Edvaldo tem adversário

Marcos Cardoso

 

Que o prefeito Edvaldo Nogueira faz mais uma gestão elogiável à frente de Aracaju isso até o pessoal da oposição reconhece. Que ele é favorito a se reeleger neste ano, não há como negar. Mas a eleição não está ganha e agora surgiu um adversário que deve dificultar uma caminhada que parecia tranquila.
Esse adversário é o velho PT conhecido de Edvaldo. O sorriso estampado nos rostos durante o lançamento da candidatura do ex-deputado federal e vice-presidente nacional, Márcio Macedo, na noite da última quinta-feira, mostra que o PT está se sentindo à vontade para romper com o prefeito, rachando uma relação quase siamesa que já durava 31 anos, desde quando estavam juntos no apoio à candidatura de Lula à presidência da República em 1989.
No ano seguinte, estavam juntos na defesa da candidatura de José Eduardo Dutra (PT) para govenador. Depois, se aliariam por 26 anos ininterruptos, desde 1994, quando PT e PCdoB novamente defenderam Lula e a candidatura de Jackson Barreto (PDT) ao governo e de Antonio Carlos Valadares (PP) e Dutra ao Senado. Nunca mais soltaram as mãos.
Assim foi em todas as eleições que aconteceram desde então. Em 1996, PT e PCdoB estavam juntos com o PCB apoiando Ismael Silva (PT) para prefeito. Em 1998, formaram a Frente Popular das Oposições (PSB, PDT, PT e PCdoB) e apoiaram Valadares (PSB) para o governo.
Déda prefeito
Em 2000, estiveram mais juntos do que nunca, ao lado do PCB e PSTU, elegendo Marcelo Déda para prefeito e Edvaldo Nogueira para vice-prefeito de Aracaju. A partir daí, quase todas as eleições foram vitoriosas para os dois partidos.
Em 2002 (Lula leito presidente e Dutra derrotado para governador), 2004 (reeleição de Déda/Edvaldo), 2006 (reeleição de Lula e eleição de Déda para o governo), 2008 (reeleição de Edvaldo na PMA), 2010 (eleição de Dilma Rousseff e reeleição de Déda), 2012 (no apoio à candidatura de Valadares filho a prefeito de Aracaju), 2014 (reeleição de Dilma e reeleição de JB para o governo), 2016 (eleição de Edvaldo na PMA) e 2018 (derrota de Fernando Haddad para presidente e reeleição de Belivaldo Chagas ao governo de Sergipe).
Nessa última eleição, Márcio Macêdo não se elegeu deputado federal por questão de legenda. Ele, que já tinha ocupado o cargo de 2011 a 2014, foi o sexto mais votado no Estado, ficando à frente dos deputados federais eleitos Bosco Costa, Valdevan Noventa e Fábio Henrique. Em Aracaju, Márcio foi o segundo mais votado, ficando atrás apenas da defensora pública e vereadora Emília Correa.
Portanto, não há que se desprezar a força eleitoral de Márcio Macedo e muito menos do PT em Aracaju. Ele tem o apoio dos caciques do partido em Sergipe, o senador Rogério Carvalho, o deputado federal e presidente estadual da sigla João Daniel e a primeira-dama do Estado, Eliane Aquino. 
Apenas as tendências minoritárias Militância Socialista (Ana Lúcia Menezes e Iran Barbosa) e Articulação de Esquerda (Professor Dudu, Roberto Silva e Joel) ainda não têm posição definida, mas impõem como uma das condições o rompimento imediato com o governador Belivaldo Chagas (PSD).
Edvaldo tem apoio forte
Indiferente a tudo isso, o governador mantém seu apoio a Edvaldo Nogueira, assim como Jackson Barreto e outras lideranças de peso e bala na agulha, os deputados federais Laércio Oliveira (PP), Fábio Mitidieri (PSD) e Fábio Henrique (PDT).
Com o rompimento, o PCdoB retomou imediatamente o cargo de vereador, que estava "emprestado" pelo professor Bittencourt ao filho de João Daniel, Camilo Feitosa (PT). Ao mesmo tempo, o presidente Cássio Murilo e outros dois petistas entregaram seus cargos na Funcaju, órgão que desenvolve a política cultural da Prefeitura de Aracaju.
Há muito tempo o PT falava em candidatura própria, intenção que cresceu quando Lula saiu da prisão em novembro passado e defendeu que seu partido apresentasse candidatos nas capitais e principais cidades. Mas a aproximação do socialista Edvaldo com políticos da direita foi decisiva para o PT resolver indicar candidato próprio na disputa de Aracaju, segundo uma fonte qualificada do partido, que prefere guardar a discrição. Esse sentimento cresceu com a relação política considerada "muito íntima" entre o prefeito e o então deputado federal André Moura (PSC).
Edvaldo desfiliou-se recentemente do PCdoB, seu único partido e onde militou por quase 40 anos. Até março vai se definir por outra agremiação, que pode ser o PDT, mas também pode ser um partido mais ao centro ou à direita, como o Progressistas ou o PSD.
Até lá, outros nomes devem se definir. Talvez o da delegada Danielle Garcia, agora filiada ao Cidadania do senador Alessandro Vieira, ou de Gilmar Carvalho, ainda no PSC, embora o deputado-radialista tenha saído chamuscado do episódio da aposentadoria precoce como parlamentar às vésperas da votação do projeto de reforma da Previdência Estadual. Valadares Filho (PSB), Almeida Lima (PV) e outros menos cotados também anunciam que estão no páreo.
Agora é aguardar o desenhar das nuvens.

