Quase 900 toneladas de óleo foram recolhidas em Sergipe

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Tartaruga encontrada morta na Coroa do Meio
Tartaruga encontrada morta na Coroa do Meio

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Publicada em 29/10/2019 às 10:32:00

 

Milton Alves Júnior
Dados apresentados 
pela Administração 
Estadual do Meio Ambiente (Adema), mostram que até a tarde do último domingo (27), foram recolhidos do litoral sergipano 895,4 toneladas de petróleo cru. Quantidade já ultrapassa a capacidade de armazenamento do reservatório disponibilizado pela Petrobras localizado no povoado Alto do Jericó, no município sergipano de Carmópolis; o espaço, segundo o Governo Federal possui capacidade para acumular até 840 toneladas. Por já ter atingido o nível máximo, a empresa estatal está em busca de outro poço capaz de receber a descarga do produto tóxico de origem ainda não identificada. Todas as 17 praias do estado de Sergipe - uma extensão de 197 quilômetros - foram atingidas pelas manchas de óleo.
Além das faixas de areia, o mesmo tipo do produto também já foi identificado em oito rios, entre eles: Sergipe, Poxim, Vaza Barris e São Francisco. Somente entre a madrugada do último sábado e o final da manhã de ontem o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por meio da assessoria de comunicação do Projeto Tamar, informou que duas tartarugas da espécie Lepidochelys olivacea, conhecida como tartaruga oliva, foram encontradas mortas no litoral sergipano. Os técnicos ambientalistas disseram que, visualmente, os animais não possuíam manchas de óleo. Em decorrência do estágio avançado de decomposição, o Projeto Tamar não oficializou o motivo da morte.
Uma das preocupações ainda enfrentadas pelos órgãos que compõem o 'gabinete de crise' - criado pelo poder executivo estadual na tentativa de resolver o problema - está a falta de efetivo suficiente para recolher de forma versátil todo o óleo que segue surgindo no litoral sergipano. Na região Sul do estado, por exemplo, a faixa de areia é menor se comparada a Aracaju e isso tem contribuído para que a cada enchente da maré o óleo que não foi removido volte para o mar. Essa situação foi flagrada na tarde do último domingo em uma área da praia da Caueira, município de Itaporanga d'Ajuda. De acordo com o pescador João Batista, faltam agentes do governo, voluntários e equipamentos de proteção individual.
 "A maré enche, e quando seca fica fácil de ver o montante de manchas. O problema é que nessa hora deveria ter um batalhão de pessoas para limpar enquanto a maré está baixa. Como não tem, a água volta a subir de nível, chegar nessas pedras que protegem as casas e arrastar de volta parte desse óleo.  Impressão que passa é que, se continuar assim, sem uma preocupação do governo e sem pessoas para limpar a praia, o problema vai continuar por muitos meses", lamentou. Sobre o trabalho realizado, sobretudo por moradores e pescadores que dependem do mar para sustentar a família, ele destacou que proteções improvisadas estão sendo utilizadas a fim de não deixar o serviço de coleta parar integralmente.
 "A gente usa sacolas de mercadinho nos pés e nas mãos, mas de tanto arrastar na areia, elas acabam rasgando e o contato com o óleo é inevitável. O outro problema é que ninguém aqui recebeu botas ou aquelas luvas apropriadas. Aqui é todo mundo humilde, mas sabemos que o contato com essa gosma pode prejudicar a nossa pele, mas fazer o quê? Se a gente que mora aqui e depende da pesca não fizer, ninguém mais faz. Pra piorar, essa mesma situação está desde a ponte (Jornalista Joel Silveira), até a praia do Saco, em Estância", lamentou.
EPIs - No que se refere à falta de kits de proteção individual, conforme destacado pelo diretor-presidente da Adema, Gilvan Dias, até a manhã de ontem o Governo Federal - diferentemente do que havia prometido nas últimas duas semanas - não enviou para Sergipe os equipamentos necessários para realizar a coleta do óleo sem correr o risco de contato direto da pele com o produto. No primeiro momento o Ministério do Meio Ambiente prometeu 500 kits; em seguida, menos de uma semana depois, prometeu dobrar esse quantitativo. Até agora apenas 200 pacotes os quais foram doados pela iniciativa privada foram compartilhados com os agentes públicos e voluntários.
 "Não há como não lamentar essa ausência de equipamentos tão essenciais para o trabalho operacional que todo o povo nordestino tem realizado desde o início do mês passado, quando as primeiras manchas de óleo começaram a surgir. Esperamos que essa promessa do Governo Federal seja cumprida o mais rápido possível porque precisamos seguir lutando, na esperança de diminuir os grandes impactos que esse material já nos causou", declarou Gilvan Dias. Órgãos de proteção ao meio ambiente julgam a presença do óleo nas praias de todos os estados nordestinos como o impacto negativo de maior representatividade da história.

