Bom senso nunca matou ninguém

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Publicada em 16/02/2013 às 10:03:00

Os vizinhos do cemitério São João Batista, no Costa e Silva, podem não ter medo de fantasmas, mas são obrigados ao convívio com outro tipo de assombração. De acordo com as denúncias encaminhadas à Emsurb, o conjunto foi tomado pela fedentina expulsa das covas. O pior é que esses moradores não estão sozinhos.

Levantamento de um dos maiores especialistas no assunto indica que 75% dos cemitérios públicos do Brasil têm problemas ambientais, a maioria relacionada com vazamento do necrochorume - líquido oriundo da decomposição dos corpos - para lençóis freáticos.

No caso do São João Batista, há esperança de que o problema seja resolvido com um pouco de atenção. Basta que os gestores municipais assumam as próprias responsabilidades e tomem as devidas providências. Trata-se de impedir que a pestilência das sepulturas corra livremente, levando doenças e desconforto ao entorno do cemitério. Medidas simples, como a impermeabilização do terreno e cuidados com o armazenamento de resíduos de corpos cremados evitariam tantos transtornos.

Geólogo, mestre em engenharia sanitária e professor da Universidade São Judas, o especialista carioca Lezíro Marques Silva, que vistoriou 1.107 cemitérios, prepara estudo nacional com estatísticas sobre o assunto. Segundo ele, os cemitérios sofrem principalmente com falta de cuidado com a escolha do local e desleixo na impermeabilização das sepulturas.

O geólogo ajudou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a fazer resoluções cobrando mais cuidado com as covas. Segundo ele, o fundo das sepulturas deve ser impermeabilizado, a menos que o caixão seja forrado por fora com manta de tecido especial. Na opinião do especialista, o ideal seria que cemitérios seguissem os mesmos padrões de aterros sanitários, mantendo o lençol freático o mais longe possível das covas, cavadas sempre sobre rocha impermeável e considerável distância dos centros urbanos. Afinal de contas, bom senso nunca matou ninguém.