Sertanejos criticam ajuda do governo federal

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No início desde mês, agricultores fecharam uma rodovia em Poço Redondo em protesto contra a falta de ajuda
No início desde mês, agricultores fecharam uma rodovia em Poço Redondo em protesto contra a falta de ajuda

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Publicada em 31/01/2013 às 02:57:00

Monique Oliveira
moniqueoliveira@jornaldodiase.com.br

"Os sertanejos estão cansados de tanto anúncio bonito". Foi com essa afirmação que Gilvan Alves de Melo, presidente da Associação dos Trabalhadores Rurais da Barra da Onça, em Poço Redondo, distante 170 quilômetros da capital sergipana, rebateu o anúncio da presidenta da República, Dilma Rousseff, em manter a ajuda aos sertanejos para garantir a recuperação dos municípios, além da liberação de recursos para investir em esgotos, creches, mobilidade urbana no valor de R$ 66,8 bilhões.

Ele ressaltou que os agricultores estão revoltados com a falta de apoio do Governo de Sergipe com relação à intermediação com o Banco do Nordeste para a liberação do crédito de emergência para minimizar a seca. Além disso, Gilvan Alves acredita que por que choveu há 14 dias todos estão achando que os sertanejos melhoraram.

"O gado e as famílias estão passando fome. Aqui, mais de 80% do rebanho morreu. Eu mesmo tinha 70 cabeças de gado e hoje tenho apenas 15. Estamos sendo obrigados a vender tudo porque não temos ajuda do Governo", lamentou o agricultor, acrescentando que com a liberação do beneficio os sertanejos poderiam comprar ração e plantar palma para os animais.
"Já que Déda trouxe Dilma para inaugurar a ponte, por que ele não veio até o Sertão para mostrar a situação do povo sertanejo?", indagou Gilvan Alves, ressaltando que a única preocupação dos gestores é com o Proinveste.

O presidente da Associação voltou a afirmar que as cestas de alimentos e a água distribuída pelo Exército e Defesa Civil não estão sendo suficientes para atender as necessidades dos sertanejos. "Só em Poço Redondo temos mais de sete mil famílias passando fome e sede. Não entendo o porquê de a Prefeitura aceitar a justificativa do Ministério Público e da Seides que as outras comunidades, só porque tem encanação, mas não têm água, não podem receber a água do Exército e nem as cestas de alimento. Essas mais de 2.600 cestas não são suficientes nem para amenizar o sofrimento dos sertanejos. Além disso, alguns agricultores não tiveram o benefício liberado pelo banco. Esse dinheiro minimizaria o sofrimento porque os agricultores poderiam pagar as contas no comércio e comprar ração para os animais", afirmou o trabalhador.

Gilvan Alves relatou que essa é a pior seca dos últimos tempos, onde a sede de Poço Redondo e assentamentos como Barra da Onça, Queimada Grande, Rancho Velho, Risada, Monte Alegre Velho, Novo Paraíso, Areias e todos que ficam às margens do rio São Francisco estão sobrevivendo em situações desumanas. Além desses, 65 famílias da comunidade Berro Grosso, na divisa com o estado da Bahia, estão passando fome e sede.