Empresário e funcionária são presos em nova fase da \'Citrus\'

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  • O PROMOTOR BRUNO MELO MOURA, DO GAECO, DURANTE ENTREVISTA COLETIVA: PRESOS SÃO DE EMPRESA QUE FORNECIA MEDICAMENTOS A PREFEITURA DE LARANJEIRAS

 

Gabriel Damásio
O Ministério Público Es
tadual (MPSE) defla
grou ontem, junto com as polícias Civil e Militar, a segunda fase da 'Operação Citrus', que investiga denúncias de desvios de verbas, fraudes em licitações e irregularidades na Prefeitura de Laranjeiras (Vale do Cotinguiba). Promotores e policiais cumpriram dois mandados de prisão preventiva e outros sete de busca e apreensão, decretados pela desembargadora Ana Lúcia Freire de Almeida dos Anjos, do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE). O alvo principal desta fase foi o dono de uma empresa de medicamentos sediada em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju), que é apontado como chefe do esquema de fraudes e acabou preso. 
O empresário e uma funcionária de seu escritório, que também teve a prisão decretada, foram detidos no começo da manhã, em residências na zona sul de Aracaju, e levados para a sede do MPSE, no Capucho, onde prestaram depoimentos. Em seguida, os dois foram levados para a sede do Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e a Administração Pública (Deotap), no bairro Cirurgia, e no Instituto Médico-Legal (IML), no São José, onde cumpriram os procedimentos legais para ingresso no sistema prisional. Já os mandados de busca se concentraram em outros endereços não revelados, nos quais os promotores e policiais recolheram documentos, computadores, celulares e arquivos digitais. 
Os nomes dos presos não foram divulgados, mas o promotor Bruno Melo Moura, do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), confirmou que eles são acusados de destruir provas e tentar atrapalhar as investigações do MP sobre as atuações do grupo nas fraudes em Laranjeiras e, possivelmente, em outros municípios do interior. Entre os atos praticados, está a queima de diversas caixas com documentos. "Foi constatado que após a deflagração da [primeira fase da] Operação Citrus, em 19 de dezembro, essas pessoas passaram a destruir provas importantes para a investigação. Em depoimentos, as pessoas constataram que foram queimados documentos e caixas, foi dado um fim a celulares, trocaram e apagaram [dados de] aparelhos... entendemos que houve sim uma ação planejada para obstruir as investigações sobre a organização criminosa", disse Bruno. 
O promotor destacou que as provas destruídas comprometeram parcialmente as investigações do esquema, mas foram compensadas com a apreensão de outras provas e obtenção de outros dados. Ele afirmou ainda que pediu a prisão preventiva de sete pessoas investigadas na Citrus, mas a desembargadora Ana Lúcia viu fundamento em dois dos pedidos: o do dono das empresas investigadas e o de uma de suas funcionárias diretas. O processo da Citrus começou na Comarca de Laranjeiras, que autorizou as buscas e apreensões realizadas em dezembro na Prefeitura da cidade, mas subiu para a segunda instância porque os investigadores descobriram indícios do envolvimento de uma autoridade com prerrogativa de foro junto ao TJSE - o cargo e o nome desta pessoa permanecem em sigilo. 
Ainda de acordo com Bruno Melo, a fraude investigada envolve uma empresa de medicamentos que participava de licitações em prefeituras, concorrendo com outras empresas que, segundo indícios, seriam de fachada e ligadas ao mesmo dono. "O empresário é proprietário de uma empresa e tem mais três que estão registradas em nome de laranjas. Estamos tentando comprovar que as empresas de medicamentos só emitiam notas fiscais para o pagamento de faturas, sem a entrega efetiva dos remédios. E há até a venda de produtos que eles não compram. A Secretaria da Fazenda já fez uma inspeção e constatou que existiam notas de saída e não tinham notas de compra. Não posso vender o que não comprei: ou ele não está entregando o produto ou está entregando uma mercadoria fria", concluiu o promotor. 
O MPSE tem um prazo de 10 dias para concluir os procedimentos e apresentar denúncia contra os acusados pela obstrução de investigação, crime pelo qual o empresário e a funcionária foram denunciados. Sobre o restante da investigação da 'Citrus', ela continua em andamento por tempo indeterminado, por não haver réus presos. Na primeira fase, um dos alvos foi o prefeito de Laranjeiras, Paulo Hagembeck, que chegou a ser preso em flagrante com um segurança, por posse ilegal de duas armas de fogo. Na ocasião, eles pagaram fiança e foram liberados. 

