Blitz Cultural no Bugio

Geral


  • Pedro Sá vive os personagens da peça Julio Cesar em monólogo musical

 

Rian Santos
riancalangodoido@yahoo.com.br
Sábado, 15 de fevereiro, o grupo Boca de Cena transforma 
o conjunto Bugio em um grande palco, oferecendo uma 
bela mostra do poder de fogo desprezado pelo poder público na periferia de Aracaju. 
Segundo o ator e produtor cultural Rogério Alves, para quem todo lugar de fala deve ser reivindicado com a ação mais consequente, a Blitz Cultural é um ato político. Trata-se, no fim das contas, de declarar a potência criativa dos situados à margem. Com todas as letras, em alto e bom som.
"O grupo sabe que é um agente social dentro da comunidade e nosso objetivo é sempre fomentar a arte, trazendo todos os públicos, de todas as faixas etárias, para dentro da nossa sede".
Na programação, com início às 09 horas, oficina de Teatro-Canção ministrada pelo ator Pedro Sá Moraes; o espetáculo 'A paixão de Brutus', com Pedro Sá Moraes sob a direção de Noberto Presta; intervenções artísticas de MaycolMundoca, o grupo Zabumbadores de Vó Lurdes; alémdedebate com os professoresAglaé Fontes, Alexandra Dumas, Romério Venâncio e Severo D'Acelino e exposição de artes visuais. 

Rian Santos

Sábado, 15 de fevereiro, o grupo Boca de Cena transforma  o conjunto Bugio em um grande palco, oferecendo uma  bela mostra do poder de fogo desprezado pelo poder público na periferia de Aracaju. 
Segundo o ator e produtor cultural Rogério Alves, para quem todo lugar de fala deve ser reivindicado com a ação mais consequente, a Blitz Cultural é um ato político. Trata-se, no fim das contas, de declarar a potência criativa dos situados à margem. Com todas as letras, em alto e bom som.
"O grupo sabe que é um agente social dentro da comunidade e nosso objetivo é sempre fomentar a arte, trazendo todos os públicos, de todas as faixas etárias, para dentro da nossa sede".
Na programação, com início às 09 horas, oficina de Teatro-Canção ministrada pelo ator Pedro Sá Moraes; o espetáculo 'A paixão de Brutus', com Pedro Sá Moraes sob a direção de Noberto Presta; intervenções artísticas de MaycolMundoca, o grupo Zabumbadores de Vó Lurdes; alémdedebate com os professoresAglaé Fontes, Alexandra Dumas, Romério Venâncio e Severo D'Acelino e exposição de artes visuais. 

Jornal do Dia - O que é a Blitz Cultural? Como e quando surgiu? Quantas edições já foram realizadas?

Grupo Boca de Cena - A Blitz Cultural é um festival de arte realizado pelo grupo Boca de Cena, cujo objetivo é parar, pensar e refletir arte! A nossa intenção é a de promover o reencantamento do cotidiano, através do teatro, da dança, música, artes plásticas, oficinas e workshops realizados na sede do grupo e escolas da rede pública.

A primeira edição da Blitz foi realizada em setembro de 2014, em comemoração aos 9 anos do grupo, às vésperas da estreia do espetáculo 'Como Nasce um Santo', mobilizando principalmente a cena teatral, com personalidades de âmbito local e nacional.

Realizamos a Blitz duas vezes, a primeira em 2014 e a segunda em 2015, em comemoração aos 10 anos do grupo. Infelizmente, ficou inviável dar continuidade ao projeto, visto que não tínhamos patrocínio, tudo era produzido por conta própria, e o apoio era somente dos artistas que se apresentavam de graça. 

Ano passado, a Blitz voltou com um formato diferente. Ao invés de quatro dias seguidos de eventos, preferimos distribuir a programação em três datas diferentes, em janeiro, julho e dezembro, ao longo de 2019.

JD - O projeto promove diversas atividades no conjunto Bugio. O que vocês prepararam para a edição deste ano?

Boca de Cena - Todos os anos a gente busca de alguma forma cumprir nosso papel enquanto agentes culturais e artistas, seja através de uma oficina gratuita numa escola pública ou de um espetáculo apresentado na praça. O grupo sabe que é um agente social dentro da comunidade e nosso objetivo é sempre fomentar a arte, trazendo todos os públicos, de todas as faixas etária, para dentro da nossa sede, um trabalho de formiguinha, tendo em vista a geração de bons frutos. Inclusive, uma de nossas atrizes mora no Bugio, participou de uma oficina do Boca de Cena em 2012. Este é um círculo virtuoso de transformação social que começa e não tem fim.

JD - A sede do Grupo Boca de Cena talvez seja o único aparelho cultural do Bugio. Neste particular, é possível afirmar que as periferias da capital sergipana foram abandonadas pelo poder público?

Boca de Cena - O Bugio foi um bairro com uma efervescência cultural muito forte na década de 80, é habitado por diversos artistas populares. Infelizmente, o Bugio apresentado na mídia é apenas um bairro periférico de Aracaju com índices altíssimos de criminalidade. 

Desde 2010, quando o grupo se firma no bairro, com a ocupação de um posto de saúde desativado, tentamos reverter essa impressãopromovendo o exercício artístico dentro da periferia, dialogando com a comunidade do Bugio, Jardim Centenário e imediações, buscando parcerias com grupos locais e de outros estados, artistas de renome nacional e internacional, apresentando a potência criativa deste lugar para o Brasil inteiro.Se as periferias foram abandonadas pelo poder público não foi com a nossa colaboração.

JD - O poder pública chega junto, no sentido de oferecer alguma espécie de apoio ao desenvolvimento cultural nas periferias do estado?

Boca de Cena - Estamos passando por um momento tenebroso, em âmbito nacional. Realmente é complicado falar de incentivo cultural quando se extingue oMinistério da Cultura, com o previsível efeito dominó,em estados e municípios.

Nossas atividades tem acontecido a partir de parcerias com os artistas! Seria bom que o poder público chegasse junto!

 


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