Que o prefeito Edvaldo Nogueira faz mais uma gestão elogiável à frente de Aracaju isso até o pessoal da oposição reconhece. Que ele é favorito a se reeleger neste ano, não há como negar. Mas a eleição não está ganha e agora surgiu um adversário que deve dificultar uma caminhada que parecia tranquila.
Esse adversário é o velho PT conhecido de Edvaldo. O sorriso estampado nos rostos durante o lançamento da candidatura do ex-deputado federal e vice-presidente nacional, Márcio Macedo, na noite da última quinta-feira, mostra que o PT está se sentindo à vontade para romper com o prefeito, rachando uma relação quase siamesa que já durava 31 anos, desde quando estavam juntos no apoio à candidatura de Lula à presidência da República em 1989.
No ano seguinte, estavam juntos na defesa da candidatura de José Eduardo Dutra (PT) para govenador. Depois, se aliariam por 26 anos ininterruptos, desde 1994, quando PT e PCdoB novamente defenderam Lula e a candidatura de Jackson Barreto (PDT) ao governo e de Antonio Carlos Valadares (PP) e Dutra ao Senado. Nunca mais soltaram as mãos.
Assim foi em todas as eleições que aconteceram desde então. Em 1996, PT e PCdoB estavam juntos com o PCB apoiando Ismael Silva (PT) para prefeito. Em 1998, formaram a Frente Popular das Oposições (PSB, PDT, PT e PCdoB) e apoiaram Valadares (PSB) para o governo.
Déda prefeito
Em 2000, estiveram mais juntos do que nunca, ao lado do PCB e PSTU, elegendo Marcelo Déda para prefeito e Edvaldo Nogueira para vice-prefeito de Aracaju. A partir daí, quase todas as eleições foram vitoriosas para os dois partidos.
Em 2002 (Lula leito presidente e Dutra derrotado para governador), 2004 (reeleição de Déda/Edvaldo), 2006 (reeleição de Lula e eleição de Déda para o governo), 2008 (reeleição de Edvaldo na PMA), 2010 (eleição de Dilma Rousseff e reeleição de Déda), 2012 (no apoio à candidatura de Valadares filho a prefeito de Aracaju), 2014 (reeleição de Dilma e reeleição de JB para o governo), 2016 (eleição de Edvaldo na PMA) e 2018 (derrota de Fernando Haddad para presidente e reeleição de Belivaldo Chagas ao governo de Sergipe).
Nessa última eleição, Márcio Macêdo não se elegeu deputado federal por questão de legenda. Ele, que já tinha ocupado o cargo de 2011 a 2014, foi o sexto mais votado no Estado, ficando à frente dos deputados federais eleitos Bosco Costa, Valdevan Noventa e Fábio Henrique. Em Aracaju, Márcio foi o segundo mais votado, ficando atrás apenas da defensora pública e vereadora Emília Correa.
Portanto, não há que se desprezar a força eleitoral de Márcio Macedo e muito menos do PT em Aracaju. Ele tem o apoio dos caciques do partido em Sergipe, o senador Rogério Carvalho, o deputado federal e presidente estadual da sigla João Daniel e a primeira-dama do Estado, Eliane Aquino. 
Apenas as tendências minoritárias Militância Socialista (Ana Lúcia Menezes e Iran Barbosa) e Articulação de Esquerda (Professor Dudu, Roberto Silva e Joel) ainda não têm posição definida, mas impõem como uma das condições o rompimento imediato com o governador Belivaldo Chagas (PSD).
Edvaldo tem apoio forte
Indiferente a tudo isso, o governador mantém seu apoio a Edvaldo Nogueira, assim como Jackson Barreto e outras lideranças de peso e bala na agulha, os deputados federais Laércio Oliveira (PP), Fábio Mitidieri (PSD) e Fábio Henrique (PDT).
Com o rompimento, o PCdoB retomou imediatamente o cargo de vereador, que estava "emprestado" pelo professor Bittencourt ao filho de João Daniel, Camilo Feitosa (PT). Ao mesmo tempo, o presidente Cássio Murilo e outros dois petistas entregaram seus cargos na Funcaju, órgão que desenvolve a política cultural da Prefeitura de Aracaju.
Há muito tempo o PT falava em candidatura própria, intenção que cresceu quando Lula saiu da prisão em novembro passado e defendeu que seu partido apresentasse candidatos nas capitais e principais cidades. Mas a aproximação do socialista Edvaldo com políticos da direita foi decisiva para o PT resolver indicar candidato próprio na disputa de Aracaju, segundo uma fonte qualificada do partido, que prefere guardar a discrição. Esse sentimento cresceu com a relação política considerada "muito íntima" entre o prefeito e o então deputado federal André Moura (PSC).
Edvaldo desfiliou-se recentemente do PCdoB, seu único partido e onde militou por quase 40 anos. Até março vai se definir por outra agremiação, que pode ser o PDT, mas também pode ser um partido mais ao centro ou à direita, como o Progressistas ou o PSD.
Até lá, outros nomes devem se definir. Talvez o da delegada Danielle Garcia, agora filiada ao Cidadania do senador Alessandro Vieira, ou de Gilmar Carvalho, ainda no PSC, embora o deputado-radialista tenha saído chamuscado do episódio da aposentadoria precoce como parlamentar às vésperas da votação do projeto de reforma da Previdência Estadual. Valadares Filho (PSB), Almeida Lima (PV) e outros menos cotados também anunciam que estão no páreo.
Agora é aguardar o desenhar das nuvens.

 


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