-235, quando o condutor recebeu ordem de parada, mas acelerou o carro. Durante a ação, policiais realizaram diversos disparos e atingiram a adolescente. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu e morreu.
Via de regra, onde falta qualificação técnica abunda a má fé. Este é justamente o caso. Em fuga, o casal deveria sim ser interceptado, mas não precisava ser parado na bala. Infelizmente, a polícia brasileira não está preparada para lidar com cidadãos e apela sempre para o último recurso. Atira primeiro, pergunta depois.
Lamentável, episódio serve de advertência, justamente quando a atuação policial está em pauta no Congresso Nacional. Os objetivos declarados do pacote anticrime submetido ao Congresso pelo Governo Federal soam como música aos ouvidos de qualquer um. De fato, a criminalidade tem um poder de fogo assustador. Ninguém em sã consciência é capaz de argumentar em favor da impunidade. O espírito das Leis reunidas no bojo do projeto, entretanto, é o mesmo de todo faroeste. Ao ancorar as políticas de segurança pública exclusivamente no incentivo ao confronto direto, o ministro Moro e o presidente Bolsonaro colaboram para impulsionar o já escandaloso índice de letalidade policial auferido no Brasil.

No Brasil, a polícia atira e mata a  esmo. Em Sergipe não é diferen- te. A morte de uma adolescente durante abordagem da Polícia Rodoviária Federal no município de Carira, último sábado, soma mais um caso aos índices escandalosos de mortes cometidas por policiais em serviço.
Familiares da vítima disseram que ela e o marido seguiam em um veículo pela BR-235, quando o condutor recebeu ordem de parada, mas acelerou o carro. Durante a ação, policiais realizaram diversos disparos e atingiram a adolescente. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu e morreu.
Via de regra, onde falta qualificação técnica abunda a má fé. Este é justamente o caso. Em fuga, o casal deveria sim ser interceptado, mas não precisava ser parado na bala. Infelizmente, a polícia brasileira não está preparada para lidar com cidadãos e apela sempre para o último recurso. Atira primeiro, pergunta depois.
Lamentável, episódio serve de advertência, justamente quando a atuação policial está em pauta no Congresso Nacional. Os objetivos declarados do pacote anticrime submetido ao Congresso pelo Governo Federal soam como música aos ouvidos de qualquer um. De fato, a criminalidade tem um poder de fogo assustador. Ninguém em sã consciência é capaz de argumentar em favor da impunidade. O espírito das Leis reunidas no bojo do projeto, entretanto, é o mesmo de todo faroeste. Ao ancorar as políticas de segurança pública exclusivamente no incentivo ao confronto direto, o ministro Moro e o presidente Bolsonaro colaboram para impulsionar o já escandaloso índice de letalidade policial auferido no Brasil.