Professor Dudu deixa a presidência da CUT

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  • PROFESSOR DUDU DISCURSA DURANTE MANIFESTAÇÃO EM ARACAJU

  • O professor Dudu discursa durante manifestação

 

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) começou a fazer na sexta-feira o seu 14º Congresso Estadual (CECUT), que reúne seus militantes para eleger a nova direção e aprovar a estratégia de luta sindical para os próximos anos. Rubens Marques, mais conhecido 'Professor Dudu', deixa a presidência da CUT após 10 anos de mandato. Nesta entrevista, ele faz um balanço do mandato uma avaliação geral da realidade atual e traça perspectivas de futuro da luta sindical no Brasil e em Sergipe. Veja agora os principais trechos:
Quais os principais desafios que a CUT enfrentou em Sergipe neste último mandato?
Desde a Ditadura Militar de 1964, principalmente a CUT - por ser a maior central sindical do Brasil - nunca passou por tantas dificuldades e desafios. Pela primeira vez na história do Brasil, um presidente da República tem a Central Única dos Trabalhadores como alvo. Ele verbaliza o nome da CUT como inimiga e tem uma conduta de perseguição aos sindicatos. Bolsonaro foi capaz de extinguir o Ministério do Trabalho, órgão que dialogava diretamente com a classe trabalhadora, para afetar a organização dos trabalhadores. Em outros governos a gente brigava para ampliar direitos, mesmo na ditadura. Neste último mandato da CUT fizemos luta e resistência contra os ataques aos direitos dos trabalhadores. É o governo que mais atacou e continua atacando os direitos dos trabalhadores. Só o fato de conseguirmos resistir a todos estes ataques e sobreviver já foi uma grande vitória.
A carteira verde e amarela proposta por Bolsonaro significa uma nova reforma trabalhista e nova reforma da previdência, atingindo direitos e gerando consequências nefastas para os trabalhadores e trabalhadoras brasileiras. Esta nova ofensiva pode impulsionar uma nova greve geral?
Sobre a carteira verde e amarela, isso é uma tragédia. Ela impacta na Previdência, por exemplo. Se não tem contribuição, vai esvaziar o fundo previdenciário. É uma semi-escravidão. É uma pena que a classe trabalhadora tenha que virar cinza para ressurgir como uma 'fênix'. Vou repetir: o exemplo da Venezuela, Argentina, Chile e Bolívia pode ser absorvido pela classe trabalhadora brasileira. É uma pena que a reação não seja à altura do que se merece.
Quando você assumiu a CUT, qual era sua principal preocupação?
Era conseguir fazer com que a CUT continuasse crescendo sem abrir mão de seus princípios. Eu gostaria de destacar: se tem alguma coisa que ninguém pode falar sobre a CUT Sergipe é da autonomia. Na CUT quem manda é os trabalhadores. Já houve tentativa de fazer da CUT correia de transmissão para outros partidos políticos, mas nós não deixamos. Pra você ter uma ideia, desde o tempo em que eu tô aqui na CUT, nenhum governador veio fazer comício, porque na verdade não vem em tempo nenhum e quando chega a eleição não dá pra querer visitar a CUT, apresentar a plataforma, nem governador, nem senador, nem deputado, nem ninguém. No nosso mandato, o espaço continua sendo da classe trabalhadora, mantivemos nossa autonomia. E quando foi para criticar, criticamos. Inclusive criticamos o governo Marcelo Déda que na juventude chegou a ser advogado da CUT. Nem no governo dele, a CUT perdeu a sua independência. Pelo contrário, a CUT fez uma disputa clara e aberta para mostrar que entre o governo e a classe trabalhadora, nós estamos com a classe trabalhadora sempre e vamos terminar o mandato desta forma com autonomia para cobrar. O nosso papel é esse, não é outro. Autonomia não se negocia.
Qual é a CUT que neste momento você está deixando para o próximo presidente que vai assumir vencendo as eleições no Congresso Estadual?
A CUT nos últimos anos fez o dever de casa. É bom lembrar que sempre foi uma central respeitada não só pelo meu mandato, mas desde sua fundação e sempre teve uma pegada muito forte pela esquerda. Eu fui vice de Antônio Góis, urbanitário da Deso. Aprendi muito com ele e de vez em quando ainda tenho ligado para pedir orientação. A minha primeira preocupação como presidente era manter a CUT respeitada, proativa, que protagonizasse as lutas em Sergipe, não por se achar melhor que ninguém, do que outras centrais, mas pela responsabilidade de sermos maiores, abrigando o maior número de sindicatos filiados. E nós conseguimos. A CUT que a gente deixa para a próxima gestão aprendeu a construir a unidade respeitando as diferenças. É uma CUT que sabe ser maioria sem ser arrogante. Este é o maior problema, tanto é que a gente consegue dialogar com centrais com menor número de sindicatos filiados, mas o tratamento é o mesmo. A gente reconhece a importância delas. A CUT sozinha, por exemplo, não teria conseguido sucesso na greve geral. Só teve sucesso porque teve a CTB, UGT, a CSP Com Lutas dividindo tarefas. Cada um na sua trincheira. Então o grande legado que a nossa gestão deixa é de uma CUT respeitada, um canal aberto pra dialogar com o movimento sindical, mas também com o movimento social, como o MST, o movimento de moradia e tantos outros movimentos sociais de Sergipe.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) começou a fazer na sexta-feira o seu 14º Congresso Estadual (CECUT), que reúne seus militantes para eleger a nova direção e aprovar a estratégia de luta sindical para os próximos anos. Rubens Marques, mais conhecido 'Professor Dudu', deixa a presidência da CUT após 10 anos de mandato. Nesta entrevista, ele faz um balanço do mandato uma avaliação geral da realidade atual e traça perspectivas de futuro da luta sindical no Brasil e em Sergipe. Veja agora os principais trechos:

