CUT prepara greve geral contra previdência estadual

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  • DURANTE CONGRESSO REALIZADO NO FINAL DE SEMANA, CENTRAL DECIDIU QUE NÃO ACEITARÁ A REFORMA DA PREVIDÊNCIA ESTADUAL

Milton Alves Júnior

Reunidos no 14º Congresso Estadual da Central Única dos Trabalhadores, em Aracaju, sindicalistas sergipanos defenderam a elaboração de atos contra projeto de reforma da previdência estadual em análise pelo Governo de Sergipe, e já oficializado pelo governador Belivaldo Chagas (PSD). Em debate intenso realizado entre a noite da última sexta-feira, 29 de novembro, e a manhã de domingo, 1º de dezembro, na sede do Sindicato dos Profissionais do Ensino do Município de Aracaju (Sindipema), os trabalhadores pretendem ainda neste ano dialogar com os 24 deputados estaduais para que optem por derrubar e reprovar o texto encaminhado para apreciação na Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe (Alese).

Como resultado desse princípio de mobilização, mesmo com postura ainda precavida e distante do ideal apresentado pelas classes trabalhadoras, na manhã de ontem o presidente estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), deputado federal João Daniel, informou que possui conhecimento a respeito da proposta de reforma estadual, mas que ainda avalia como 'cedo' para se pronunciar oficialmente sobre os tópicos a serem estudados na Casa Legislativa. Com isso, o partido que possui maior índice de filiados em sindicatos e, consecutivamente, à CUT, segue neutro na discussão. O parlamentar federal enalteceu ainda que Belivaldo Chagas é aliado do grupo, e que não acredita em mudanças que gerem prejuízos aos trabalhadores.

 "Somos aliados do governador. Não acredito que a Reforma traga problemas aos servidores estaduais sergipanos, mas aguardaremos o Projeto, para nos debruçarmos e entendermos seus detalhes. O que podemos destacar é que faremos uma análise minuciosa do que será apresentado para anunciarmos se iremos apoiar, ou não", declarou João Daniel que votou contra a reforma previdenciária nacional apresentada no início do semestre passado pelo presidente Jair Bolsonaro. Ainda de acordo com o líder petista: "recebemos informações que apesar da proposta, a reforma da previdência em Sergipe será diferente do contexto apresentado à Câmara dos Deputados, em Brasília, pelo Governo Federal. Estamos atentos, mas ainda é cedo para se manifestar."

Com postura mais próxima ao que desejam os mais de 200 representantes sindicais que se fizeram presente no congresso estadual, a vice-governadora Eliane Aquino (PT), reconheceu a necessidade de a sigla respeitar a respectiva linha histórica traçada desde o início dos anos 1980, e seguir em defesa integral das classes trabalhadoras. Mesmo hoje ocupando o cargo de gestão, Eliane Aquino garantiu que será contra qualquer iniciativa do próprio poder executiva estadual, caso visualize probabilidade de perda a ser sentida pelos sergipanos. Mesmo acreditando não ser necessário adentrar à discussão, na manhã de ontem a vice-governadora voltou a garantir que, caso tenha que optar entre governo ou interesse popular, estará ao lado dos trabalhadores.

"Não há como ser diferente. Enquanto liderança do Partido dos Trabalhadores, defendo que não abramos mão, em hipótese alguma, dos seus valores e princípios históricos, e, que, em relação a proposta de reforma da previdência, o partido deve ficar sempre ao lado dos trabalhadores. Ao longo dos dias estamos recebendo cobranças nesse sentido, e posso garantir que não terei posicionamento diferente do que desejam os sergipanos", declarou. Para o ex-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT/SE), Rubens Marques "Professor Dudu" - que deixou a presidência da sigla no último final de semana - existem pontos os quais divergem das posturas adotadas pelo Governo do Estado.

 "Se o problema do estado é a previdência, Belivaldo deveria abrir mão de uma das suas duas aposentadorias. Um governo que não cumpre com seu papel não pode penalizar os servidores. É um governo que enganou os trabalhadores. Durante a campanha ele foi convidado para debates e, em todos, disse que não faria nada sem conversar com os representantes dos trabalhadores. Quando se falava em reforma da previdência, ele dizia que não estava no radar do governo", disse. Em novembro o Governo do Estado de Sergipe informou que esse posicionamento apresentado pela direção da CUT tratava-se de um ato 'politico'.

Greve - Ficou deliberado no congresso que, caso o projeto de reforma previdenciária estadual inicie sua tramitação na Alese, os dirigentes sindicais voltarão a se reunir em caráter extraordinário a fim de discutir a possibilidade de deflagrar greve geral e por tempo indeterminado no Estado. A CUT hoje é formada por mais de 15 sindicatos, entre eles, professores das redes estadual e municipal (Aracaju), auditores fiscais, profissionais da saúde, do poder judiciário e da Indústria da Purificação e Distribuição de Água e Serviços de Esgotos do Estado de Sergipe.


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