UMA COISA TEM SEMPRE A VER COM OUTRA

Opinião

 

* Rômulo Rodrigues
O mundo ferve lá fora e aqui dentro a água evapora. Num supremo esforço de tentar ser convincente, vou divagando entre o que acontece na matriz, com as consequências nas filiais.
Partindo do clássico pressuposto de que é sempre a economia, estúpido. Então, vamos lá. Seria o cúmulo de ingenuidade imaginar que, a imprensa brasileira noticiasse com isenção o que realmente acontece e abala os Estados Unidos da América.
Só procurando com lupa em todo o noticiário geral é que dá para perceber que há uma crise na economia de lá e, como aqui, a questão do impeachment de Trump dá margem a pensar que não passa de uma tentativa de desvio de atenção da opinião pública.
Em crises da economia nada é improvável e tudo é possível; principalmente quando o ponto "G" está localizado na guerra comercial das duas maiores economias do planeta e, se descambar para o campo da Mais-Valia a China ganha de goleada.
O diretor executivo da Euro Pacific Capital, empresa especializada em mercados estrangeiros e segurança, acredita que o Banco Central Americano (FED) está só tentando atenuar a queda econômica dos EUA.
Um ato muito característico no contexto da guerra, acaba de ser formalizado no processo de impeachment de Trump na Câmara dos EUA, por 232 votos a favor e 196 contra.
A acusação não é tão frágil como uma simples Pedalada Fiscal: é de ter oferecido ajuda militar ao presidente da Ucrânia, no valor de US$ 391 milhões, por informações comprometedoras, sobre um dos filhos de Joe Biden, um dos principais candidatos nas prévias Democrata.
Ele poderá escapar no Senado, de folgada maioria dos Republicanos, mas até lá terá muito desgaste e tende a enfraquecer seu puxa saco mor Bolsonaro.
O enfraquecimento de Bolsonaro está registrado na pesquisa científica do IBOPE, realizada entre os dias 18 e 22 de Outubro, com 2002 entrevistas pessoais. Nela, 50% dos entrevistados responderam que não votariam no PSL "de jeito nenhum"; rejeição considerada altíssima para um Partido que acabou de ganhar uma eleição presidencial.
A rejeição maior ao PSL se concentra entre os mais pobres, com renda familiar de até 1 salário mínimo, entre os quais 55% responderam que não votariam de "jeito nenhum" em Bolsonaro.
A rejeição ao PSL nas capitais é de 55%; nas periferias, de 52%, e no interior, 48%. Entre as pessoas com mais de 55 anos, a rejeição ao PSL atingiu 55%.
A rejeição geral ao PT entre os entrevistados da pesquisa é de 43%. Entretanto, 27% dos entrevistados responderam que votariam "com certeza" neste partido e 17% responderam que poderiam votar.
É um percentual considerável, que varia entre 17% no Sul, 23% no Sudeste, até 42% no Nordeste.
A rejeição ao PT é muito alta, todavia, entre eleitores com renda acima de 5 salários mínimos, onde chega a 59%. Nas capitais, a rejeição ao partido é de 46%. Entre as pessoas autodenominadas de RaçaCor Branca, a rejeição ao PT é de 53%.
No Sudeste e no Sul, a rejeição ao PT é de 49%. Entre os eleitores mais pobres, com renda familiar até 1 salário mínimo, o PT tem ótimo desempenho: 40% responderam que votariam "com certeza" no partido, contra 30% que disseram que não votariam nele "de jeito nenhum".
A Pesquisa revela uma deterioração incrivelmente rápida da imagem do PSL, legenda do Presidente da República, Jair Bolsonaro, que ganhou o segundo turno das eleições há exatamente 1 ano.
A Pesquisa também mostra uma Resiliência grande do PT, em todas as Regiões e faixas de renda, com destaque para as faixas dos cidadãos mais pobres.
A rejeição ao PT entre eleitores com renda familiar acima de 5 Salários Mínimos é o ponto fraco do partido, como ficou claro nas eleições do ano passado.
Esse não é um eleitorado "De Elite", e sim, composto, em sua maioria, de famílias de renda modesta, mas que parecem separados, por um poço profundo, da cultura dos cidadãos com renda inferior.
Entretanto, essa imensa massa de manobra, que foi inoculada com o veneno do ódio ao PT, encontra-se no imenso dilema de apoiar quem lhe tirou a possibilidade de comprar a primeira casa ou, a segunda um pouco melhor, trocar de carro a cada 2 ou 3 anos, viajar de Avião nas férias com a família e ver seus filhos sonharem com as Universidades, além de estenderem seu tempo para se aposentar.
Vai ter um momento em que vão acordar e ver o que está acontecendo no Equador e no Chile e quais as reações.
Com um achatamento real de 20% no Salário Mínimo, após o golpe, e o rápido declínio do PIB per capita, as faixas de 1 até 5 Salários Mínimos estão sofrendo um ritmo veloz de empobrecimento e a qualquer momento vão explodir nas Ruas e o papel das Esquerdas vai ser o de darem a direção.
No momento em que a Onda no Continente Sul americano toma corpo para banir o Neoliberalismo, no Brasil, na contramão dos países irmãos, a estratégia dos rentistas, ainda é, Bolsonaro servindo para distrair o povo, enquanto aprofunda a crise na economia.
Segundo o presidente do Paraná Pesquisa alerta, é que as polêmicas AI-5, o bate boca com a imprensa e crises com o PSL formam cortinas de fumaças para esconder o assalto do leilão do Pré-sal, onde uma riqueza de R$ 3,2 trilhões vai ser vendida por R$ 100 bilhões.
* Rômulo Rodrigues é militante político