Gabriel Damásio

O Ministério Público Es tadual (MPSE) defla grou ontem, junto com as polícias Civil e Militar, a segunda fase da 'Operação Citrus', que investiga denúncias de desvios de verbas, fraudes em licitações e irregularidades na Prefeitura de Laranjeiras (Vale do Cotinguiba). Promotores e policiais cumpriram dois mandados de prisão preventiva e outros sete de busca e apreensão, decretados pela desembargadora Ana Lúcia Freire de Almeida dos Anjos, do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE). O alvo principal desta fase foi o dono de uma empresa de medicamentos sediada em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju), que é apontado como chefe do esquema de fraudes e acabou preso. 
O empresário e uma funcionária de seu escritório, que também teve a prisão decretada, foram detidos no começo da manhã, em residências na zona sul de Aracaju, e levados para a sede do MPSE, no Capucho, onde prestaram depoimentos. Em seguida, os dois foram levados para a sede do Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e a Administração Pública (Deotap), no bairro Cirurgia, e no Instituto Médico-Legal (IML), no São José, onde cumpriram os procedimentos legais para ingresso no sistema prisional. Já os mandados de busca se concentraram em outros endereços não revelados, nos quais os promotores e policiais recolheram documentos, computadores, celulares e arquivos digitais. 
Os nomes dos presos não foram divulgados, mas o promotor Bruno Melo Moura, do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), confirmou que eles são acusados de destruir provas e tentar atrapalhar as investigações do MP sobre as atuações do grupo nas fraudes em Laranjeiras e, possivelmente, em outros municípios do interior. Entre os atos praticados, está a queima de diversas caixas com documentos. "Foi constatado que após a deflagração da [primeira fase da] Operação Citrus, em 19 de dezembro, essas pessoas passaram a destruir provas importantes para a investigação. Em depoimentos, as pessoas constataram que foram queimados documentos e caixas, foi dado um fim a celulares, trocaram e apagaram [dados de] aparelhos... entendemos que houve sim uma ação planejada para obstruir as investigações sobre a organização criminosa", disse Bruno. 
O promotor destacou que as provas destruídas comprometeram parcialmente as investigações do esquema, mas foram compensadas com a apreensão de outras provas e obtenção de outros dados. Ele afirmou ainda que pediu a prisão preventiva de sete pessoas investigadas na Citrus, mas a desembargadora Ana Lúcia viu fundamento em dois dos pedidos: o do dono das empresas investigadas e o de uma de suas funcionárias diretas. O processo da Citrus começou na Comarca de Laranjeiras, que autorizou as buscas e apreensões realizadas em dezembro na Prefeitura da cidade, mas subiu para a segunda instância porque os investigadores descobriram indícios do envolvimento de uma autoridade com prerrogativa de foro junto ao TJSE - o cargo e o nome desta pessoa permanecem em sigilo. 
Ainda de acordo com Bruno Melo, a fraude investigada envolve uma empresa de medicamentos que participava de licitações em prefeituras, concorrendo com outras empresas que, segundo indícios, seriam de fachada e ligadas ao mesmo dono. "O empresário é proprietário de uma empresa e tem mais três que estão registradas em nome de laranjas. Estamos tentando comprovar que as empresas de medicamentos só emitiam notas fiscais para o pagamento de faturas, sem a entrega efetiva dos remédios. E há até a venda de produtos que eles não compram. A Secretaria da Fazenda já fez uma inspeção e constatou que existiam notas de saída e não tinham notas de compra. Não posso vender o que não comprei: ou ele não está entregando o produto ou está entregando uma mercadoria fria", concluiu o promotor. 
O MPSE tem um prazo de 10 dias para concluir os procedimentos e apresentar denúncia contra os acusados pela obstrução de investigação, crime pelo qual o empresário e a funcionária foram denunciados. Sobre o restante da investigação da 'Citrus', ela continua em andamento por tempo indeterminado, por não haver réus presos. Na primeira fase, um dos alvos foi o prefeito de Laranjeiras, Paulo Hagembeck, que chegou a ser preso em flagrante com um segurança, por posse ilegal de duas armas de fogo. Na ocasião, eles pagaram fiança e foram liberados. 

 


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