Ações do PCC em Sergipe eram controladas de Roraima

Cidades

Gabriel Damásio
Novos desdobramen
tos da 'Operação 
Flashback', deflagrada nesta quinta-feira pelas polícias e ministérios públicos de nove estados, apontam que o núcleo sergipano da facção criminosa paulista PCC (Primeiro Comando da Capital) seria comandado a mais de 5.300 quilômetros de distância. Nesta sexta-feira, foi confirmada a prisão de Sara Barbosa de Oliveira, apontada como a "geral", cargo de liderança estadual que exercia o comando das atividades da facção em Sergipe, mas morava no estado de Roraima. Ela foi detida em Boa Vista, capital do estado, juntamente com o companheiro, um detento do regime semiaberto, que também comanda a facção naquele estado. As informações foram confirmadas ao JORNAL DO DIA pela Secretaria da Segurança Pública de Alagoas (SSP/AL), onde está concentrado o comando da operação.
 
Segundo os investigadores alagoanos, a acusada integrava a chamada "Linha Vermelha", instância da facção onde se concentram todas as informações das atividades do PCC e determinava todas as regras que deveriam ser cumpridas pelos integrantes da facção, conforme o 'estatuto' dela. Dentro desta instância, era Sara quem mantinha contatos diretos com outros integrantes da facção em Aracaju e controlava diretamente todas as atividades da quadrilha, incluindo as execuções e assassinatos de integrantes de facções rivais, delatores, traficantes concorrentes ou mesmo pessoas inocentes que eram visadas pelos integrantes da facção. 
"Ela comandava tudo de Sergipe, diretamente de Roraima. A Sara era considerada a centralizadora, se houvesse chefes era a mais alta da hierarquia. O novo esposo dela está no semiaberto e uma das características dela é ser muito violenta. Sara era quem administrava o PCC, seção feminina de Roraima, já algum tempo. Era quem articulava mortes e podemos afirmar que, como chefe, é muito má", relata um dos investigadores da operação, ao confirmar que os assassinatos investigados pela 'Flashback' eram de total conhecimento da líder. 
A polícia ainda não confirma quantos assassinatos ao todo estão sendo investigados em Sergipe, mas já sabe que todos eles seguiam a modalidade de 'tribunal do crime', no qual os alvos da facção são presos, julgados, condenados e executados de acordo com as regras do Comando. De acordo com as investigações, todo o chamado 'julgamento' era acompanhado por telefone pelos 'gerais' da facção, que avaliavam a situação da vítima e, na maioria dos casos, determinava os assassinatos. A imprensa alagoana divulgou trechos de gravações autorizadas pela Justiça, na qual um líder da facção manda os comandados amarrarem uma pessoa, rasgarem suas roupas e a executarem com tiros na cabeça. 
Apesar da liderança em Sergipe partir de Roraima, a Flaskback apurou que a 'Linha Vermelha' é ligada a um núcleo do PCC baseado em Mato Grosso do Sul e liderado por um traficante conhecido como 'Maré Alta', apontado como sucessor do líder máximo da facção, Marcos Willians Herbas Camacho, o 'Marcola', atualmente preso na Penitenciária Federal de Porto Velho (RO). Segundo a polícia, boa parte das ordens para essas execuções teriam sido partido da base do PCC no MS e aconteceram em vários estados, mas a maior parte deles se deu em cidades e bairros da região de Maceió (AL), onde várias mortes foram investigadas.
As atividades da facção criminosa, fundada em 1993 no interior de São Paulo, se concentravam principalmente no tráfico de drogas e de armas em vários estados, tendo se estendido para a exploração e a venda ilegal de ouro em Roraima - estado onde o companheiro de Sara foi preso em outra operação da polícia local. Em outros locais, os faccionados praticavam assaltos a bancos, roubos de cargas e crimes de pistolagem, cometidos com o objetivo de levantar recursos para a facção. Boa parte destas atividades são acompanhadas diretamente dos sistemas penitenciários estaduais, onde muitos integrantes da facção são recrutados e passam a orientar as atividades de integrantes que estão nas ruas. 
Agora, com a prisão do casal em Roraima, a Flashback já soma 83 presos, de um total de 110 mandados judiciais expedidos para cumprimento em nove estados: Sergipe, Alagoas, Roraima, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, São Paulo e Tocantins. 
Aqui em Sergipe, foram expedidos cinco mandados de prisão, dos quais quatro foram cumpridos. Um dos alvos, Jeferson Ferreira Santos, o 'Coringa', morreu em um tiroteio com equipes do Comando de Operações Especiais (COE), ocorrido em Simão Dias. Ele foi socorrido e encaminhado ao Hospital de Lagarto, mas não resistiu e evoluiu a óbito. O armamento utilizado por Jeferson, um revólver calibre 32, foi apreendido na ação. Em Itabaiana, no bairro São Cristóvão foram presos Matheus Fellipe Góis Araújo, o 'Lúcifer', e Iasmin de Jesus Sobral. Já em Malhada dos Bois, soldados do Grupo de Ações Táticas do Interior (Gati), prendeu um suspeito conhecido como 'Anjo da Morte'. E um quarto investigado teve seu mandado de prisão cumprido no Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan), em São Cristóvão.

