Márcio Macedo: \"Edvaldo fez suas escolhas, e o povo que julgue\"

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  • Márcio Macêdo discursa durante reunião do PT que aprovou a sua candidatura a prefeito

 

Com a sua decisão de sair pré-candidato, qual será a principal proposta que o senhor irá apresentar em sua campanha?
Nós estamos iniciando um processo. É claro que o PT já governou Aracaju e já governou o Brasil. Por isso, tem políticas públicas muito consistentes no nosso município, que são tanto do governo Lula quanto do governo da Dilma [Rousseff] e quanto dos governos de [Marcelo] Déda, na Prefeitura e no Estado. Então, nós podemos dizer que vamos fazer mais e melhor porque já fizemos. E fizemos bem aqui, com toda a humildade que se possa ter nessa frase. Então, nós vamos trabalhar. Primeiro, porque é importante dizer que Aracaju não é uma ilha e nem está suspensa. Ela faz parte de um estado brasileiro, uma unidade federativa que integra o Brasil. Nós temos que compreender que temos um projeto em curso no país, de redução de direitos, de entrega do patrimônio nacional, de sucateamento da educação e da saúde, de invasão dos direitos individuais da pessoa humana e de atentado contra a democracia. Nós vamos fazer é esse debate, e vamos enfrentar, porque tem gente aqui que quer trazer para Aracaju o que Bolsonaro e Moro estão fazendo. Vamos debater isso e não vamos permitir. 
Para além do debate nacional, quais as suas propostas para a vida da cidade?
Tem algumas questões que obviamente nós vamos construir no plano de governo, fazer o debate, mas tem coisas fundamentais que precisamos fazer na cidade. Nós precisamos voltar a colocar o povo nas decisões da administração municipal. Eu fui secretário do Orçamento participativo no governo de Déda em Aracaju, quando ele esteve na Prefeitura. Eu sei da importância de o povo participar das decisões, dizer onde é que o calo está apertando, dizer o que é que precisa pro seu bairro, participar da discussão dos projetos estratégicos para a cidade. Isso é muito importante. Acho também que nós temos que ter uma atenção muito especial com o cidadão, com a pessoa humana. Nós precisamos humanizar a nossa cidade. O desemprego está batendo na porta das pessoas, a fome já está assolando as famílias, a falta de oportunidade para a juventude. A gente precisa trabalhar os programas sociais para proteger o cidadão. E trabalhar para ter uma educação pública mais eficiente para os filhos do povo, uma saúde que não sofra a influência da cartelização dos grandes grupos de saúde. Nós temos que ter um trabalho para que a mobilidade urbana seja algo prioritário, mas com a criatividade dos tempos atuais, com m sistema de transporte que possa levar com dignidade os jovens e os trabalhadores para a escola e o trabalho. Então, tem uma série de coisas que vamos debater, tanto no ponto de vista das obras quanto no da orientação política para a futura administração de Aracaju.
O senhor pretende questionar ou criticar eventuais falhas na gestão de Edvaldo Nogueira?
Minha candidatura não é uma candidatura contra Edvaldo. É a favor do povo de Aracaju. Não tem ódio, nem raiva e nem rancor. É um projeto político que nós achamos que, neste momento, o PT pode dar uma contribuição maior ainda. Nos disputamos a última eleição de Aracaju há 16 anos atrás, na reeleição de Déda. E às vezes, vocês ficam dizendo que o PT e hegemônico... O PT é generoso, não disputou eleições. Agora chegou a hora de disputar. Queremos conversar com o povo de Aracaju, apresentar uma proposta concreta. E assim... eu estou muito feliz com essa possibilidade de conversar com o povo. Estou com vontade de fazer, com tesão pra dialogar com a nossa gente, construir uma alternativa para que a cidade possa ser melhor, mais humana e mais desenvolvida. E todo o meu amor e dedicação que tenho à minha família, à minha mulher e meus filhos, eu vou botar à disposição do povo de Aracaju.
Como o senhor acha que a decisão de Edvaldo em sair do PC do B interfere no cenário pré-eleitoral?
Olha, eu não costumo comentar decisões de outros partidos. Não sei como é que o PT e o PC do B vão se posicionar. Eu só acho que Edvaldo está fazendo as opções políticas dele. É natural isso. E o povo que julgue. 
Esse distanciamento do PT com Edvaldo e o PC do B já estava desenhado antes?
É natural que o PT tenha a posição de ter uma candidatura própria. Edvaldo fez algumas escolhas políticas que o distanciam do campo democrático-popular e da esquerda. Isso gera muita idiossincrasia na base social que o levou à prefeitura, e da qual o PT é signatário. É natural que isso esteja acontecendo. Sem nenhuma briga e sem nenhum ódio ou arma, vamos fazer esse debate com a sociedade, e a sociedade que defina qual é o melhor caminho parda Aracaju. 
Que escolhas foram essas? Tem a ver com essas aproximações com o PSC?
Essa aliança com André Moura, com Laércio Oliveira, essa aproximação com o governo Bolsonaro e com o governo [Michel] Temer, essa ausência na defesa da democracia contra o impeachment [da ex-presidente Dilma Rousseff], ausência na luta contra a prisão injusta de Lula... tudo isso cria idiossincrasia na base social e dificulta a nossa relação de dirigentes com a base social que nos levou a ganhar a Prefeitura.

