AGRONORDESTE

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Publicada em 18/10/2019 às 22:21:00

 

* Manoel Moacir Costa Macêdo
A Região Nordeste é uma das cinco regiões geográficas do Brasil, com uma população de mais de 56 milhões de habitantes, equivalente à da Itália; um IDH médio, comparável a El Salvador; numa área de mais de um milhão e quinhentos mil quilômetros quadrados. Em comparação com as outras regiões, tem a segunda maior população, o terceiro maior território, o segundo maior colégio eleitoral, o menor IDH e o terceiro maior PIB. 
É a região brasileira com o maior número de estados, uma enorme desigualdade e uma história dominada pelo coronelismo, as intempéries da seca, o latifúndio improdutivo, o monocultivo e a resistência da "cerca". Apesar disso, possui potencialidades e riqueza, como energia, beleza, arte, aquíferos, terra, mineral, biodiversidade, mercado e um povo forte, alegre e empreendedor. Recentemente, o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento - MAPA lançou o "Plano AgroNordeste". Não é num plano de desenvolvimento estruturante, para reduzir a desigualdade e romper o atraso civilizatório, mas um plano setorial da agropecuária para os doze territórios nos estados nordestinos e parte de Minas Gerais, numa população rural de 1,7 milhão de nordestinos. 
O "AgroNordeste" propõe impulsionar os pequenos e médios produtores rurais. A meta é incrementar a renda entre 20% e 50% no médio prazo. Nessa etapa, foram selecionados, os territórios do Médio Mearim (MA), Alto Médio Canindé (PI), Sertões do Crateús e Inhamuns (CE), Vale do Jaguaribe (CE), Vale do Açu (RN), Cariri Paraíba (PB) e Moxotó (PE), Araripina (PE), Batalha (AL), Sergipana do São Francisco (SE), Irecê e Jacobina (BA), Januária (MG) e Salinas (MG), envolvendo 410 mil estabelecimentos com cadeias produtivas de potencial crescimento, a exemplo do arroz, leite, mel, frutas, ovinos, crustáceos, caprinos, mandioca, feijão, tomate, cebola e cachaça. No Estado de Sergipe estão incluídas a "bovinocultura de leite e a apicultura", em nove, dos 75 munícipios sergipanos, numa população de 82 mil habitantes, e restrito ao "Território Sergipano do São Francisco". 
A escolha dos territórios considerou o clima, solo, recursos naturais, situação agrária, infraestrutura e situação socioeconômica das localidades. Também, incorpora outras ações executadas pelo MAPA na região. O objetivo é aumentar a assistência técnica, ampliar o acesso ao mercado, promover e fortalecer a organização dos produtores, garantir segurança hídrica e desenvolver produtos com qualidade e valor agregado. Atualmente, menos de 10% das unidades rurais nordestinas recebem assistência técnica, 68% da população rural tem 45 anos ou mais, e quase um quarto da população rural adulta é analfabeta, afora o atual vazio demográfico. Estudos recentes mostram que a "questão da pobreza pode ser combatida de forma mais eficiente se dividida em questões menores e mais precisas em áreas como educação e saúde".
O "AgroNordeste" será liderado pelo MAPA, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) através do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o Banco do Nordeste (BNB) e o Banco do Brasil (BB). O Plano, carece do apoio das estruturas estaduais e municipais na concepção e operabilidade, em face das exclusivas competências, capilaridade e conhecimento da realidade local.
Espera-se que na "práxis" não seja um plano capturado pelos grupos de interesses da classe média, com feição urbana, mas alcance as populações pobres, vulneráveis e carentes do mundo rural nordestino. Que não seja um plano imediatista, na direção da histórica "indústria da seca", mas um "Plano de Estado" para romper a desigualdade, a miséria e a seca, persistentes desde o tempo imperial. Que o alcance das metas e objetivos do "AgroNordeste" possa negar o que escreveu um editorialista sergipano: "o governo federal está de costas para o nordeste [...] empenhado exclusivamente em tirar proveito ideológico. [A] falta de sensibilidade é flagrante". 
* Manoel Moacir Costa Macêdo
Engenheiro Agrônomo, PhD pela University of Sussex, Brigthon, Inglaterra

