Prefeitura realiza Cadastro Único itinerante em comunidades de religiões de matrizes africanas

Cidades


Para fortalecer o processo de inclusão e garantia de direitos de todos os cidadãos aracajuanos, a Prefeitura de Aracaju, por meio da Assistência Social de Aracaju, iniciou uma série de mutirões itinerantes de cadastramento de pessoas de religiões de matrizes africanas.

O objetivo da ação é garantir o acesso desse público a diversos programas sociais e concentrar o maior número informações para a criação e desenvolvimento de políticas públicas no município.
Ao todo, as equipes da Coordenadoria de Benefícios Assistenciais e Transferência de Renda da Assistência Social já passou por quatro centros religiosos de matrizes africanas. A última ação foi realizada no sábado, 30, no Centro Religioso Ilê Axé Dematá Ní Sahára, localizado no conjunto Augusto Franco.
O Cadastro Único é um instrumento que possibilita o acesso de cidadãos aos programas sociais do governo federal, como o Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC), Carteira do Idoso, Isenção de Taxas em Concursos Públicos, dentre outros.

De acordo com o gerente do Cadastro Único da Coordenadoria de Benefícios Assistenciais e Transferência de Renda da Assistência Social de Aracaju, Davi Ferreira, o número de pessoas que não se autodeclaravam como pertencentes de religiões de matrizes africanas era muito baixo, cerca de dez cadastros continham o reconhecimento.
"No preenchimento do cadastro existe um campo chamado "Grupos Tradicionais Específicos" e verificamos que não era preenchido. Nessas ações, notamos que muitas pessoas não se autodeclaravam como pertencentes de alguma religião de matriz africana. Pensando em facilitar o acesso deles aos benefícios garantidos por direito, promovemos essas ações itinerantes para realizar o cadastro, sensibilizá-los sobre a importância do CadÚnico e para dizer que existe essa marcação no qual podem se reconhecerem. Dessa forma, a gestão municipal consegue identificar as famílias, possibilitando a criação de políticas públicas voltadas para esse público", explica Davi.
Para o pedagogo, doutorando em Ciências da Educação pela Universidade Tecnológica Intercontinental do Paraguai (Utic) e babalorixá Fernando Kassideran, do Centro Religioso Ilê Axé Dematá Ní Sahára, o trabalho é um grande avanço para o processo de inclusão das pessoas de terreiro aos benefícios das políticas públicas municiais, estaduais e federais.

"Procuramos os filhos da casa que não tinham realizado o Cadastro Único para acessassem os seus direitos e se sentissem à vontade para declararem a sua identidade religiosa. Infelizmente, sofremos preconceitos devido à intolerância religiosa da sociedade e ações como essas mostram a preocupação da gestão de incluir a comunidade religiosa nas políticas públicas do município e que não precisamos ter medo de nos identificarmos", afirma.


COMPARTILHAR NAS REDES SOCIAIS