Gabriel Damásio

Termina o suspense. Depois de aproximadamente dois anos de rumores e especulações, o Partido dos Trabalhadores decidiu lançar o seu candidato próprio à prefeito de Aracaju, depois de um interregno de 16 anos. A aposta petista para tentar voltar ao comando da capital sergipana será o ex-deputado federal Márcio Macedo, atual vice-presidente nacional do partido. Nesta semana, seu nome foi aprovado pelos líderes de quase todos os grupos políticos internos do PT - restando ainda as respostas da 'Articulação de Esquerda' e da 'Resistência e Luta'. Ele também contou com o aval do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, líder máximo do partido. Agora, a pré-candidatura será apresentada e debatida pelos encontros do Diretório Municipal do PT, até a convenção final, em agosto. 

Nesta entrevista, o ex-deputado sergipano defende propostas para "humanizar a cidade" e retomar a participação popular na gestão municipal, mas deixa claro que quer trazer para o debate a discussão sobre a política nacional, indo à carga contra o presidente Jair Bolsonaro, seu atual governo, e o ministro da Justiça Sérgio Moro, principal inimigo de Lula. Márcio também prometeu fazer uma campanha "sem ódio", mas fez críticas ao prefeito Edvaldo Nogueira, por causa de alianças e aproximações políticas que ele vem fazendo com partidos e pessoas identificadas com a direita e detestadas pelas bases petistas, como o ex-deputado André Moura (PSC) e o deputado Laércio Oliveira (PP), autor da reforma trabalhista. Para o petista, seu principal concorrente de outubro deve ser julgado pelo povo por suas escolhas políticas". 

Veja os principais trechos da entrevista:

Com a sua decisão de sair pré-candidato, qual será a principal proposta que o senhor irá apresentar em sua campanha?
Nós estamos iniciando um processo. É claro que o PT já governou Aracaju e já governou o Brasil. Por isso, tem políticas públicas muito consistentes no nosso município, que são tanto do governo Lula quanto do governo da Dilma [Rousseff] e quanto dos governos de [Marcelo] Déda, na Prefeitura e no Estado. Então, nós podemos dizer que vamos fazer mais e melhor porque já fizemos. E fizemos bem aqui, com toda a humildade que se possa ter nessa frase. Então, nós vamos trabalhar. Primeiro, porque é importante dizer que Aracaju não é uma ilha e nem está suspensa. Ela faz parte de um estado brasileiro, uma unidade federativa que integra o Brasil. Nós temos que compreender que temos um projeto em curso no país, de redução de direitos, de entrega do patrimônio nacional, de sucateamento da educação e da saúde, de invasão dos direitos individuais da pessoa humana e de atentado contra a democracia. Nós vamos fazer é esse debate, e vamos enfrentar, porque tem gente aqui que quer trazer para Aracaju o que Bolsonaro e Moro estão fazendo. Vamos debater isso e não vamos permitir. 

