Os vândalos

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Publicada em 06/11/2019 às 05:28:00

 

*  Inocêncio Nóbrega
Vândalos, vandalismo, são palavras bastante usuais, especialmente por parte da imprensa nada responsável, nas referências a possíveis excessos de manifestações populares de rua. São empresas de comunicação raivosas, as quais têm no quietismo social o trunfo na manutenção do poder autoritário. Discorrem matérias denunciativas, na sua óptica chamam, ainda, de baderneiros e malfeitores a quem, por motivo de pura extravasão de sentimentos, danifique bens públicos ou privados. Presos, de início, dependendo da intensidade do ato, respondem a processos.
José Ingenieros sentencia: "O espírito quietista impõe à juventude três jugos: rotina nas ideias, hipocrisia na moral, domesticidade na ação. A sociedade é inimiga dos que perturbam as suas "mentiras vitais". Estão aí dois conceitos básicos, que bem qualificam o falso moralismo, de preservação da ordem, do respeito às leis e aos bons costumes. São partículas de frases de que se utiliza a mídia marrom a fim de arrefecerem a rebeldia dos povos, naqueles instantes em que seus direitos são subtraídos, quando não aniquilados. A lei, se justa, não deve ser superada pois implica na imoralidade, na insana busca de atropelar os nobres anseios da humanidade. É aí que entra a Justiça, a qual não deve ser imanente nem de resultados absolutos.
Os detentores de toga, mantenedores da civilização, porém escravos, como todos nós, da Constituição, não podem sobrepor suas convicções pessoais, ainda que jurisprudenciais, diante de preceitos, quanto mais se  erigidos pelo povo, legitimados pelos seus representantes. A Assembleia Constituinte, a qual culminou com a Carta Magna de 1988, ofereceu aos segmentos da população brasileira, sem restrições, oportunidade de encaminhar suas propostas. Eu, quando líder classista, junto a outros companheiros, demos nossas sugestões no que tange à estrutura sindical. Debatida, assim como as demais, na devida Subcomissão, transformaram-se no Art. 8º e seus parágrafos.
Essa a linha adotada na elaboração de cada ponto constitucional, estudados à exaustão. O tempo de se insurgir contra ele, por não lhe agradar, já passou, por especial quando se tratar de cláusula pétrea. Quem assim procede ou incita a seu desrespeito, se equipara a vândalo, a diferença está no colarinho branco. Má lição para a juventude, que neste mundo tecnológico assiste às suas manobras quietistas. Fui instruído no sentido de que devemos sempre nos perfilar ante um símbolo nacional. A Constituição é um desses emblemas, intangível. Danificá-la, traí-la é um desserviço à ordem democrática e ao País; imperdoável vandalismo, se considerarmos que parta de seus guardiães, que um dia juraram defendê-la.
*  Inocêncio Nóbrega é jornalista
inocnf@gmail.com

*  Inocêncio Nóbrega

Vândalos, vandalismo, são palavras bastante usuais, especialmente por parte da imprensa nada responsável, nas referências a possíveis excessos de manifestações populares de rua. São empresas de comunicação raivosas, as quais têm no quietismo social o trunfo na manutenção do poder autoritário. Discorrem matérias denunciativas, na sua óptica chamam, ainda, de baderneiros e malfeitores a quem, por motivo de pura extravasão de sentimentos, danifique bens públicos ou privados. Presos, de início, dependendo da intensidade do ato, respondem a processos.
José Ingenieros sentencia: "O espírito quietista impõe à juventude três jugos: rotina nas ideias, hipocrisia na moral, domesticidade na ação. A sociedade é inimiga dos que perturbam as suas "mentiras vitais". Estão aí dois conceitos básicos, que bem qualificam o falso moralismo, de preservação da ordem, do respeito às leis e aos bons costumes. São partículas de frases de que se utiliza a mídia marrom a fim de arrefecerem a rebeldia dos povos, naqueles instantes em que seus direitos são subtraídos, quando não aniquilados. A lei, se justa, não deve ser superada pois implica na imoralidade, na insana busca de atropelar os nobres anseios da humanidade. É aí que entra a Justiça, a qual não deve ser imanente nem de resultados absolutos.
Os detentores de toga, mantenedores da civilização, porém escravos, como todos nós, da Constituição, não podem sobrepor suas convicções pessoais, ainda que jurisprudenciais, diante de preceitos, quanto mais se  erigidos pelo povo, legitimados pelos seus representantes. A Assembleia Constituinte, a qual culminou com a Carta Magna de 1988, ofereceu aos segmentos da população brasileira, sem restrições, oportunidade de encaminhar suas propostas. Eu, quando líder classista, junto a outros companheiros, demos nossas sugestões no que tange à estrutura sindical. Debatida, assim como as demais, na devida Subcomissão, transformaram-se no Art. 8º e seus parágrafos.
Essa a linha adotada na elaboração de cada ponto constitucional, estudados à exaustão. O tempo de se insurgir contra ele, por não lhe agradar, já passou, por especial quando se tratar de cláusula pétrea. Quem assim procede ou incita a seu desrespeito, se equipara a vândalo, a diferença está no colarinho branco. Má lição para a juventude, que neste mundo tecnológico assiste às suas manobras quietistas. Fui instruído no sentido de que devemos sempre nos perfilar ante um símbolo nacional. A Constituição é um desses emblemas, intangível. Danificá-la, traí-la é um desserviço à ordem democrática e ao País; imperdoável vandalismo, se considerarmos que parta de seus guardiães, que um dia juraram defendê-la.

 *  Inocêncio Nóbrega é jornalistainocnf@gmail.com