Petroleiros ameaçam parar produção da Fafen

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Publicada em 16/02/2013 às 09:55:00

Os mais de 700 petroleiros da unidade de produção da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE), instalada em Laranjeiras, ameaçam paralisar as atividades a partir de segunda-feira, caso a Petrobras não apresente uma solução para operários terceirizados que estão há mais de três meses sem receber salários após quebra de contratos de três empresas que prestavam serviço à companhia.

Na manhã de ontem, os petroleiros voltaram a fechar os acessos da fábrica nos sentidos Riachuelo e Pedra Branca em mais um dia de protestos em defesa dos terceirizados que estão com salários atrasados desde dezembro.

Segundo o sindicato da categoria, 400 terceirizados foram demitidos por quebra de contrato e não tiveram a rescisão paga pelas empresas GDK e LEME. Ainda de acordo com informações da entidade sindical, a VIP SERV não está pagando o plano de saúde, o pagamento salarial está em atraso, não está depositando o FGTS e não repassou a cesta básica.

Na avaliação do Sindicato Unificado dos Trabalhadores Petroleiros, Petroquímicos, Químicos e Plásticos nos Estados de Alagoas e Sergipe (Sindipetro-AL/SE), a Petrobras deve assumir a responsabilidade administrativa referente aos operários. "A Petrobras não é criteriosa na escolha das empresas. A prática é o menor preço e não o preço mais acessível e qualidade no serviço, o que acaba causando uma demanda negativa. Não é justo que os trabalhadores não recebam se executaram o serviço", diz o diretor do sindicato, Gildo Francisco Pereira.

No dia 5 deste mês, os petroleiros realizaram outra paralisação por 24h na Fafen/SE em defesa dos direitos dos trabalhadores das três empresas terceirizadas. "Nos últimos 15 dias já foram realizadas três paralisações sem nenhum posicionamento da Petrobras sobre o problema, que já dura mais de 90 dias", disse.

O Sindipetro AL/SE está entrando com ação na justiça buscando garantir o pagamento das verbas rescisórias dos trabalhadores da GDK e LEME. A paralisação é uma forma de exigir o pagamento do salário, cesta básica, plano de saúde e FGTS dos trabalhadores da VIP SERV.

"Deram um verdadeiro calote nos trabalhadores", diz Gildo. Para amenizar a situação, o sindicato disponibilizou 105 cestas básicas e 57 vales-gás para os terceirizados. A entidade sindical também está mobilizando recursos entre todos os petroleiros como forma de ajuda.
Na quinta-feira houve reunião entre a gerência da Petrobras e representantes das empresas e sindicato, mas não houve avanço, o que provocou a segunda manifestação. Gildo  informou que a Petrobras alegou impedimento legal para intermediar o pagamento junto às empresas.  

Para o dirigente sindical, a parada de produção por tempo indeterminado é agora a última alternativa para pressionar uma solução. Durante a manifestação, os petroleiros efetivos também protestaram contra a redução de 56% na participação de lucros da empresa.
A Petrobras ainda não se pronunciou sobre a possibilidade de paralisação dos petroleiros.  

Produção - Diariamente, a Fafen produz 1.800 toneladas de ureia e 1.250 toneladas de amônia. Unidade de operações da Petrobras, a Fafen é responsável pela fabricação de amônia, ureia, Reforce N e gás carbônico.
Os produtos são distribuídos para diferentes regiões do país. Para Sergipe, as vendas, principalmente para as empresas misturadoras, representam 45,06%. Os produtos também são comercializados para Minas Gerais (16,56%), São Paulo (15,35%), Goiás (14,94%), além de outros Estados (8,09%). Em 2011, foram vendidas 518 mil toneladas.

Dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), em 2011, mostram que a produção de fertilizantes nitrogenados pela Fafen representa 36% da produção nacional. Além disso, a fábrica sergipana é a única que produz a ureia granulada.