Para além do debate nacional, quais as suas propostas para a vida da cidade?
Tem algumas questões que obviamente nós vamos construir no plano de governo, fazer o debate, mas tem coisas fundamentais que precisamos fazer na cidade. Nós precisamos voltar a colocar o povo nas decisões da administração municipal. Eu fui secretário do Orçamento participativo no governo de Déda em Aracaju, quando ele esteve na Prefeitura. Eu sei da importância de o povo participar das decisões, dizer onde é que o calo está apertando, dizer o que é que precisa pro seu bairro, participar da discussão dos projetos estratégicos para a cidade. Isso é muito importante. Acho também que nós temos que ter uma atenção muito especial com o cidadão, com a pessoa humana. Nós precisamos humanizar a nossa cidade. O desemprego está batendo na porta das pessoas, a fome já está assolando as famílias, a falta de oportunidade para a juventude. A gente precisa trabalhar os programas sociais para proteger o cidadão. E trabalhar para ter uma educação pública mais eficiente para os filhos do povo, uma saúde que não sofra a influência da cartelização dos grandes grupos de saúde. Nós temos que ter um trabalho para que a mobilidade urbana seja algo prioritário, mas com a criatividade dos tempos atuais, com m sistema de transporte que possa levar com dignidade os jovens e os trabalhadores para a escola e o trabalho. Então, tem uma série de coisas que vamos debater, tanto no ponto de vista das obras quanto no da orientação política para a futura administração de Aracaju.

O senhor pretende questionar ou criticar eventuais falhas na gestão de Edvaldo Nogueira?
Minha candidatura não é uma candidatura contra Edvaldo. É a favor do povo de Aracaju. Não tem ódio, nem raiva e nem rancor. É um projeto político que nós achamos que, neste momento, o PT pode dar uma contribuição maior ainda. Nos disputamos a última eleição de Aracaju há 16 anos atrás, na reeleição de Déda. E às vezes, vocês ficam dizendo que o PT e hegemônico... O PT é generoso, não disputou eleições. Agora chegou a hora de disputar. Queremos conversar com o povo de Aracaju, apresentar uma proposta concreta. E assim... eu estou muito feliz com essa possibilidade de conversar com o povo. Estou com vontade de fazer, com tesão pra dialogar com a nossa gente, construir uma alternativa para que a cidade possa ser melhor, mais humana e mais desenvolvida. E todo o meu amor e dedicação que tenho à minha família, à minha mulher e meus filhos, eu vou botar à disposição do povo de Aracaju.

Como o senhor acha que a decisão de Edvaldo em sair do PC do B interfere no cenário pré-eleitoral?
Olha, eu não costumo comentar decisões de outros partidos. Não sei como é que o PT e o PC do B vão se posicionar. Eu só acho que Edvaldo está fazendo as opções políticas dele. É natural isso. E o povo que julgue. 

Esse distanciamento do PT com Edvaldo e o PC do B já estava desenhado antes?
É natural que o PT tenha a posição de ter uma candidatura própria. Edvaldo fez algumas escolhas políticas que o distanciam do campo democrático-popular e da esquerda. Isso gera muita idiossincrasia na base social que o levou à prefeitura, e da qual o PT é signatário. É natural que isso esteja acontecendo. Sem nenhuma briga e sem nenhum ódio ou arma, vamos fazer esse debate com a sociedade, e a sociedade que defina qual é o melhor caminho parda Aracaju. 

Que escolhas foram essas? Tem a ver com essas aproximações com o PSC?
Essa aliança com André Moura, com Laércio Oliveira, essa aproximação com o governo Bolsonaro e com o governo [Michel] Temer, essa ausência na defesa da democracia contra o impeachment [da ex-presidente Dilma Rousseff], ausência na luta contra a prisão injusta de Lula... tudo isso cria idiossincrasia na base social e dificulta a nossa relação de dirigentes com a base social que nos levou a ganhar a Prefeitura.

 


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