Planos do Planalto servem aos EUA: Bolsonaro segue a cartilha de Temer

Opinião

*JOÃO PEDRO STEDILE
O Brasil vive uma grave cri-
 se econômica, talvez a pior
 de toda a nossa história, que ganhou mais força a partir de 2014, resultado da lógica do funcionamento do capitalismo. Essa crise deriva de conjecturas, mas tem raízes nas nossas heranças históricas e perversas de total dependência de nossa economia ao capital internacional.

A situação econômica se transformou em crise social, porque os capitalistas jogaram todo o peso de suas mazelas sobre os trabalhadores e os mais pobres. Nunca tivemos índices tão alarmantes de desigualdade social (estamos empatados com a África do Sul, no último lugar do mundo) e de desemprego, atingindo 13 milhões e outros 33 milhões com trabalho precarizado. O deficit da moradia chegou a 8 milhões de casas. A fome e a miséria voltaram a atingir milhões de brasileiros. Nunca se viu tanta gente morando na rua.

As duas crises engendraram uma crise política. Os capitalistas tiveram que se apoderar do governo central, desrespeitando qualquer regra democrática para implementar seu plano. Assim, deram 1 golpe na presidente eleita Dilma Rousseff, como reconheceram nos últimos meses até seus algozes Michel Temer e Janaina Pascoal.
Além disso, impediram o Lula de ser candidato e o prenderam ilegalmente, com todas as maracutaias possíveis combinadas entre Ministério Público, o ex-juiz bolsonarista Sergio Moro e a Polícia Federal, como vieram à tona nas revelações do The Intercept, em parceria com a Folha, Veja, UOL e BandNews.
O golpe contou, inclusive, com apoio de articulações internacionais, via articuladores da campanha do Trump e interesses geopolíticos de Israel, que proporcionaram apoio, recursos tecnológicos, potentes computadores para consagrar a fraude da eleição de Bolsonaro.

Em artigo no jornal Valor, o General Eduardo Villas Bôas, então comandante do Exército, havia explicado didaticamente que o Brasil se parecia ao Titanic, em crise, afundando e sem comando, como que a defender 1 golpe contra o Comandante Supremo das Forças Armadas, a então presidente da República, Dilma Rousseff.
A metáfora era aplicável à situação brasileira, mas ele esqueceu de escrever que no Titanic, assim como o Brasil, a 1ª classe toma os botes salva-vidas para si, com a orquestra tocando, enquanto a 2ª e 3ª classes brigam e se afogam. Foi precisamente isso o que aconteceu no Brasil: eles tomaram os botes, que é o comando do país, para se salvar da crise econômica, implementando o plano do capital para jogar todo o peso sobre a classe trabalhadora, com a orquestra da Rede Globo distraindo a sociedade.
Qual o plano do grande capital que está sendo implementando rigorosamente desde Michel Temer e agora com Bolsonaro-Guedes?

A 1ª etapa do plano é apoderar privadamente dos nossos recursos naturais, que deveriam ser utilizados para resolver os problemas de toda a população. Assim, tomaram as reservas de petróleo e do gás, sua distribuição e ampliaram a exploração dos minérios, da água e da biodiversidade.
Agora, querem se apropriar ainda das fontes de água e da energia elétrica. Foi aprovada em 1ª instância no Senado, com grau de urgência, a liberação de venda das terras aos estrangeiros. Em 1 passado recente, as Forças Armadas eram contra, por ferir a soberania do país, mas cederam de forma submissa.
A 2ª parte do plano é tomar o controle de nossas empresas estatais que não são deficitárias e dão muito lucro- e é precisamente por isso que querem privatizar. Estão vendendo pedaços da Petrobras e prometem em breve entregar o Banco do Brasil, a Caixa, os Correios, a Eletrobras, a Embrapa, entre outras.

O 3º eixo do plano é tomar os recursos públicos, recolhidos na forma de impostos pelo Estado de toda a sociedade. O pacote de PECs entregue por Paulo Guedes ao Congresso é muito didático. Acaba com dezenas de fundos de proteção de diversas áreas sociais, repassa os recursos ao Tesouro para pagar juros da dívida pública, ou seja, remeter esses recursos aos bancos, boa parte estrangeiros.
A proposta de acabar com 1.200 municípios que seriam "muito custosos" está na mesma linha, tendo como objetivo eliminar serviços públicos básicos da educação e saúde, que chegam nas populações mais pobres do interior. Se uma prefeitura do interior é corrupta ou custosa, bastava limitar ganhos de vereadores e prefeitos, como até a ditadura militar havia feito.

O 4º objetivo do plano é destruir os direitos dos trabalhadores construídos com árduas lutas ao longo do século 20. Flexibilizaram os direitos trabalhistas e sindicais. Restringiram e cortaram os direitos previdenciários -sem eliminar nenhum privilégio dos ganhadores de altas aposentadorias. Agora, a sanha é tão grande que querem impor trabalho aos domingos, sem remuneração extra, e a contratação de jovens sem nenhum direito, dando benefícios de isenção fiscal às empresas que superexplorarem essas contratações.

