Havia uma Marielle entre elas

Marcos Cardoso

 

Dois anos depois de sua morte, Marielle Franco continua assombrando aqueles que ela atormentava em vida. De origem humilde, negra, mãe, ela ousou ser corajosa e intransigente contra as desigualdades, a homofobia e na defesa das mulheres, dos jovens negros e das favelas, principalmente quando acossados pelos excessos da polícia e pela violência das milícias. Esse era o discurso dela.
E por que não criticava os traficantes? Ela mesma respondeu um ano antes de morrer: "Do tráfico não se cobra a lei e o respeito. Eu cobro essa postura é do Estado". E o que as milícias têm a ver com o Estado? É que os milicianos são quase sempre agentes ou ex-agentes do Estado que passaram a atuar fora da lei. Gozam de uma disfarçada e cada vez maior proteção do Estado, mas são bandidos, embora muita gente dita de bem insista em não admitir isso.
No dia 14 de março de 2018, Marielle e o motorista Anderson Gomes foram assassinados por um policial militar reformado e um ex-policial expulso da corporação, envolvidos com crimes de mando, milícia, contravenção e tráfico de armas. Tudo que não presta, mas nunca foram admoestados por isso. Muito pelo contrário.
A propósito, o sargento reformado Ronnie Lessa, o exímio atirador que puxou o gatilho da submetralhadora contra a vereadora, vizinho no condomínio de luxo do presidente Jair Bolsonaro, mantinha relação muito próxima com o delegado que chefiava as delegacias da capital carioca e que frequentemente arranjava "propostas muito boas de trabalho" para ele, segundo mensagens reveladas.
Mas importa dizer é que a voz de Marielle está mais viva e falando mais alto do que nunca. Aliás, Marielle tornou-se realmente grande depois que morreu. Não somente o Brasil, mas o mundo agora a conhece, respeita e exige o esclarecimento definitivo do crime, há dois anos impune.
Quem mandou matar Marielle?
A imagem dela, um ícone do ativismo, passou a ser reverenciada, seja no desfile da Mangueira campeã das escolas de samba do ano passado, seja no show de rock, sejam nas homenagens que recebe mundo afora. Seu sorriso bonito e seus cabelos crespos estão espalhados nas camisetas e em traços estilizados pelas cidades.
Por que será? A vereadora foi assassinada pela sua atuação política e pelas causas que defendia. Isso explica muita coisa. Marielle se fez presente em um ambiente ocupado historicamente por homens, brancos e poderosos.
A verdade é que seu assassinato deu força ao ativismo social no Brasil e Marielle já é um símbolo da nossa história.
E não adianta os que não simpatizam com a causa de Marielle tentarem desmerecê-la com o falso argumento de que outras mulheres são assassinadas e não são lembradas. E que muitos outros crimes também acontecem todos os dias e não são esclarecidos.
Ora, muitos foram injustamente condenados pelo apartheid na África do Sul, mas só havia um Nelson Mandela entre eles. Muitos foram assassinados pelos intolerantes na Índia colonial, mas só havia um Mahatma Gandhi entre eles. Muitos foram assassinados pelos supremacistas brancos nos Estados Unidos, mas só havia um Martin Luther King entre eles.
Muitas mulheres ousaram lutar para tentar diminuir o fosso que separa as pessoas na sociedade, contra a violência e contra o preconceito, e ainda bem que havia uma Marielle Franco entre elas.
#JustiçaPorMarielleEAnderson

Dois anos depois de sua morte, Marielle Franco continua assombrando aqueles que ela atormentava em vida. De origem humilde, negra, mãe, ela ousou ser corajosa e intransigente contra as desigualdades, a homofobia e na defesa das mulheres, dos jovens negros e das favelas, principalmente quando acossados pelos excessos da polícia e pela violência das milícias. Esse era o discurso dela.
E por que não criticava os traficantes? Ela mesma respondeu um ano antes de morrer: "Do tráfico não se cobra a lei e o respeito. Eu cobro essa postura é do Estado". E o que as milícias têm a ver com o Estado? É que os milicianos são quase sempre agentes ou ex-agentes do Estado que passaram a atuar fora da lei. Gozam de uma disfarçada e cada vez maior proteção do Estado, mas são bandidos, embora muita gente dita de bem insista em não admitir isso.
No dia 14 de março de 2018, Marielle e o motorista Anderson Gomes foram assassinados por um policial militar reformado e um ex-policial expulso da corporação, envolvidos com crimes de mando, milícia, contravenção e tráfico de armas. Tudo que não presta, mas nunca foram admoestados por isso. Muito pelo contrário.
A propósito, o sargento reformado Ronnie Lessa, o exímio atirador que puxou o gatilho da submetralhadora contra a vereadora, vizinho no condomínio de luxo do presidente Jair Bolsonaro, mantinha relação muito próxima com o delegado que chefiava as delegacias da capital carioca e que frequentemente arranjava "propostas muito boas de trabalho" para ele, segundo mensagens reveladas.
Mas importa dizer é que a voz de Marielle está mais viva e falando mais alto do que nunca. Aliás, Marielle tornou-se realmente grande depois que morreu. Não somente o Brasil, mas o mundo agora a conhece, respeita e exige o esclarecimento definitivo do crime, há dois anos impune.
Quem mandou matar Marielle?
A imagem dela, um ícone do ativismo, passou a ser reverenciada, seja no desfile da Mangueira campeã das escolas de samba do ano passado, seja no show de rock, sejam nas homenagens que recebe mundo afora. Seu sorriso bonito e seus cabelos crespos estão espalhados nas camisetas e em traços estilizados pelas cidades.
Por que será? A vereadora foi assassinada pela sua atuação política e pelas causas que defendia. Isso explica muita coisa. Marielle se fez presente em um ambiente ocupado historicamente por homens, brancos e poderosos.
A verdade é que seu assassinato deu força ao ativismo social no Brasil e Marielle já é um símbolo da nossa história.
E não adianta os que não simpatizam com a causa de Marielle tentarem desmerecê-la com o falso argumento de que outras mulheres são assassinadas e não são lembradas. E que muitos outros crimes também acontecem todos os dias e não são esclarecidos.
Ora, muitos foram injustamente condenados pelo apartheid na África do Sul, mas só havia um Nelson Mandela entre eles. Muitos foram assassinados pelos intolerantes na Índia colonial, mas só havia um Mahatma Gandhi entre eles. Muitos foram assassinados pelos supremacistas brancos nos Estados Unidos, mas só havia um Martin Luther King entre eles.
Muitas mulheres ousaram lutar para tentar diminuir o fosso que separa as pessoas na sociedade, contra a violência e contra o preconceito, e ainda bem que havia uma Marielle Franco entre elas.
#JustiçaPorMarielleEAnderson

 


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