* Rômulo Rodrigues

O mundo ferve lá fora e aqui dentro a água evapora. Num supremo esforço de tentar ser convincente, vou divagando entre o que acontece na matriz, com as consequências nas filiais.
Partindo do clássico pressuposto de que é sempre a economia, estúpido. Então, vamos lá. Seria o cúmulo de ingenuidade imaginar que, a imprensa brasileira noticiasse com isenção o que realmente acontece e abala os Estados Unidos da América.
Só procurando com lupa em todo o noticiário geral é que dá para perceber que há uma crise na economia de lá e, como aqui, a questão do impeachment de Trump dá margem a pensar que não passa de uma tentativa de desvio de atenção da opinião pública.
Em crises da economia nada é improvável e tudo é possível; principalmente quando o ponto "G" está localizado na guerra comercial das duas maiores economias do planeta e, se descambar para o campo da Mais-Valia a China ganha de goleada.
O diretor executivo da Euro Pacific Capital, empresa especializada em mercados estrangeiros e segurança, acredita que o Banco Central Americano (FED) está só tentando atenuar a queda econômica dos EUA.
Um ato muito característico no contexto da guerra, acaba de ser formalizado no processo de impeachment de Trump na Câmara dos EUA, por 232 votos a favor e 196 contra.
A acusação não é tão frágil como uma simples Pedalada Fiscal: é de ter oferecido ajuda militar ao presidente da Ucrânia, no valor de US$ 391 milhões, por informações comprometedoras, sobre um dos filhos de Joe Biden, um dos principais candidatos nas prévias Democrata.
Ele poderá escapar no Senado, de folgada maioria dos Republicanos, mas até lá terá muito desgaste e tende a enfraquecer seu puxa saco mor Bolsonaro.
O enfraquecimento de Bolsonaro está registrado na pesquisa científica do IBOPE, realizada entre os dias 18 e 22 de Outubro, com 2002 entrevistas pessoais. Nela, 50% dos entrevistados responderam que não votariam no PSL "de jeito nenhum"; rejeição considerada altíssima para um Partido que acabou de ganhar uma eleição presidencial.
A rejeição maior ao PSL se concentra entre os mais pobres, com renda familiar de até 1 salário mínimo, entre os quais 55% responderam que não votariam de "jeito nenhum" em Bolsonaro.
A rejeição ao PSL nas capitais é de 55%; nas periferias, de 52%, e no interior, 48%. Entre as pessoas com mais de 55 anos, a rejeição ao PSL atingiu 55%.
A rejeição geral ao PT entre os entrevistados da pesquisa é de 43%. Entretanto, 27% dos entrevistados responderam que votariam "com certeza" neste partido e 17% responderam que poderiam votar.
É um percentual considerável, que varia entre 17% no Sul, 23% no Sudeste, até 42% no Nordeste.A rejeição ao PT é muito alta, todavia, entre eleitores com renda acima de 5 salários mínimos, onde chega a 59%. Nas capitais, a rejeição ao partido é de 46%. Entre as pessoas autodenominadas de RaçaCor Branca, a rejeição ao PT é de 53%.
No Sudeste e no Sul, a rejeição ao PT é de 49%. Entre os eleitores mais pobres, com renda familiar até 1 salário mínimo, o PT tem ótimo desempenho: 40% responderam que votariam "com certeza" no partido, contra 30% que disseram que não votariam nele "de jeito nenhum".
A Pesquisa revela uma deterioração incrivelmente rápida da imagem do PSL, legenda do Presidente da República, Jair Bolsonaro, que ganhou o segundo turno das eleições há exatamente 1 ano.
A Pesquisa também mostra uma Resiliência grande do PT, em todas as Regiões e faixas de renda, com destaque para as faixas dos cidadãos mais pobres.
A rejeição ao PT entre eleitores com renda familiar acima de 5 Salários Mínimos é o ponto fraco do partido, como ficou claro nas eleições do ano passado.
Esse não é um eleitorado "De Elite", e sim, composto, em sua maioria, de famílias de renda modesta, mas que parecem separados, por um poço profundo, da cultura dos cidadãos com renda inferior.
Entretanto, essa imensa massa de manobra, que foi inoculada com o veneno do ódio ao PT, encontra-se no imenso dilema de apoiar quem lhe tirou a possibilidade de comprar a primeira casa ou, a segunda um pouco melhor, trocar de carro a cada 2 ou 3 anos, viajar de Avião nas férias com a família e ver seus filhos sonharem com as Universidades, além de estenderem seu tempo para se aposentar.
Vai ter um momento em que vão acordar e ver o que está acontecendo no Equador e no Chile e quais as reações.
Com um achatamento real de 20% no Salário Mínimo, após o golpe, e o rápido declínio do PIB per capita, as faixas de 1 até 5 Salários Mínimos estão sofrendo um ritmo veloz de empobrecimento e a qualquer momento vão explodir nas Ruas e o papel das Esquerdas vai ser o de darem a direção.
No momento em que a Onda no Continente Sul americano toma corpo para banir o Neoliberalismo, no Brasil, na contramão dos países irmãos, a estratégia dos rentistas, ainda é, Bolsonaro servindo para distrair o povo, enquanto aprofunda a crise na economia.
Segundo o presidente do Paraná Pesquisa alerta, é que as polêmicas AI-5, o bate boca com a imprensa e crises com o PSL formam cortinas de fumaças para esconder o assalto do leilão do Pré-sal, onde uma riqueza de R$ 3,2 trilhões vai ser vendida por R$ 100 bilhões.

* Rômulo Rodrigues é militante político

 


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