Tudo isso está sendo feito com apoio total do empresariado e da mídia corporativa, como as redes de televisão. A Globo pode aqui e acolá criticar a família Bolsonaro por todas evidências de seus descalabros ditatoriais e vínculos com as milícias, porém apoia incondicionalmente o plano do grande capital gerenciado por Paulo Guedes.
No entanto, o que mais assusta nessa sanha incontrolável do grande capital é a ofensiva que estão fazendo contra o patrimônio público e a soberania nacional. Moro prendeu o Almirante Othon Pinheiro, acusando-o de corrupção, e enterrou o nosso projeto de submarino nuclear, que significava dominar tecnologia avançada. No futuro, saberemos porque ele mandou prender o almirante. A Marinha, lamentavelmente, engoliu calada, mesmo com inúmeras empresas da indústria naval sendo atingidas, o que acabou com esse setor no Brasil.

Temer entregou a Embraer. Com isso, o país abriu mão do conhecimento aeronáutico. Certamente, os projetos de engenharia em curso irão para Seatle, nos Estados Unidos. São José dos Campos, no interior de São Paulo, será apenas uma base montadora.
Agora, estão entregando a Base de Alcântara para os norte-americanos. O país abdicará do conhecimento aeroespacial, pois além de perder a base ficará proibido até de usar os recursos recebidos pelo aluguel em projetos aeroespaciais. Enquanto isso, o ministro da Ciência e Tecnologia segue por aí com a cabeça na lua vendendo camisetas de sua experiência e dando palestras de autoajuda.

Querem entregar também os Correios para a empresa Amazon, que já se candidatou para se apropriar de uma logística fabulosa construída durante 200 anos, e a Caixa, o único banco que chega a toda a população com seus programas de moradia, administrando o FGTS e a poupança popular.
O Brasil está sendo administrado por 1 bando de lúmpens a serviço dos interesses do capital norte-americano e apoiados por uma mídia antipopular e antinacional. Depois que a turma fizer o trabalho sujo, certamente virão com fórmulas popularescas de tentar enganar o povo mais uma vez com seus candidatos artistas… Até lá, espero que o povo brasileiro se levante e diga um basta a toda essa bandalheira!
João Pedro Stedile é dirigente do MST e da Frente Brasil Popular. É graduado em economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, e pós-graduado pela Universidade Nacional Autônoma do México. (Poder360)

*JOÃO PEDRO STEDILE

O Brasil vive uma grave cri- se econômica, talvez a pior  de toda a nossa história, que ganhou mais força a partir de 2014, resultado da lógica do funcionamento do capitalismo. Essa crise deriva de conjecturas, mas tem raízes nas nossas heranças históricas e perversas de total dependência de nossa economia ao capital internacional.
A situação econômica se transformou em crise social, porque os capitalistas jogaram todo o peso de suas mazelas sobre os trabalhadores e os mais pobres. Nunca tivemos índices tão alarmantes de desigualdade social (estamos empatados com a África do Sul, no último lugar do mundo) e de desemprego, atingindo 13 milhões e outros 33 milhões com trabalho precarizado. O deficit da moradia chegou a 8 milhões de casas. A fome e a miséria voltaram a atingir milhões de brasileiros. Nunca se viu tanta gente morando na rua.

As duas crises engendraram uma crise política. Os capitalistas tiveram que se apoderar do governo central, desrespeitando qualquer regra democrática para implementar seu plano. Assim, deram 1 golpe na presidente eleita Dilma Rousseff, como reconheceram nos últimos meses até seus algozes Michel Temer e Janaina Pascoal.
Além disso, impediram o Lula de ser candidato e o prenderam ilegalmente, com todas as maracutaias possíveis combinadas entre Ministério Público, o ex-juiz bolsonarista Sergio Moro e a Polícia Federal, como vieram à tona nas revelações do The Intercept, em parceria com a Folha, Veja, UOL e BandNews.
O golpe contou, inclusive, com apoio de articulações internacionais, via articuladores da campanha do Trump e interesses geopolíticos de Israel, que proporcionaram apoio, recursos tecnológicos, potentes computadores para consagrar a fraude da eleição de Bolsonaro.

Em artigo no jornal Valor, o General Eduardo Villas Bôas, então comandante do Exército, havia explicado didaticamente que o Brasil se parecia ao Titanic, em crise, afundando e sem comando, como que a defender 1 golpe contra o Comandante Supremo das Forças Armadas, a então presidente da República, Dilma Rousseff.
A metáfora era aplicável à situação brasileira, mas ele esqueceu de escrever que no Titanic, assim como o Brasil, a 1ª classe toma os botes salva-vidas para si, com a orquestra tocando, enquanto a 2ª e 3ª classes brigam e se afogam. Foi precisamente isso o que aconteceu no Brasil: eles tomaram os botes, que é o comando do país, para se salvar da crise econômica, implementando o plano do capital para jogar todo o peso sobre a classe trabalhadora, com a orquestra da Rede Globo distraindo a sociedade.
Qual o plano do grande capital que está sendo implementando rigorosamente desde Michel Temer e agora com Bolsonaro-Guedes?