Quais os principais desafios que a CUT enfrentou em Sergipe neste último mandato?
Desde a Ditadura Militar de 1964, principalmente a CUT - por ser a maior central sindical do Brasil - nunca passou por tantas dificuldades e desafios. Pela primeira vez na história do Brasil, um presidente da República tem a Central Única dos Trabalhadores como alvo. Ele verbaliza o nome da CUT como inimiga e tem uma conduta de perseguição aos sindicatos. Bolsonaro foi capaz de extinguir o Ministério do Trabalho, órgão que dialogava diretamente com a classe trabalhadora, para afetar a organização dos trabalhadores. Em outros governos a gente brigava para ampliar direitos, mesmo na ditadura. Neste último mandato da CUT fizemos luta e resistência contra os ataques aos direitos dos trabalhadores. É o governo que mais atacou e continua atacando os direitos dos trabalhadores. Só o fato de conseguirmos resistir a todos estes ataques e sobreviver já foi uma grande vitória.

A carteira verde e amarela proposta por Bolsonaro significa uma nova reforma trabalhista e nova reforma da previdência, atingindo direitos e gerando consequências nefastas para os trabalhadores e trabalhadoras brasileiras. Esta nova ofensiva pode impulsionar uma nova greve geral?
Sobre a carteira verde e amarela, isso é uma tragédia. Ela impacta na Previdência, por exemplo. Se não tem contribuição, vai esvaziar o fundo previdenciário. É uma semi-escravidão. É uma pena que a classe trabalhadora tenha que virar cinza para ressurgir como uma 'fênix'. Vou repetir: o exemplo da Venezuela, Argentina, Chile e Bolívia pode ser absorvido pela classe trabalhadora brasileira. É uma pena que a reação não seja à altura do que se merece.

Quando você assumiu a CUT, qual era sua principal preocupação?
Era conseguir fazer com que a CUT continuasse crescendo sem abrir mão de seus princípios. Eu gostaria de destacar: se tem alguma coisa que ninguém pode falar sobre a CUT Sergipe é da autonomia. Na CUT quem manda é os trabalhadores. Já houve tentativa de fazer da CUT correia de transmissão para outros partidos políticos, mas nós não deixamos. Pra você ter uma ideia, desde o tempo em que eu tô aqui na CUT, nenhum governador veio fazer comício, porque na verdade não vem em tempo nenhum e quando chega a eleição não dá pra querer visitar a CUT, apresentar a plataforma, nem governador, nem senador, nem deputado, nem ninguém. No nosso mandato, o espaço continua sendo da classe trabalhadora, mantivemos nossa autonomia. E quando foi para criticar, criticamos. Inclusive criticamos o governo Marcelo Déda que na juventude chegou a ser advogado da CUT. Nem no governo dele, a CUT perdeu a sua independência. Pelo contrário, a CUT fez uma disputa clara e aberta para mostrar que entre o governo e a classe trabalhadora, nós estamos com a classe trabalhadora sempre e vamos terminar o mandato desta forma com autonomia para cobrar. O nosso papel é esse, não é outro. Autonomia não se negocia.

Qual é a CUT que neste momento você está deixando para o próximo presidente que vai assumir vencendo as eleições no Congresso Estadual?
A CUT nos últimos anos fez o dever de casa. É bom lembrar que sempre foi uma central respeitada não só pelo meu mandato, mas desde sua fundação e sempre teve uma pegada muito forte pela esquerda. Eu fui vice de Antônio Góis, urbanitário da Deso. Aprendi muito com ele e de vez em quando ainda tenho ligado para pedir orientação. A minha primeira preocupação como presidente era manter a CUT respeitada, proativa, que protagonizasse as lutas em Sergipe, não por se achar melhor que ninguém, do que outras centrais, mas pela responsabilidade de sermos maiores, abrigando o maior número de sindicatos filiados. E nós conseguimos. A CUT que a gente deixa para a próxima gestão aprendeu a construir a unidade respeitando as diferenças. É uma CUT que sabe ser maioria sem ser arrogante. Este é o maior problema, tanto é que a gente consegue dialogar com centrais com menor número de sindicatos filiados, mas o tratamento é o mesmo. A gente reconhece a importância delas. A CUT sozinha, por exemplo, não teria conseguido sucesso na greve geral. Só teve sucesso porque teve a CTB, UGT, a CSP Com Lutas dividindo tarefas. Cada um na sua trincheira. Então o grande legado que a nossa gestão deixa é de uma CUT respeitada, um canal aberto pra dialogar com o movimento sindical, mas também com o movimento social, como o MST, o movimento de moradia e tantos outros movimentos sociais de Sergipe.

 


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