Manchas de óleo aparecem no rio Sergipe e ameaça pesca

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APESAR DAS BOIAS PROTETORAS JÁ INSTALADAS, O ÓLEO JÁ ESTÁ SE ESPALHANDO TAMBÉM PELO RIO SERGIPE; ÓRGÃOS AMBIENTAIS ADVERTEM PARA CUIDADOS NO CONSUMO DE PESCADOS, MARCISCOS E CRUSTÁCEOS
APESAR DAS BOIAS PROTETORAS JÁ INSTALADAS, O ÓLEO JÁ ESTÁ SE ESPALHANDO TAMBÉM PELO RIO SERGIPE; ÓRGÃOS AMBIENTAIS ADVERTEM PARA CUIDADOS NO CONSUMO DE PESCADOS, MARCISCOS E CRUSTÁCEOS

Mancha de óleo na Praia dos Artistas, na Coroa do Meio
Mancha de óleo na Praia dos Artistas, na Coroa do Meio

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Publicada em 11/10/2019 às 21:41:00

 

Milton Alves Júnior
Mesmo com as boi
as cedidas pelas 
Centrais Elétricas do Sergipe (Celse), e instaladas de forma emergencial na última quinta-feira, pescadores da região Norte de Aracaju denunciaram na manhã de ontem a existência de manchas de óleo nas margens do Rio Sergipe, bem como peixes - ainda vivos - mas com registros do produto tóxico. Indicativos de poluição com petróleo cru ainda podem ser flagradas com facilidade nas redes utilizadas na pescaria, bem como no casco das canoas e nas pontas dos remos. De acordo com a direção da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), a falta de intervenção operacional e administrativa por parte do Governo Federal tem contribuído para o agravamento do cenário.
Apesar das sucessivas promessas de ajuda apresentadas no início da semana pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, como também da diretoria nacional da Petrobras, até o momento nenhuma ação real que contribuísse para minimizar os efeitos negativos à natureza foi, de fato, procedida. A concessão das boias instaladas em um trecho do Rio Sergipe ocorreu por parte da Celse justamente em virtude do impasse protagonizado pelo Governo de Sergipe e o poder executivo federal. Essa contribuição por tempo indeterminado foi oficializada depois que o Estado decretou situação de emergência no Diário Oficial, e faz parte das ações previstas no Plano de Emergência Individual (PEI).
De acordo com Gilvan Dias, presidente da Adema, a gravidade do impacto ambiental não permite ao Estado de Sergipe esperar que promessas de órgãos do Governo Federal sejam realmente cumpridas. "As informações que nos passaram é que nesse primeiro momento eles não têm, por causa da situação em todo o Nordeste. Conversei pessoalmente com o responsável da Petrobras ontem e eles tinham dificuldade com as boias nesse momento. Isso não quer dizer que eles não possam adquirir, mas o estado não vai ficar aguardando. É uma questão de preservação", declarou. Como as manchas seguem aparecendo em Sergipe, a faixa litorânea permanece imprópria para banho e pesca.
Em relatório atualizado apresentado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Coordenação de Vigilância Sanitária e Ambiental, o contato direto com o petróleo cru pode resultar em sucessivos problemas de saúde. Ainda de acordo com a Vigilância Sanitária, o produto oleoso trata-se de uma complexa mistura de hidrocarbonetos, que apresenta contaminações variadas de enxofre, nitrogênio, oxigênio e metais. O conjunto de danos ao meio ambiente e à saúde sobretudo dos nordestinos é o que preocupa o pescador João Félix. Segundo ele, desde que as manchas de óleo começaram a aparecer em maior representatividade, a procura por peixes e mariscos está cada vez menor.
 "Quem é que quer comprar peixe? Até a gente está com medo de comer, não vou mentir. A gente tem achado peixes até que ainda em vida, mas já com sinais de cansaço, algo nesse sentido. Isso sem falar que as vezes a gente joga a rede, e quando a gente puxa ela vem manchada, com pontos de textura semelhantes às dos peixes e remos. Precisamos de uma solução imediata para isso, ou que o governo libere auxílio financeiro para as famílias que dependem da pesca para sobreviver", lamentou. Por enquanto não se sabe o que estaria provocando o aparecimento das manchas de petróleo. Por parte do Governo Federal há a suspeita de que sua origem seja venezuelana.

Milton Alves Júnior

Mesmo com as boi as cedidas pelas  Centrais Elétricas do Sergipe (Celse), e instaladas de forma emergencial na última quinta-feira, pescadores da região Norte de Aracaju denunciaram na manhã de ontem a existência de manchas de óleo nas margens do Rio Sergipe, bem como peixes - ainda vivos - mas com registros do produto tóxico. Indicativos de poluição com petróleo cru ainda podem ser flagradas com facilidade nas redes utilizadas na pescaria, bem como no casco das canoas e nas pontas dos remos. De acordo com a direção da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), a falta de intervenção operacional e administrativa por parte do Governo Federal tem contribuído para o agravamento do cenário.
Apesar das sucessivas promessas de ajuda apresentadas no início da semana pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, como também da diretoria nacional da Petrobras, até o momento nenhuma ação real que contribuísse para minimizar os efeitos negativos à natureza foi, de fato, procedida. A concessão das boias instaladas em um trecho do Rio Sergipe ocorreu por parte da Celse justamente em virtude do impasse protagonizado pelo Governo de Sergipe e o poder executivo federal. Essa contribuição por tempo indeterminado foi oficializada depois que o Estado decretou situação de emergência no Diário Oficial, e faz parte das ações previstas no Plano de Emergência Individual (PEI).
De acordo com Gilvan Dias, presidente da Adema, a gravidade do impacto ambiental não permite ao Estado de Sergipe esperar que promessas de órgãos do Governo Federal sejam realmente cumpridas. "As informações que nos passaram é que nesse primeiro momento eles não têm, por causa da situação em todo o Nordeste. Conversei pessoalmente com o responsável da Petrobras ontem e eles tinham dificuldade com as boias nesse momento. Isso não quer dizer que eles não possam adquirir, mas o estado não vai ficar aguardando. É uma questão de preservação", declarou. Como as manchas seguem aparecendo em Sergipe, a faixa litorânea permanece imprópria para banho e pesca.
Em relatório atualizado apresentado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Coordenação de Vigilância Sanitária e Ambiental, o contato direto com o petróleo cru pode resultar em sucessivos problemas de saúde. Ainda de acordo com a Vigilância Sanitária, o produto oleoso trata-se de uma complexa mistura de hidrocarbonetos, que apresenta contaminações variadas de enxofre, nitrogênio, oxigênio e metais. O conjunto de danos ao meio ambiente e à saúde sobretudo dos nordestinos é o que preocupa o pescador João Félix. Segundo ele, desde que as manchas de óleo começaram a aparecer em maior representatividade, a procura por peixes e mariscos está cada vez menor.
 "Quem é que quer comprar peixe? Até a gente está com medo de comer, não vou mentir. A gente tem achado peixes até que ainda em vida, mas já com sinais de cansaço, algo nesse sentido. Isso sem falar que as vezes a gente joga a rede, e quando a gente puxa ela vem manchada, com pontos de textura semelhantes às dos peixes e remos. Precisamos de uma solução imediata para isso, ou que o governo libere auxílio financeiro para as famílias que dependem da pesca para sobreviver", lamentou. Por enquanto não se sabe o que estaria provocando o aparecimento das manchas de petróleo. Por parte do Governo Federal há a suspeita de que sua origem seja venezuelana.