Milton Alves Júnior

Dados apresentados  pela Administração  Estadual do Meio Ambiente (Adema), mostram que até a tarde do último domingo (27), foram recolhidos do litoral sergipano 895,4 toneladas de petróleo cru. Quantidade já ultrapassa a capacidade de armazenamento do reservatório disponibilizado pela Petrobras localizado no povoado Alto do Jericó, no município sergipano de Carmópolis; o espaço, segundo o Governo Federal possui capacidade para acumular até 840 toneladas. Por já ter atingido o nível máximo, a empresa estatal está em busca de outro poço capaz de receber a descarga do produto tóxico de origem ainda não identificada. Todas as 17 praias do estado de Sergipe - uma extensão de 197 quilômetros - foram atingidas pelas manchas de óleo.
Além das faixas de areia, o mesmo tipo do produto também já foi identificado em oito rios, entre eles: Sergipe, Poxim, Vaza Barris e São Francisco. Somente entre a madrugada do último sábado e o final da manhã de ontem o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por meio da assessoria de comunicação do Projeto Tamar, informou que duas tartarugas da espécie Lepidochelys olivacea, conhecida como tartaruga oliva, foram encontradas mortas no litoral sergipano. Os técnicos ambientalistas disseram que, visualmente, os animais não possuíam manchas de óleo. Em decorrência do estágio avançado de decomposição, o Projeto Tamar não oficializou o motivo da morte.
Uma das preocupações ainda enfrentadas pelos órgãos que compõem o 'gabinete de crise' - criado pelo poder executivo estadual na tentativa de resolver o problema - está a falta de efetivo suficiente para recolher de forma versátil todo o óleo que segue surgindo no litoral sergipano. Na região Sul do estado, por exemplo, a faixa de areia é menor se comparada a Aracaju e isso tem contribuído para que a cada enchente da maré o óleo que não foi removido volte para o mar. Essa situação foi flagrada na tarde do último domingo em uma área da praia da Caueira, município de Itaporanga d'Ajuda. De acordo com o pescador João Batista, faltam agentes do governo, voluntários e equipamentos de proteção individual.
 "A maré enche, e quando seca fica fácil de ver o montante de manchas. O problema é que nessa hora deveria ter um batalhão de pessoas para limpar enquanto a maré está baixa. Como não tem, a água volta a subir de nível, chegar nessas pedras que protegem as casas e arrastar de volta parte desse óleo.  Impressão que passa é que, se continuar assim, sem uma preocupação do governo e sem pessoas para limpar a praia, o problema vai continuar por muitos meses", lamentou. Sobre o trabalho realizado, sobretudo por moradores e pescadores que dependem do mar para sustentar a família, ele destacou que proteções improvisadas estão sendo utilizadas a fim de não deixar o serviço de coleta parar integralmente.
 "A gente usa sacolas de mercadinho nos pés e nas mãos, mas de tanto arrastar na areia, elas acabam rasgando e o contato com o óleo é inevitável. O outro problema é que ninguém aqui recebeu botas ou aquelas luvas apropriadas. Aqui é todo mundo humilde, mas sabemos que o contato com essa gosma pode prejudicar a nossa pele, mas fazer o quê? Se a gente que mora aqui e depende da pesca não fizer, ninguém mais faz. Pra piorar, essa mesma situação está desde a ponte (Jornalista Joel Silveira), até a praia do Saco, em Estância", lamentou.

EPIs - No que se refere à falta de kits de proteção individual, conforme destacado pelo diretor-presidente da Adema, Gilvan Dias, até a manhã de ontem o Governo Federal - diferentemente do que havia prometido nas últimas duas semanas - não enviou para Sergipe os equipamentos necessários para realizar a coleta do óleo sem correr o risco de contato direto da pele com o produto. No primeiro momento o Ministério do Meio Ambiente prometeu 500 kits; em seguida, menos de uma semana depois, prometeu dobrar esse quantitativo. Até agora apenas 200 pacotes os quais foram doados pela iniciativa privada foram compartilhados com os agentes públicos e voluntários.
 "Não há como não lamentar essa ausência de equipamentos tão essenciais para o trabalho operacional que todo o povo nordestino tem realizado desde o início do mês passado, quando as primeiras manchas de óleo começaram a surgir. Esperamos que essa promessa do Governo Federal seja cumprida o mais rápido possível porque precisamos seguir lutando, na esperança de diminuir os grandes impactos que esse material já nos causou", declarou Gilvan Dias. Órgãos de proteção ao meio ambiente julgam a presença do óleo nas praias de todos os estados nordestinos como o impacto negativo de maior representatividade da história.