A 1ª etapa do plano é apoderar privadamente dos nossos recursos naturais, que deveriam ser utilizados para resolver os problemas de toda a população. Assim, tomaram as reservas de petróleo e do gás, sua distribuição e ampliaram a exploração dos minérios, da água e da biodiversidade.
Agora, querem se apropriar ainda das fontes de água e da energia elétrica. Foi aprovada em 1ª instância no Senado, com grau de urgência, a liberação de venda das terras aos estrangeiros. Em 1 passado recente, as Forças Armadas eram contra, por ferir a soberania do país, mas cederam de forma submissa.
A 2ª parte do plano é tomar o controle de nossas empresas estatais que não são deficitárias e dão muito lucro- e é precisamente por isso que querem privatizar. Estão vendendo pedaços da Petrobras e prometem em breve entregar o Banco do Brasil, a Caixa, os Correios, a Eletrobras, a Embrapa, entre outras.

O 3º eixo do plano é tomar os recursos públicos, recolhidos na forma de impostos pelo Estado de toda a sociedade. O pacote de PECs entregue por Paulo Guedes ao Congresso é muito didático. Acaba com dezenas de fundos de proteção de diversas áreas sociais, repassa os recursos ao Tesouro para pagar juros da dívida pública, ou seja, remeter esses recursos aos bancos, boa parte estrangeiros.
A proposta de acabar com 1.200 municípios que seriam "muito custosos" está na mesma linha, tendo como objetivo eliminar serviços públicos básicos da educação e saúde, que chegam nas populações mais pobres do interior. Se uma prefeitura do interior é corrupta ou custosa, bastava limitar ganhos de vereadores e prefeitos, como até a ditadura militar havia feito.

O 4º objetivo do plano é destruir os direitos dos trabalhadores construídos com árduas lutas ao longo do século 20. Flexibilizaram os direitos trabalhistas e sindicais. Restringiram e cortaram os direitos previdenciários -sem eliminar nenhum privilégio dos ganhadores de altas aposentadorias. Agora, a sanha é tão grande que querem impor trabalho aos domingos, sem remuneração extra, e a contratação de jovens sem nenhum direito, dando benefícios de isenção fiscal às empresas que superexplorarem essas contratações.
Tudo isso está sendo feito com apoio total do empresariado e da mídia corporativa, como as redes de televisão. A Globo pode aqui e acolá criticar a família Bolsonaro por todas evidências de seus descalabros ditatoriais e vínculos com as milícias, porém apoia incondicionalmente o plano do grande capital gerenciado por Paulo Guedes.
No entanto, o que mais assusta nessa sanha incontrolável do grande capital é a ofensiva que estão fazendo contra o patrimônio público e a soberania nacional. Moro prendeu o Almirante Othon Pinheiro, acusando-o de corrupção, e enterrou o nosso projeto de submarino nuclear, que significava dominar tecnologia avançada. No futuro, saberemos porque ele mandou prender o almirante. A Marinha, lamentavelmente, engoliu calada, mesmo com inúmeras empresas da indústria naval sendo atingidas, o que acabou com esse setor no Brasil.
Temer entregou a Embraer. Com isso, o país abriu mão do conhecimento aeronáutico. Certamente, os projetos de engenharia em curso irão para Seatle, nos Estados Unidos. São José dos Campos, no interior de São Paulo, será apenas uma base montadora.

Agora, estão entregando a Base de Alcântara para os norte-americanos. O país abdicará do conhecimento aeroespacial, pois além de perder a base ficará proibido até de usar os recursos recebidos pelo aluguel em projetos aeroespaciais. Enquanto isso, o ministro da Ciência e Tecnologia segue por aí com a cabeça na lua vendendo camisetas de sua experiência e dando palestras de autoajuda.
Querem entregar também os Correios para a empresa Amazon, que já se candidatou para se apropriar de uma logística fabulosa construída durante 200 anos, e a Caixa, o único banco que chega a toda a população com seus programas de moradia, administrando o FGTS e a poupança popular.
O Brasil está sendo administrado por 1 bando de lúmpens a serviço dos interesses do capital norte-americano e apoiados por uma mídia antipopular e antinacional. Depois que a turma fizer o trabalho sujo, certamente virão com fórmulas popularescas de tentar enganar o povo mais uma vez com seus candidatos artistas… Até lá, espero que o povo brasileiro se levante e diga um basta a toda essa bandalheira!

João Pedro Stedile é dirigente do MST e da Frente Brasil Popular. É graduado em economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, e pós-graduado pela Universidade Nacional Autônoma do México. (Poder360)




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