À primeira vista

Geral


  • Um mergulho lírico na Rua da Frente

Rian Santos
riancalangodoido@yahoo.com.br
A conversa enjoada dos vernissages, o vocabulário empoado dos entendidos, cavaram um fosso profundo em redor das galerias de artes. Não é difícil imaginar a confusão de um desavisado atraído pelas filas imensas de uma bienal. Mais das vezes, nada ali soa familiar aos pobres mortais. Nem a literatura ruim que batiza boa parte das obras, nem as cismas acadêmicas dos catálogos e curadores, divorciadas da realidade. Sempre haverá artistas, no entanto, dispostos a dar de ombros para tanta palavrório. Bené Santana, por exemplo.

Quem visitar a mostra 'Peles D'água', a disposição dos curiosos na Galeria de Arte J Inácio, no pavimento superior da Biblioteca Epifânio Dória, dará de cara com uma alusão muito clara à paisagem de Aracaju. Em conjunto, o corpo material de cada trabalho tece um discurso visual francamente sofisticado, a respeito do direito à cidade e os impedimentos arquitetônicos. Mas além de evocar a silhueta de pedra dos edifícios que tomam o horizonte à vista, Bené também se atém ao salto dos meninos que se jogam de uma balaustrada para um rio imaginado - e realiza um mergulho lírico na Rua da Frente.

Não é a primeira vez que Bené procura inspiração nos sinais fechados da cidade. Há três anos, a mostra 'Pele de Vidro', uma reunião de gravuras impressas com nitrato de prata sobre a superfície de espelhos opacos, abrigada pela Sociedade Semear, enveredava por esse mesmo caminho. Naquela oportunidade, entretanto, o artista não me convenceu. Sua intenção, assim me pareceu, à época, não ganhou contorno bem definido. Desta vez, ao contrário, a sugestão é pronunciada em alto e bom som, não deixa margem para mal entendidos.
Triste do artista que insistir em se explicar, a fim de ser aceito, compreendido. Entre as vantagens da declaração pronunciada em forma de imagem, está a evidência física do argumento. Se, à primeira vista, o sujeito não diz nada com nada, cá entre nós, talvez já não se expresse em língua de gente.

A conversa enjoada dos  vernissages, o vocabu- lário empoado dos entendidos, cavaram um fosso profundo em redor das galerias de artes. Não é difícil imaginar a confusão de um desavisado atraído pelas filas imensas de uma bienal. Mais das vezes, nada ali soa familiar aos pobres mortais. Nem a literatura ruim que batiza boa parte das obras, nem as cismas acadêmicas dos catálogos e curadores, divorciadas da realidade. Sempre haverá artistas, no entanto, dispostos a dar de ombros para tanta palavrório. Bené Santana, por exemplo.
Quem visitar a mostra 'Peles D'água', a disposição dos curiosos na Galeria de Arte J Inácio, no pavimento superior da Biblioteca Epifânio Dória, dará de cara com uma alusão muito clara à paisagem de Aracaju. Em conjunto, o corpo material de cada trabalho tece um discurso visual francamente sofisticado, a respeito do direito à cidade e os impedimentos arquitetônicos. Mas além de evocar a silhueta de pedra dos edifícios que tomam o horizonte à vista, Bené também se atém ao salto dos meninos que se jogam de uma balaustrada para um rio imaginado - e realiza um mergulho lírico na Rua da Frente.

Não é a primeira vez que Bené procura inspiração nos sinais fechados da cidade. Há três anos, a mostra 'Pele de Vidro', uma reunião de gravuras impressas com nitrato de prata sobre a superfície de espelhos opacos, abrigada pela Sociedade Semear, enveredava por esse mesmo caminho. Naquela oportunidade, entretanto, o artista não me convenceu. Sua intenção, assim me pareceu, à época, não ganhou contorno bem definido. Desta vez, ao contrário, a sugestão é pronunciada em alto e bom som, não deixa margem para mal entendidos.
Triste do artista que insistir em se explicar, a fim de ser aceito, compreendido. Entre as vantagens da declaração pronunciada em forma de imagem, está a evidência física do argumento. Se, à primeira vista, o sujeito não diz nada com nada, cá entre nós, talvez já não se expresse em língua de gente.


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