Intensamente "Desnuda…"

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Um jorro
Um jorro

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Publicada em 22/10/2019 às 06:44:00

 

* Antonio Passos
Admiro o destemor de quem se expressa publicamente. Ainda mais quando a exposição é autobiográfica, soa sincera e revela tramas que normalmente não aparecem na superfície cotidiana do tecido social. Assim é o texto derramado por Claudia Vahle Franco nas páginas do livro 'Desnuda: um romance autobiográfico'.
Sofri insônia em uma noite de domingo, por conta de abalos em uma relação amorosa. Na noite seguinte não quis arriscar, fui tomar cerveja na rua para assegurar o sono. Dei no Jardim Secreto. Lá veio a mim um conhecido - Andinho! Lembrou-me ele - e me presenteou com um exemplar de "Desnuda…".
No início da leitura a abordagem ao tema me pareceu frívola. Todavia, no avançar das páginas revelou-se uma crescente densidade emotiva. Por outro lado, o texto tem ritmo e aprendi com escritores dos quais gosto que isso é uma das virtudes da escrita, seja poesia ou prosa. Tanto que não me pegou a preguiça na travessia entre a primeira e a última página. Todo o livro é um jorro expelido da explosão de fragilidades, intensificadas pelo medo da autora de ser preterida em meio a uma paixão.
Mas a escrita não é somente poética, no sentido de dar voz ao "eu" interior. O livro também narra muitas das coisas que circundam a personagem autobiográfica. Aí emerge outra característica - colateral, porém, insólita (entre nós) e, por isso, talvez instigante: a autora integra uma esfera que de modo geral só é descrita publicamente pela hagiografia das colunas sociais.
Para o proveito ou para o dano, o texto é totalmente espontâneo. E, assim como certa vez ouvi Ariosvaldo Figueiredo dizer do falar de Araripe Coutinho, digo agora da escrita de Claudia Vahle Franco: "tem fluência verbal". Além disso, a narrativa toca uma incontornável condição: independentemente de onde se esteja no mundo exterior há um mar interior em cada um… As vezes calmo, outras vezes não…
O prefaciador do livro e personagem central na trama diz que abriu um vinho após ter iniciado a leitura do texto ainda inédito. A dádiva de Dioniso rega diversos momentos da narrativa. Ao chegar ao capítulo 13, o último, também me abriguei em uma taça de vinho, de modo a propor um brinde imaginário à resolução da autora ao desnudar-se, assim, intensamente, por meio de uma escrita imediata, depois impressa com intenção literária.
*Antonio Passos é jornalista

* Antonio Passos

Admiro o destemor de quem se expressa publicamente. Ainda mais quando a exposição é autobiográfica, soa sincera e revela tramas que normalmente não aparecem na superfície cotidiana do tecido social. Assim é o texto derramado por Claudia Vahle Franco nas páginas do livro 'Desnuda: um romance autobiográfico'.
Sofri insônia em uma noite de domingo, por conta de abalos em uma relação amorosa. Na noite seguinte não quis arriscar, fui tomar cerveja na rua para assegurar o sono. Dei no Jardim Secreto. Lá veio a mim um conhecido - Andinho! Lembrou-me ele - e me presenteou com um exemplar de "Desnuda…".
No início da leitura a abordagem ao tema me pareceu frívola. Todavia, no avançar das páginas revelou-se uma crescente densidade emotiva. Por outro lado, o texto tem ritmo e aprendi com escritores dos quais gosto que isso é uma das virtudes da escrita, seja poesia ou prosa. Tanto que não me pegou a preguiça na travessia entre a primeira e a última página. Todo o livro é um jorro expelido da explosão de fragilidades, intensificadas pelo medo da autora de ser preterida em meio a uma paixão.
Mas a escrita não é somente poética, no sentido de dar voz ao "eu" interior. O livro também narra muitas das coisas que circundam a personagem autobiográfica. Aí emerge outra característica - colateral, porém, insólita (entre nós) e, por isso, talvez instigante: a autora integra uma esfera que de modo geral só é descrita publicamente pela hagiografia das colunas sociais.
Para o proveito ou para o dano, o texto é totalmente espontâneo. E, assim como certa vez ouvi Ariosvaldo Figueiredo dizer do falar de Araripe Coutinho, digo agora da escrita de Claudia Vahle Franco: "tem fluência verbal". Além disso, a narrativa toca uma incontornável condição: independentemente de onde se esteja no mundo exterior há um mar interior em cada um… As vezes calmo, outras vezes não…
O prefaciador do livro e personagem central na trama diz que abriu um vinho após ter iniciado a leitura do texto ainda inédito. A dádiva de Dioniso rega diversos momentos da narrativa. Ao chegar ao capítulo 13, o último, também me abriguei em uma taça de vinho, de modo a propor um brinde imaginário à resolução da autora ao desnudar-se, assim, intensamente, por meio de uma escrita imediata, depois impressa com intenção literária.

*Antonio Passos é jornalista