Gabriel Damásio

Novos desdobramen tos da 'Operação  Flashback', deflagrada nesta quinta-feira pelas polícias e ministérios públicos de nove estados, apontam que o núcleo sergipano da facção criminosa paulista PCC (Primeiro Comando da Capital) seria comandado a mais de 5.300 quilômetros de distância. Nesta sexta-feira, foi confirmada a prisão de Sara Barbosa de Oliveira, apontada como a "geral", cargo de liderança estadual que exercia o comando das atividades da facção em Sergipe, mas morava no estado de Roraima. Ela foi detida em Boa Vista, capital do estado, juntamente com o companheiro, um detento do regime semiaberto, que também comanda a facção naquele estado. As informações foram confirmadas ao JORNAL DO DIA pela Secretaria da Segurança Pública de Alagoas (SSP/AL), onde está concentrado o comando da operação. Segundo os investigadores alagoanos, a acusada integrava a chamada "Linha Vermelha", instância da facção onde se concentram todas as informações das atividades do PCC e determinava todas as regras que deveriam ser cumpridas pelos integrantes da facção, conforme o 'estatuto' dela. Dentro desta instância, era Sara quem mantinha contatos diretos com outros integrantes da facção em Aracaju e controlava diretamente todas as atividades da quadrilha, incluindo as execuções e assassinatos de integrantes de facções rivais, delatores, traficantes concorrentes ou mesmo pessoas inocentes que eram visadas pelos integrantes da facção. 

"Ela comandava tudo de Sergipe, diretamente de Roraima. A Sara era considerada a centralizadora, se houvesse chefes era a mais alta da hierarquia. O novo esposo dela está no semiaberto e uma das características dela é ser muito violenta. Sara era quem administrava o PCC, seção feminina de Roraima, já algum tempo. Era quem articulava mortes e podemos afirmar que, como chefe, é muito má", relata um dos investigadores da operação, ao confirmar que os assassinatos investigados pela 'Flashback' eram de total conhecimento da líder. 
A polícia ainda não confirma quantos assassinatos ao todo estão sendo investigados em Sergipe, mas já sabe que todos eles seguiam a modalidade de 'tribunal do crime', no qual os alvos da facção são presos, julgados, condenados e executados de acordo com as regras do Comando. De acordo com as investigações, todo o chamado 'julgamento' era acompanhado por telefone pelos 'gerais' da facção, que avaliavam a situação da vítima e, na maioria dos casos, determinava os assassinatos. A imprensa alagoana divulgou trechos de gravações autorizadas pela Justiça, na qual um líder da facção manda os comandados amarrarem uma pessoa, rasgarem suas roupas e a executarem com tiros na cabeça. 

Apesar da liderança em Sergipe partir de Roraima, a Flaskback apurou que a 'Linha Vermelha' é ligada a um núcleo do PCC baseado em Mato Grosso do Sul e liderado por um traficante conhecido como 'Maré Alta', apontado como sucessor do líder máximo da facção, Marcos Willians Herbas Camacho, o 'Marcola', atualmente preso na Penitenciária Federal de Porto Velho (RO). Segundo a polícia, boa parte das ordens para essas execuções teriam sido partido da base do PCC no MS e aconteceram em vários estados, mas a maior parte deles se deu em cidades e bairros da região de Maceió (AL), onde várias mortes foram investigadas.

As atividades da facção criminosa, fundada em 1993 no interior de São Paulo, se concentravam principalmente no tráfico de drogas e de armas em vários estados, tendo se estendido para a exploração e a venda ilegal de ouro em Roraima - estado onde o companheiro de Sara foi preso em outra operação da polícia local. Em outros locais, os faccionados praticavam assaltos a bancos, roubos de cargas e crimes de pistolagem, cometidos com o objetivo de levantar recursos para a facção. Boa parte destas atividades são acompanhadas diretamente dos sistemas penitenciários estaduais, onde muitos integrantes da facção são recrutados e passam a orientar as atividades de integrantes que estão nas ruas. 

Agora, com a prisão do casal em Roraima, a Flashback já soma 83 presos, de um total de 110 mandados judiciais expedidos para cumprimento em nove estados: Sergipe, Alagoas, Roraima, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, São Paulo e Tocantins. 
Aqui em Sergipe, foram expedidos cinco mandados de prisão, dos quais quatro foram cumpridos. Um dos alvos, Jeferson Ferreira Santos, o 'Coringa', morreu em um tiroteio com equipes do Comando de Operações Especiais (COE), ocorrido em Simão Dias. Ele foi socorrido e encaminhado ao Hospital de Lagarto, mas não resistiu e evoluiu a óbito. O armamento utilizado por Jeferson, um revólver calibre 32, foi apreendido na ação. Em Itabaiana, no bairro São Cristóvão foram presos Matheus Fellipe Góis Araújo, o 'Lúcifer', e Iasmin de Jesus Sobral. Já em Malhada dos Bois, soldados do Grupo de Ações Táticas do Interior (Gati), prendeu um suspeito conhecido como 'Anjo da Morte'. E um quarto investigado teve seu mandado de prisão cumprido no Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan), em São Cristóvão.


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