Líder em Roraima é nova estratégia do PCC, dizem promotores

Cidades


  • Sara Oliveira Barbosa foi presa em Roraima

O Ministério Público Estadual (MPE) deu novos detalhes sobre a investigação da 'Operação  Flashback', deflagrada na semana passada pelas polícias e ministérios públicos de nove estados. Ela apontou que o núcleo sergipano da facção criminosa paulista PCC era comandado por Sara Barbosa de Oliveira, 22 anos, presa na sexta-feira passada em Boa Vista (RR). Ela é de Japoatã (Baixo São Francisco), mas está alguns meses em Roraima e acompanha o seu atual namorado, um detento que também integra a facção, foi condenado naquele estado e está preso no regime semiaberto.

As investigações, coordenadas e articuladas pelo Ministério Público de Alagoas, descobriram que Sara exercia o total controle das atividades da facção em Sergipe, através de telefonemas e mensagens de redes sociais de internet, com ao quais mantinha contato com todos os principais integrantes do PCC em Sergipe, mesmo com os que estavam nos presídios sergipanos. Um dos cinco mandados da 'Operação Flashback' no estado foi cumprido no Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan), em São Cristóvão, onde também aconteceu a apreensão de sete aparelhos de celular e duas balanças de pesagem.

O promotor Jarbas Adelino, do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), explica que a 'liderança à distância' é uma nova estratégia da facção para controlar as atividades em um determinado estado sem ser descoberto pela polícia. "O PCC vem mudando a sua forma de atuação. Percebemos que ele está se dividindo em alas femininas e masculina, e ela chefiava a ala feminina, através desses meios de comunicação. Se um líder acima dela dá esse poder a ela, todos os que estão abaixo dela têm que obedecer às ordens determinadas, sob pena de sofrer as consequências da própria facção", disse ele, confirmando que Sara aguardava o companheiro ser libertado em Roraima para voltar a Sergipe.

A polícia ainda não confirma quantos assassinatos ao todo estão sendo investigados em Sergipe, mas já sabe que todos eles seguiam a modalidade de 'tribunal do crime', no qual os alvos da facção são presos, julgados, condenados e executados de acordo com as regras do Comando. As atividades da facção estão ligadas principalmente ao tráfico de drogas e aos assaltos. "Eles têm vários focos. É tráfico, droga, delitos comuns, assaltos... A facção tem um modus operandi gigante, eles têm que se diversificar para capilarizar e conseguir recursos. O nosso objetivo agora é identificar, mapear e neutralizar a atuação dessa facção aqui no estado", garante o coordenador do Gaeco, Fábio Mangueira, sobre os próximos passos da investigação no Estado.
A operação Flashback já soma 83 presos nos nove estados onde atuou: Sergipe, Alagoas, Roraima, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, São Paulo e Tocantins. (Gabriel Damásio)


COMPARTILHAR NAS REDES SOCIAIS