15 de Outubro, Dia do Professor

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Publicada em 17/10/2019 às 00:07:00

 

* Rubens Marques
Sobre o 15 de Outubro, dia do professor, nós operários e operárias da educação não temos nada a comemorar, ao contrário, estamos passando por uma quadra das mais difíceis da história, não só por conta do arrocho salarial, até porque essa tem sido a nossa realidade, que teve um lapso de valorização nos governos Lula e Dilma principalmente por conta da implantação do Piso Salarial Nacional, que mesmo insuficiente, não deixou de ser um avanço, mas também porque a docência passou a ser profissão de risco, uma vez que a decomposição das relações sociais causadas pelo capitalismo cada vez mais predador e excludente, tem refletido nas salas de aula, e nós que nos formamos para lecionar somos obrigados a enfrentar situações que fogem a nossa competência, como a de psicólogo, pai, mãe etc.
O número de agressões verbais e físicas contra professores e professoras tem gerado medo e desencanto com a profissão, e isso é muito grave porque sem a educação uma sociedade não muda.
É preciso entender que os problemas da violência na escola não nascem lá, vem de fora, vem dos problemas sociais crônicos, vem da violência do estado contra as camadas mais vulneráveis, e terminam explodindo na sala de aula, na mão do professor e da professora.
Durante ataque com várias mortes em uma escola do interior de São Paulo o líder do governo Bolsonaro no senado sugeriu que nós professores usássemos armas para enfrentar a violência.
É trágico ou não, ouvir de uma autoridade um conselho desse? É possível que ele deva criar uma lei para premiar os professores que tirarem as melhores notas na escola de tiros.
Depois de 37 anos atuando como professor estou aguardando a tramitação da minha aposentadoria, e destaco que nesses longos anos nunca estive afastado da sala de aula, sempre cumpri a jornada integral, e encerrarei com o sentimento de que fiz o melhor que deu pra fazer, mas mesmo assim tenho acompanhado com tristeza a educação piorar ano a ano.
Desejo muita e sorte aos que continuarão, porque o que está ruim ainda pode piorar, e muito.
Mas pra não dizer que o meu ceticismo não deixou uma lasquinha de esperança, digo que só mudaremos essa realidade com muita luta de massas ocupando as ruas, e com muita consciência de classe.
* Rubens Marques, professor, é presidente da CUT/SE

* Rubens Marques

Sobre o 15 de Outubro, dia do professor, nós operários e operárias da educação não temos nada a comemorar, ao contrário, estamos passando por uma quadra das mais difíceis da história, não só por conta do arrocho salarial, até porque essa tem sido a nossa realidade, que teve um lapso de valorização nos governos Lula e Dilma principalmente por conta da implantação do Piso Salarial Nacional, que mesmo insuficiente, não deixou de ser um avanço, mas também porque a docência passou a ser profissão de risco, uma vez que a decomposição das relações sociais causadas pelo capitalismo cada vez mais predador e excludente, tem refletido nas salas de aula, e nós que nos formamos para lecionar somos obrigados a enfrentar situações que fogem a nossa competência, como a de psicólogo, pai, mãe etc.
O número de agressões verbais e físicas contra professores e professoras tem gerado medo e desencanto com a profissão, e isso é muito grave porque sem a educação uma sociedade não muda.
É preciso entender que os problemas da violência na escola não nascem lá, vem de fora, vem dos problemas sociais crônicos, vem da violência do estado contra as camadas mais vulneráveis, e terminam explodindo na sala de aula, na mão do professor e da professora.
Durante ataque com várias mortes em uma escola do interior de São Paulo o líder do governo Bolsonaro no senado sugeriu que nós professores usássemos armas para enfrentar a violência.
É trágico ou não, ouvir de uma autoridade um conselho desse? É possível que ele deva criar uma lei para premiar os professores que tirarem as melhores notas na escola de tiros.
Depois de 37 anos atuando como professor estou aguardando a tramitação da minha aposentadoria, e destaco que nesses longos anos nunca estive afastado da sala de aula, sempre cumpri a jornada integral, e encerrarei com o sentimento de que fiz o melhor que deu pra fazer, mas mesmo assim tenho acompanhado com tristeza a educação piorar ano a ano.
Desejo muita e sorte aos que continuarão, porque o que está ruim ainda pode piorar, e muito.
Mas pra não dizer que o meu ceticismo não deixou uma lasquinha de esperança, digo que só mudaremos essa realidade com muita luta de massas ocupando as ruas, e com muita consciência de classe.

* Rubens Marques, professor, é presidente da CUT/SE