Uma questão de cultura e juízo

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Publicada em 21/06/2012 às 12:05:00

A letra da lei, sozinha, não pode quase nada. Não faltam exemplos na legislação brasileira a demonstrar a necessidade de atrelar a redação de qualquer norma estabelecida legalmente à educação do cidadão. Quatro anos de Lei Seca - com 4.815 autos de infração, 576 CNH's recolhidas e 1.131 veículos removidos nos primeiros seis meses contados a partir de sua vigência, somente em território sergipano - ainda não foram suficientes pra incutir juízo na cabeça dos motoristas irresponsáveis.
A Lei Federal 11.705 entrou em vigor em 19 de junho de 2008 e alterou a Lei 9.503, de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro, com a finalidade de estabelecer alcoolemia zero e impor penalidades mais severas para quem dirigir sob a influência de álcool. Embora não tenha mitigado completamente o hábito, portadores de argumentos mais tontos do que eles mesmos para justificar a barbeiragem ética, a Lei Seca já salvou uma infinidade de vidas.
Em alusão ao aniversário, a Companhia de Policiamento de Trânsito (CPTran), em parceria com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran/SE), realizaram ontem uma blitz educativa na Avenida Beira Mar. O objetivo era chamar a atenção dos condutores de veículos para a importância da fiscalização na redução dos acidentes de trânsito. Apesar dos resultados parciais ainda estarem relativamente baixos, ao menos em comparação com as estatísticas do ano passado, os órgãos de fiscalização esperam vencer a queda de braço travada todos os dias com a imprudência.
Não é fácil mudar um comportamento cultivado durante décadas a fio. Iniciativas como a Lei Seca, no entanto, respondem à urgência da causa. As mortes causadas por acidentes de trânsito nas ruas, estradas e rodovias brasileiras crescem com a velocidade de uma epidemia. Em Sergipe, infelizmente, a realidade não é diferente. Dados contabilizados pelo Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) divulgados no final do ano passado demonstram que nunca se morreu tanto em nossas vias públicas. Os números ficam ainda mais preocupantes quando nos damos conta de que eles estão relacionados à população economicamente ativa do país. Uma situação insustentável. É como se, aos poucos, construíssemos uma nação de mutilados.