Brincando com fogo

Geral


  • Sem medo de se queimar

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
O repertório da ban
da The Baggios é 
um prato cheio para qualquer diretor de cinema com sangue nos olhos. Raphael Borges é destes. Se a música sugere uma situação, ele a escancara na tela, com todas as cores.
Quem se dispor a conferir 'Limaia', videoclipe lançado hoje, vai encontrar o mesmo autor notável na peça 'Como um tiro de bacamarte', realizada há pouco mais de três anos, ainda no rastro do disco Brutown (2015). O tom agora é outro, francamente festivo. Tanto lá como cá, no entanto, as imagens revelam o mesmo lugar simbólico, onde a pieguice não se cria, uma terra de amores brutos e sentimento selvagem.
Alegria, alegria... Filtrada pelas lentes de Raphael, a ação tem valor absoluto. É a partir dos movimentos e da movimentação dos personagens em um dado ambiente que o diretor conta a história toda. Completamente à vontade no meio da farra, o guitarrista Julio Andrade brinca com a câmera, aos saltos. A satisfação estampada no rosto, o corpo encurvado de um Zé Pilinta surpreendido na fuzarca, reforçam a intenção endoidecida de tocar fogo no cabaré.
'Limaia' tem cheiro de pólvora e de suor. No clipe, todos os corpos balançam afoitos, compelidos pela embriaguez do batuque, até o limite do cansaço extasiado. Os planos enaltecem a disposição para o folguedo e argumentam: Quem nunca correu de um busca-pé jamais sentiu o coração bater de verdade.
Mingau, como o diretor é chamado pelos amigos, acertou de novo. As passagens no meio do mato, que remetem aos signos do disco Vulcão (2018), aparecem deslocadas. À parte isso, 'Limaia' entrega tudo o que se pode exigir de um videoclipe: em cada frame, o resumo da ópera inteira. Aqui, ele brinca com fogo, sem medo de se queimar.

Rian Santos

O repertório da ban da The Baggios é  um prato cheio para qualquer diretor de cinema com sangue nos olhos. Raphael Borges é destes. Se a música sugere uma situação, ele a escancara na tela, com todas as cores.
Quem se dispor a conferir 'Limaia', videoclipe lançado hoje, vai encontrar o mesmo autor notável na peça 'Como um tiro de bacamarte', realizada há pouco mais de três anos, ainda no rastro do disco Brutown (2015). O tom agora é outro, francamente festivo. Tanto lá como cá, no entanto, as imagens revelam o mesmo lugar simbólico, onde a pieguice não se cria, uma terra de amores brutos e sentimento selvagem.
Alegria, alegria... Filtrada pelas lentes de Raphael, a ação tem valor absoluto. É a partir dos movimentos e da movimentação dos personagens em um dado ambiente que o diretor conta a história toda. Completamente à vontade no meio da farra, o guitarrista Julio Andrade brinca com a câmera, aos saltos. A satisfação estampada no rosto, o corpo encurvado de um Zé Pilinta surpreendido na fuzarca, reforçam a intenção endoidecida de tocar fogo no cabaré.
'Limaia' tem cheiro de pólvora e de suor. No clipe, todos os corpos balançam afoitos, compelidos pela embriaguez do batuque, até o limite do cansaço extasiado. Os planos enaltecem a disposição para o folguedo e argumentam: Quem nunca correu de um busca-pé jamais sentiu o coração bater de verdade.
Mingau, como o diretor é chamado pelos amigos, acertou de novo. As passagens no meio do mato, que remetem aos signos do disco Vulcão (2018), aparecem deslocadas. À parte isso, 'Limaia' entrega tudo o que se pode exigir de um videoclipe: em cada frame, o resumo da ópera inteira. Aqui, ele brinca com fogo, sem medo de se queimar.

 


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