O "AgroNordeste" não é num plano de desenvolvimento estruturante, para reduzir a desigualdade e romper o atraso civilizatório, mas um plano setorial da agropecuária para os doze territórios nos estados nordestinos e parte de Minas Gerais, numa população rural de 1,7 milhão de nordestinos

* Manoel Moacir Costa Macêdo

A Região Nordeste é uma das cinco regiões geográficas do Brasil, com uma população de mais de 56 milhões de habitantes, equivalente à da Itália; um IDH médio, comparável a El Salvador; numa área de mais de um milhão e quinhentos mil quilômetros quadrados. Em comparação com as outras regiões, tem a segunda maior população, o terceiro maior território, o segundo maior colégio eleitoral, o menor IDH e o terceiro maior PIB. 
É a região brasileira com o maior número de estados, uma enorme desigualdade e uma história dominada pelo coronelismo, as intempéries da seca, o latifúndio improdutivo, o monocultivo e a resistência da "cerca". Apesar disso, possui potencialidades e riqueza, como energia, beleza, arte, aquíferos, terra, mineral, biodiversidade, mercado e um povo forte, alegre e empreendedor. Recentemente, o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento - MAPA lançou o "Plano AgroNordeste". Não é num plano de desenvolvimento estruturante, para reduzir a desigualdade e romper o atraso civilizatório, mas um plano setorial da agropecuária para os doze territórios nos estados nordestinos e parte de Minas Gerais, numa população rural de 1,7 milhão de nordestinos. 
O "AgroNordeste" propõe impulsionar os pequenos e médios produtores rurais. A meta é incrementar a renda entre 20% e 50% no médio prazo. Nessa etapa, foram selecionados, os territórios do Médio Mearim (MA), Alto Médio Canindé (PI), Sertões do Crateús e Inhamuns (CE), Vale do Jaguaribe (CE), Vale do Açu (RN), Cariri Paraíba (PB) e Moxotó (PE), Araripina (PE), Batalha (AL), Sergipana do São Francisco (SE), Irecê e Jacobina (BA), Januária (MG) e Salinas (MG), envolvendo 410 mil estabelecimentos com cadeias produtivas de potencial crescimento, a exemplo do arroz, leite, mel, frutas, ovinos, crustáceos, caprinos, mandioca, feijão, tomate, cebola e cachaça. No Estado de Sergipe estão incluídas a "bovinocultura de leite e a apicultura", em nove, dos 75 munícipios sergipanos, numa população de 82 mil habitantes, e restrito ao "Território Sergipano do São Francisco". 
A escolha dos territórios considerou o clima, solo, recursos naturais, situação agrária, infraestrutura e situação socioeconômica das localidades. Também, incorpora outras ações executadas pelo MAPA na região. O objetivo é aumentar a assistência técnica, ampliar o acesso ao mercado, promover e fortalecer a organização dos produtores, garantir segurança hídrica e desenvolver produtos com qualidade e valor agregado. Atualmente, menos de 10% das unidades rurais nordestinas recebem assistência técnica, 68% da população rural tem 45 anos ou mais, e quase um quarto da população rural adulta é analfabeta, afora o atual vazio demográfico. Estudos recentes mostram que a "questão da pobreza pode ser combatida de forma mais eficiente se dividida em questões menores e mais precisas em áreas como educação e saúde".
O "AgroNordeste" será liderado pelo MAPA, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) através do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o Banco do Nordeste (BNB) e o Banco do Brasil (BB). O Plano, carece do apoio das estruturas estaduais e municipais na concepção e operabilidade, em face das exclusivas competências, capilaridade e conhecimento da realidade local.
Espera-se que na "práxis" não seja um plano capturado pelos grupos de interesses da classe média, com feição urbana, mas alcance as populações pobres, vulneráveis e carentes do mundo rural nordestino. Que não seja um plano imediatista, na direção da histórica "indústria da seca", mas um "Plano de Estado" para romper a desigualdade, a miséria e a seca, persistentes desde o tempo imperial. Que o alcance das metas e objetivos do "AgroNordeste" possa negar o que escreveu um editorialista sergipano: "o governo federal está de costas para o nordeste [...] empenhado exclusivamente em tirar proveito ideológico. [A] falta de sensibilidade é flagrante". 

* Manoel Moacir Costa MacêdoEngenheiro Agrônomo, PhD pela University of Sussex, Brigthon, Inglaterra